“A Amoris laetitia é uma obra-prima e é magistério”, afirma novo presidente dos bispos italianos, Dom Bassetti

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27 Maio 2017

A exortação apostólica do Papa Francisco sobre a família, Amoris laetitia, “é uma obra-prima”, “não é um documento opinável” e é “magistério”: foi o que disse o cardeal Gualtiero Bassetti na primeira coletiva de imprensa, em Roma, como novo presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 25-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Essa foi a ocasião para que o arcebispo de Perugia abordasse os mais diversos temas de atualidade, da relação com o Movimento Cinque Stelle, de Beppe Grillo, à situação das populações atingidas pelo terremoto, da necessidade de acolher os refugiados à pedofilia do clero, do fim da vida ao Family Day.

E para reiterar que ser um “improvisador”, como disse ele comentando a sua própria eleição, “não significa fazer as coisas sem pensar”, mas, no rastro do Papa Francisco, é “o contrário de calculador”.

A Amoris laetitia, contestada por alguns cardeais que, sobre o capítulo 8 e o tema dos divorciados em segunda união, levantaram publicamente as suas dúvidas (dubia, em latim), “é uma obra-prima”, disse Bassetti, encontrando-se com a imprensa, ao lado da Sala do Sínodo, onde ocorreu, de segunda a quinta-feira, a assembleia geral da CEI.

“É uma síntese da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família”, mas “uma passagem deve ser entendida, porque, caso contrário, pode levantar dúvidas”, ou seja, o fato de que “nem toda situação irregular é pecado mortal”, como, aliás, já estabelece o Catecismo da Igreja Católica. “O que o papa pede? O papa não fala de admissão aos sacramentos, ele fala de discernimento, verificar qual é a situação real do casal, iniciar um caminho, até mesmo penitencial, se necessário, e depois ver como estão as coisas. Quem vai fazer observações se equivoca: não é um documento opinável. É magistério, como os documentos do Concílio Vaticano II, os documentos de Pio XII ou de Paulo VI. E o papa diz: leiam e entendam.”

Na coletiva de imprensa, que, como brincou o porta-voz da CEI, Pe. Ivan Maffeis, era um pouco “o primeiro dia de aula” para o cardeal, antes de abordar as perguntas dos jornalistas, Bassetti voltou brevemente para as primeiras palavras proferidas depois da notícia da sua nomeação. “Eu sou um improvisador porque não sou calculador”, disse, explicando ter se acostumado a agir “mais impulsionado pelo instinto do coração do que pelas razões do intelecto, a me jogar”, o que não significa que “eu faça coisas sem pensar”, mas que, evangelicamente, ele segue a indicação do Senhor que “recomenda captar os sinais dos tempos”. Quanto ao “crepúsculo da vida”, no qual o papa o chamou a guiar a CEI, “o pôr do sol é uma coisa muito bonita”, disse, e “prepara um novo dia”.

Bassetti, 75 anos, disse ter partido para Roma “confiando – brincou - na minha jovem idade”, ter acolhido a sua eleição na terna na primeira votação e a subsequente escolha do papa com “consternação” e que, depois, foi animado pelo afeto dos bispos e do pontífice.

Seguindo as indicações do papa, em particular aquelas contidas da meditação que Francisco confiou aos bispos antes de um debate a portas fechadas, na noite de segunda-feira, Bassetti pretende apontar para uma “conversão pastoral” da Igreja, que encontra uma bússola na expressão “hospital de campanha” utilizada pelo próprio papa e preconizada 60 anos atrás por uma expressão similar usada pelo Pe. Primo Mazzolari, a Igreja como “ambulância” que socorre os feridos. Pe. Mazzolari que, assim como o Pe. Lorenzo Milani, o Pe. Giuseppe Dossetti e Giorgio La Pira, foram indicados como exemplos e pontos de referência pelo neopresidente da CEI.

Bassetti abordou diversas questões de atualidade, tanto política quanto eclesial, durante a coletiva de imprensa. Os abusos sexuais de menores, que ocorrem “também na família”, são “uma situação preocupante”, disse, mas “não vamos começar do zero”.

“A minha avó, que era analfabeta, dizia: as crianças, não se tocam, são sagradas”, ressaltou Bassetti, mas a Igreja “fez e está fazendo muito” na linha com “as diretrizes da Santa Sé”: se, depois, há “alguma fissura, não é culpa de ninguém, mas o importante é que nós, bispos, estejamos vigilantes e atentos”.

O cardeal Bassetti deixou ao subsecretário da CEI a explicação sobre a queda, de 1.018.842 euros para 986.070 registrada de 2016 a 2017 em relação aos valores derivados do “oito por mil” para a Igreja [norma pela qual o Estado italiano reparte 8‰ de todo o imposto de renda entre as diversas confissões religiosas]. “Na escola eu ia bem em todas as matérias, exceto em matemática.”

Para aqueles que se perguntavam qual posição a CEI terá em relação ao movimento Cinque Stelle, “a Igreja pós-conciliar dialoga com todos”, mas uma coisa, explicou, é a política com “p” minúsculo, que diz respeito aos partidos, que a Igreja respeita, outra coisa é “aquela com o ‘P’ maiúsculo, que pensa no bem comum, no bem de todos. Como Igreja, continuaremos nos empenhando até o fim nesse aspecto da política”.

Em relação aos refugiados, “o discurso é complexo”, disse Bassetti, mas a Igreja, coerentemente com o relato bíblico, “sempre acolheu os necessitados. Quem é refugiado deve ser acolhido. Eu entendo que a Itália faz parte de um contexto mais amplo que se chama Europa, e que a Europa faz parte de um contexto mais amplo que se chama mundo, e que, sozinhos, somos impotentes”, afirmou Bassetti, focando-se, em particular, no projeto da CEI Liberi di partire, liberi di restare: “Há o compromisso da Igreja no acolhimento, mas também no respeito das regras necessárias”, disse o arcebispo de Perugia, sublinhando que, “nestes dias, assistimos a cenas que os nossos olhos nunca teriam visto, o Mediterrâneo se transformar em um imenso túmulo de irmãos nossos”.

Quanto à reconstrução pós-terremoto, é preciso “acelerar o máximo possível as intervenções, não tanto pela reconstrução, que é complexa, mas para garantir uma moradia às pessoas”, garantindo também espaços para a religiosidade coletiva, disse Bassetti. E ainda sobre o trabalho: “Olhamos para os jovens com o coração de pastores, e a primeira preocupação é que ninguém roube a esperança dos jovens”.

A quem pedia um comentário sobre a lei sobre o fim da vida e, em geral, sobre os “valores inegociáveis”, Bassetti disse que as pessoas em estado de doença terminal merecem “amizade, proximidade, afeto”, e, “se uma pessoa entende que é um valor para os outros, é mais difícil tirar a própria vida, que é sempre um ato extremo e não devido”. Quanto à legislação, “ela deveria levar mais em conta o parecer médico”.

Bassetti não respondeu diretamente a quem pedia uma avaliação do Family Day passado e do próximo, marcado para o fim do ano, observando, porém, que “a Igreja é muito clara, continua propondo a sua doutrina, mas entra em diálogo com o mundo de hoje: eu não tenho medo do diálogo, mas do diletantismo, porque – explicou –, para dialogar, é preciso ser sólido nos próprios princípios”.

Entre as decisões tomadas pela assembleia da CEI que se concluiu com a coletiva de imprensa do cardeal Bassetti, o novo diretor-geral da Fundação Migrantes, que sucede ao novo bispo de Ferrara, Giancarlo Perego, é o Pe. Gianni de Robertis, da diocese de Bari.

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