''O silêncio de Roberto Benigni está na Bíblia.'' Entrevista com Bruno Forte

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18 Dezembro 2014

"Fiquei muito impressionado com aquele silêncio, quando [o ator Roberto] Benigni [no monólogo I Dieci Comandamenti, apresentado no canal italiano Rai1] pediu para fazer silêncio. Deus não está no vento, no terremoto ou no fogo, lê-se no relato da experiência de Elias no Monte Horeb, no capítulo 19 do Primeiro Livro dos Reis, mas Deus se aproxima naquilo que normalmente é traduzido como 'sussuro de brisa suave'. No texto hebraico da Bíblia, a expressão, na realidade, é qol demamah daqqah, que literalmente significa 'voz de silêncio sutil'. Vê-se que Benigni fez uma escavação exegética. Aquele convite ao silêncio é um sinal de como ele abordou com seriedade o texto do Êxodo."

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 17-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O arcebispo Bruno Forte, escolhido pelo papa como secretário especial do Sínodo sobre a família e confirmado por Francisco também para o próximo, é um dos maiores teólogos contemporâneos: por exemplo, é o único estudioso não de língua alemão a ter recebido o "prêmio de teologia à carreira" em Salzburg, espécie de Nobel da disciplina. Ele também foi um dos mais de nove milhões de pessoas que acompanharam na Rai1 a primeira noite do espetáculo sobre os Dez Mandamentos.

Eis a entrevista.

Que impressão o senhor teve, excelência?

Muito positiva. O grande risco, ao falar dos mandamentos, era de cair, de um lado, no moralismo e, de outro, na banalidade. E, em vez disso, com estilo e simpatia, Benigni conseguiu transmitir conteúdos altos e dar a entender que ali é revelado o destino do homem, que naquelas palavras nós estamos em jogo. Em suma, não se trata de uma lei em sentido agressivo, de uma prisão, mas, ao contrário, do pressuposto para sermos realmente livres. A Lei de Deus nos torna livres!

Mas é possível fazer um espetáculo de divulgação sem rebaixar o conteúdo do texto sagrado?

Se se evitar a superficialidade, sim. Não é fácil, mas me pareceu que Benigni conseguiu. A mensagem foi passada de maneira forte, sem tornar banal o sentido da transcendência: Moisés se encontra diante da sarça ardente, e ali está Deus que fala ao homem e, assim, revela o homem ao homem, diz as condições para realizar em plenitude a nossa humanidade. Uma mensagem que eu acredito que chegou a todos, crentes e não crentes, e isso é muito importante.

E por que são importantes esses dez segundos de silêncio?

Porque trouxeram à tona que Deus nos falou mesmo na ausência de palavras. A Bíblia não é apenas um livro da palavra de Deus, mas também do Seu silêncio. André Neher, em O exílio da Palavra, mostrou que a Bíblia é o livro em que Deus fala inúmeras vezes no silêncio, com a simples eloquência da proximidade, com a sua proximidade ao homem.

Houve quem observasse que Benigni fazia rir menos...

Eu distinguiria entre a comicidade que tenta arrancar uma risada a todo custo sem ir além, e o sorriso ou o riso que nascem de simpatia, justamente no sentido do "sentir com", da proximidade. A Bíblia também é o livro do sorriso e do riso de Deus. O nome Isaac significa literalmente "Deus sorri". É uma constante do texto bíblico. O sorriso que nasce quando não se está nem embaixo demais, confundido com o mundo, nem alto demais, em uma distância remota, mas quando se permanece ao lado: o Deus bíblico é isso, um Deus próximo, transcendente e protagonista da história, Filho eterno e Verbo feito carne. A mensagem mais bela da Bíblia é que ela nos mostra esse Deus próximo.

Também se evangeliza assim?

Eu acho que esse espetáculo foi um canal extraordinário de evangelização. Mostrou o rosto do Deus bíblico como amigo próximo, amável, confiável: e isso é evangelização. Evangelizar não pode ser apenas a obra dos técnicos ou dos "profissionais", mas de qualquer um que leve a sério o compromisso de Deus com o homem.

O que o senhor diria para aqueles que têm saudade do Benigni irreverente?

Com o tempo, por graça de Deus, todos amadurecemos e podemos crescer em profundidade e verdadeira humanidade!

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