Francisco no 40º aniversário da III conferência geral dos Bispos da América Latina. O pilar de Puebla

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • A fé do Brasil dividido

    LER MAIS
  • Núcleo de pesquisa da USP publica nota sobre criacionismo defendido por novo Presidente da CAPES

    LER MAIS
  • Com Francisco ou fora da Igreja. O duro desabafo do presidente da CEI

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

04 Outubro 2019

Um passo fundamental no caminho da Igreja Latino-Americana em direção à sua maturidade.

"Puebla lançou fundações muito sérias para seguir em frente" sobre a "evangelização das culturas" e representou "um passo à frente no caminho da Igreja da América Latina em direção à sua maturidade". Assim, o Pontífice recordou a III Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada na cidade mexicana em 1979. Francisco falou a esse respeito na manhã desta quinta-feira, 3 de outubro, durante a audiência com os participantes do congresso organizado em Roma, pela Pontifícia Comissão para América Latina, junto com o Pontifício Comitê de Ciências Históricas, por ocasião do quadragésimo aniversário do histórico encontro.

O discurso do Papa Francisco é publicado por Sala de Imprensa do Vaticano, 03-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Segundo o Papa Francisco, "pode-se dizer que Puebla lançou as bases e abriu caminhos para Aparecida. É curioso que de Puebla pula-se para Aparecida. No entanto, Santo Domingo, que tem seus méritos, ficou ali. Porque Santo Domingo foi muito condicionada pelos compromissos. E o santo bispo de Mariana, que foi o redator de lá, teve que negociar com todos para garantir sua realização".

Eis a mensagem.

Irmãos e irmãs, sejam bem-vindos.

Agradeço ao Reverendo Padre Bernard Ardura, Presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, por suas gentis palavras - vendo-o assim parece o vice-papa - e felicito-me com o Comitê e a Pontifícia Comissão para a América Latina por terem desejado comemorar, com o Congresso que agora está se realizando em Roma, os 40 anos da III Conferência Geral dos Bispos da América Latina em Puebla de los Angeles.

Fico satisfeito por poder encontrar, ainda que brevemente, os relatores e organizadores deste evento. Garanto-lhe que gostaria de ter mais tempo e compartilhar tantas vivências e experiências com vocês.

Se me permitirem algumas lembranças pessoais, naquele tempo eu era Provincial da Companhia de Jesus na Argentina e acompanhei com muita atenção e interesse todo o intenso e apaixonante processo de preparação daquela III Conferência. Destaquei três fatos importantes que sem dúvida direcionaram o evento.

O primeiro, foi a decisão de São João Paulo II de realizar sua primeira viagem apostólica ao México e pronunciar o discurso inaugural da Conferência, que indicou com clareza os caminhos para o seu desenvolvimento. Foi como a inauguração de seu longo, itinerante e fecundo pontificado missionário.

O segundo fato que me pareceu fundamental desde o início da preparação da Conferência foi tomar a Exortação apostólica Evangelii nuntiandi de São Paulo VI como pano de fundo e fonte de referência para toda a sua realização. Evangelii nuntiandi é o melhor documento pastoral do pós-concílio e hoje ainda é válido. Uma coisa pessoal: quando tive que ficar em Roma, por razões alheia à minha vontade, pedi que me trouxessem poucos livros, muito poucos, não mais que sete, e dentre eles estava o primeiro texto que tive da Evangelii nuntiandi sublinhado, Redemtoris mater de São João Paulo II, com todas as anotações que eu fiz para dar retiros espirituais, e o documento de Puebla totalmente destacado em várias cores. Isso para dizer-lhes como eu acompanhei naquele momento tudo isso.

Repeti várias vezes que, para mim, a Evangelii nuntiandi é um documento decisivo, de grande riqueza, no caminho pós-conciliar da Igreja. Não só, a Evangelii gaudium é um plágio elegante da Evangelii nuntiandi e do Documento Aparecida. Fiquem sabendo disso, saiu dali. Seguindo o seu rastro e junto com o Documento de Aparecida, veio a Exortação apostólica Evangelii gaudium.

O terceiro fato importante, foi tomar como ponto de partida as intuições e opções proféticas da Conferência de Medellín para, em Puebla, dar um passo adiante no caminho da Igreja latino-americana em direção à sua maturidade.

Eu sei que vocês estão estudando o conteúdo da conferência de Puebla em vídeos. Recordo aqui alguns dos mais significativos: a novidade de uma autoconsciência histórica da Igreja na América Latina; uma boa eclesiologia que retoma a imagem e o caminho do povo de Deus no Concílio Vaticano II; uma mariologia bem inculturada; os capítulos mais ricos e criativos sobre a evangelização da cultura e da piedade popular na América Latina - em relação à evangelização das culturas, Puebla lançou fundações muito sérias para seguir em frente -; a crítica corajosa à falta de reconhecimento dos direitos humanos e das liberdades naqueles tempos vividos na região; e as opções para os jovens, os pobres e os construtores da sociedade.

Muitos de vocês viveram isso de perto, e aqui temos "o enfant terrível" daquela época, que soube www.ihu.unisinos.br/175-noticias/noticias-2006/571106-d-luciano-narra-a-sua-vida-em-entrevista-especial-no-dia-8-10-2005profetizar e levar as coisas adiante.

Pode-se dizer que Puebla lançou as bases e abriu caminhos para Aparecida. É curioso que de Puebla pula-se para Aparecida. No entanto, Santo Domingo, que tem seus méritos, ficou ali. Porque Santo Domingo foi muito condicionada pelos compromissos. E o santo bispo de Mariana(1), que foi o redator de lá, teve que negociar com todos para garantir sua realização. Serve para alguma coisa, porque é bom, mas não tem o convite de Puebla nem de Aparecida. Claro, são os eventos alternados da história; sem diminuir a qualidade de Santo Domingo, Puebla foi um pilar e se saltou para Aparecida. Bastaria afirmar apenas isso para evidenciar a boa oportunidade de comemorar seus 40 anos, não somente olhando para trás, mas projetando-a para o nosso presente eclesial.

Por favor, continuem trabalhando nessas coisas, nesses documentos do episcopado latino-americano, que têm muito sumo, muita medula, muito sumo. E que são capazes de levar adiante as grandes riquezas da América Latina, especialmente a piedade popular. Alguns na Argentina se perguntavam por que a piedade popular é tão rica. Porque não foi clericalizada. Como os padres não se importavam, as pessoas se organizaram à sua maneira. É verdade que São Paulo VI, no número 28 de Evangelii nuntiandi, diz que algumas coisas precisam ser purificadas, mas depois de elogiar o movimento e mudar de nome. Antes era religiosidade popular, agora é a piedade popular, ele mudou o nome. Aparecida vai além e fala da espiritualidade popular. Obrigado por tudo que vocês estão fazendo. Convido-vos a orar juntos à Virgem de Guadalupe e pedir a sua bênção.

Nota de IHU On-Line:

1.- O Papa Francisco se refere a D. Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana-MG, e então presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. D. Luciano, jesuíta, nasceu no dia 05 de outubro de 1930. Sobre sua vida, pode ser lido o seu depoimento publicado em 2005, na entrevista D. Luciano narra a sua vida em entrevista especial no dia 8-10-2005. Sobre D. Luciano também pode ser lido o belo depoimento de D. Erwin Kräutler.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Francisco no 40º aniversário da III conferência geral dos Bispos da América Latina. O pilar de Puebla - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV