A paixão do Cântico dos Cânticos na leitura de Benigni. Artigo de Enzo Bianchi

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21 Fevereiro 2020

Os italianos não são assíduos leitores da Bíblia, que talvez esteja nas suas bibliotecas sem ser lida. No entanto, basta que ela seja citada por quem sabe torná-la eloquente para que ela atraia e desperte muitos ouvintes, imediatamente entusiasmados. Foi o que Benigni fez no Festival de Sanremo com o Cântico dos Cânticos.

O comentário é do monge italiano Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado em La Repubblica, 08-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É um pequeno livro enigmático, atribuído ao sábio rei Salomão, mas que, na realidade, é um poema do qual não conhecemos o autor, um conjunto de “fragmentos de um discurso amoroso”, um texto antigo de pelo menos 24 séculos.

Os rabinos, no fim do século I depois de Cristo, após animadas discussões, colocaram-no entre as Sagradas Escrituras, julgando-o como um texto que contém a Palavra de Deus, apesar de parecer para alguns como um poema de amor profano, mais adequado para as tavernas do que para as sinagogas.

Portanto, o Cântico é o texto em que Deus está presente mais do que em qualquer outro lugar, e, por isso, os judeus e os cristãos sempre o leram nas liturgias e o comentaram com interpretações tipológicas e alegóricas. Os protagonistas do Cântico, amante e amada, portanto, são Deus e o seu povo, Cristo e a Igreja, Deus e a alma do fiel.

Desde o século passado, a interpretação dominante nas Igrejas cristãs lê o Cântico como um hino ao amor humano, sensual, erótico de dois jovens amantes que, em um nível de igual dignidade, se encontram para celebrar a beleza dos seus corpos, a glória dos seus sentimentos, o mistério do seu encontro sexual.

Sim, é o amor humano, o único amor do qual nós, humanos, somos capazes, que é falado, cantado, celebrado, vivido e contado nesse extraordinário livreto que, na conclusão, chega ao pedido: as carícias, os beijos, os abraços, o sexo, a forma dos corpos, o contínuo ressoar do “tu” e do “eu” são evocados no Cântico a fim de passar da pulsão sexual ao desejo erótico. Quem sabe ler o Cântico conhece a autêntica ars amandi como humanização, como arte rara, verdadeiro antídoto contra a pornografia.

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