“O Intereclesial mostra a atualidade e a vitalidade das CEBs na vida da Igreja”, afirma presidente da CNBB

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27 Janeiro 2018

Presente nesta 14ª edição do Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), o arcebispo de Brasília (DF) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha, quis prestigiar de perto o testemunho dos agentes eclesiais reunidos em Londrina (PR) até o próximo dia 27. Em entrevista, dom Sergio destaca a contribuição das CEBs na vida da Igreja, especialmente sua própria estrutura como “grande resposta” pastoral para os desafios urbanos.

A entrevista foi publicada por CNBB, 26-01-2018.

Eis a entrevista. 

Delegados de todo o país estão nesta semana no 14º Encontro Intereclesial das CEBs. O que representa este evento para a Igreja no Brasil?

Três palavras podem resumir a especial importância do Intereclesial para as CEBs e para toda a Igreja no Brasil: esperança, comunhão e missão. O Intereclesial é sinal de esperança, promove a comunhão eclesial e anima a missão. O testemunho das CEBs, dentre outros aspectos, contribui muito para valorizar mais a vida comunitária, a participação efetiva dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, e a relação entre fé e vida, com especial atenção para os graves problemas sociais que trazem tanto sofrimento para o nosso povo. Estes são aspectos fundamentais da vida e da missão da Igreja que não podem ser descuidados; ao contrário, necessitam ser revalorizados e propostos para o conjunto da Igreja e não somente para as CEBs.

As Comunidades Eclesiais de Base querem a partir do estudo dos desafios do mundo urbano ter um novo olhar sobre a evangelização. O que este debate pode oferecer para as ações evangelizadoras que já acontecem no Brasil?

Os frutos do 14º Interceclesial com certeza serão muitos, sobretudo ajudando a pensar melhor a presença e a missão da Igreja na cidade, nos centros urbanos e periferias. O Intereclesial está mostrando a importância de buscar juntos as respostas pastorais para os desafios urbanos. A própria “comunidade eclesial de base” já é grande resposta, enquanto espaço de vivência da e da fraternidade. A valorização da dimensão comunitária da fé, com a formação de pequenas comunidades, está justamente entre as urgências da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, propostas pelas atuais Diretrizes da CNBB. Nas paróquias, necessitamos criar ou dinamizar os espaços de participação e comunhão, especialmente neste Ano do Laicato, formando comunidades.

Como o senhor avalia a presença da CEBs hoje na Igreja e sua contribuição na evangelização frente ao crescimento de outros “carismas” pouco sensíveis à realidade do mundo?

O Intereclesial mostra a atualidade e a vitalidade das CEBs na vida da Igreja. Nas diversas regiões do Brasil, elas continuam a contribuir muito para que os cristãos sejam “sal da terra” e “luz do mundo”, evangelizando pelo testemunho de vida comunitária e pela presença nos diversos ambientes urbanos, especialmente entre os mais pobres. As dimensões comunitária e social da fé não se restringem às CEBs; fazem parte da natureza mesma da fé cristã e do anúncio do Evangelho. A fé não pode ficar restrita ao interior dos templos, nem privatizada no coração. A “Igreja em saída”, tão enfatizada pelo Papa Francisco, não está voltada para si mesma; quer contribuir para a superação das situações de exclusão e violência. A escuta do clamor dos pobres e sofredores, na liturgia e na ação pastoral, testemunhada pelas CEBs, interpela o conjunto das pastorais e movimentos, sendo dom e tarefa para todos.

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