Vozes que desafiam. Teresa de Ávila, a feminilidade da mística transgressora

Ícone de Teresa de Ávila. Arte: Walter Wellington

Por: Cleusa Maria Andreatta, Susana Rocca, Wagner Fernandes de Azevedo | 30 Agosto 2019

Teresa de Ávila aos 21 anos opta por deixar a vida em uma família nobre, contra a vontade do pai, para optar pela radicalidade de uma vida monástica. A radicalidade não é apenas na opção social da vida em comunidade no Convento Carmelita de Encarnacíon, em Ávila, na Espanha. Em verdade, Teresa optou por confrontar os desejos materiais e carnais, aflorar em seu espírito a sua feminilidade, enfrentando qualquer submissão aos padrões patriarcais e hierárquicos, libertando-se ao seu descontrole, aprendendo, por si mesma, a dominar-se e elevar-se a Deus, o Senhor, esposo ideal, que contradizia a transcendência e o alcançava. Entendia, que ao desafiar a si, enfrentava o controle de corpos e almas. Conforme relata a jornalista Nicole Sotelo, "Teresa exortou suas companheiras a acreditarem em suas próprias capacidades de reza e acesso a Deus. 'Se alguém lhes disser que a oração é perigosa, considerem esta pessoa o verdadeiro perigo e fujam dela'".

A vida monástica de Teresa não foi ensimesmada em clausura, por isso decide sair da casa de mais de 100 monjas, para espalhar pelo território espanhol pequenos mosteiros. Giselle Gómez descreve a desobediência de Teresa, uma apóstola em movimento, e coletividade, com suas irmãs. "Ela sai do âmbito do privado desafiando o lugar assinalado às mulheres, visita as suas monjas, acompanha-as, forma-as... Seu estilo de vida provoca a crítica das autoridades da Igreja, tanto que dela se diz que era 'mulher irrequieta e andarilha, desobediente e contumaz". Sua vida em caminho trazia consigo um trabalho de transformação inspirada por sua mística a fim de "que suas irmãs acreditem verdadeiramente que não estão ocas por dentro, mas que são mulheres habitadas por Deus", explica Gómez.

"Detalhe de Santa Teresa", de François Gérard, 1827.

 

Como explica Faustino Teixeira, a alma para a monja era "como um castelo feito de um só diamante, feita à imagem e semelhança do Deus misericordioso". O teólogo destaca que para ela era essencial "romper com os limites e ultrapassar a camada espessa que impede o despojamento". Esse rompimento vai para além do tema espiritual, "a ousadia feminina de Teresa, avançando em reflexões místicas de impressionante alcance — numa sociedade dominada pela presença de homens, de letrados masculinos, instauradores da ordenação da vida religiosa — rompe com esse esquema e instaura uma dinâmica nova, diversa, quebrando a rotina desta marca na dinâmica interpretativa da escritura".

A mística, que viveu entre os ano 1515 e 1582, deixou uma vasta produção de livros, entre os quais se destacam o Livro da Vida, As Moradas do Castelo Interior e Caminho da Perfeição, obras dedicadas ao "ensino espiritual", de complexidade e ousadia e para o período em que encerrava a Idade Média europeia, sobretudo em um país marcado pela forte perseguição da Inquisição. No entanto, a centralidade dos escritos "é o amor", como aponta Teixeira, "tudo é tão simples". "Teresa oferece um caminho acessível, mas essencial: o amor a Deus e o amor ao próximo".

O Êxtase de Santa Teresa. Escultura de Lorenzo Bernini, em Santa Maria della Vittoria, na Via XX Settembre em Roma

 

É o amor e o êxtase pelo Outro que faz de Teresa uma amante insaciável. A psicanalista Julia Kristeva aponta "a travessia de Teresa – ou melhor, uma decomposição – da sua identidade intelectual-físico-mental dentro e através da transferência amorosa com o Ser Completamente Outro". Uma imersão espiritual, tatível, de encontro, de composição única, "uma metamorfose mortal e orgásmica, que remedia a melancolia da sua dor de mulher separada, abandonada e inconsolável, Teresa se apropria do Ser Outro em um contato infracognitivo, psicossomático, que a leva a uma regressão perigosa e deliciosa, acompanhada por um prazer masoquista", expressa a psicanalista.

A ousadia da monja a ressignificou também como mulher. Como argumenta Lúcia Pedroso Pádua, a mística pode ter três aspectos: "experiência mesma (experiência mística), o sujeito da experiência (o místico) e os escritos místicos (a mística). A feminilidade de Teresa se expressa em todos esses aspectos". Ao viver a experiência mística de ser com Deus, expressa a sua relacionalidade, a constante procura e encontro do Outro, para a teóloga "as relações tornam-se cada vez mais fortes em amor e desejo, ao mesmo tempo, mais livres e gratuitas, mais críticas e discernidas. Esse é um traço marcante da experiência mística de Teresa como mulher".

Como a mística Teresa, sujeito da experiência, "adquiriu apuradíssima autoconsciência de seu ser mulher. Rejeitou os estreitos papéis preestabelecidos e ultrapassou vários limites impostos culturalmente às mulheres", adiciona Pádua, "Teresa foi refeita como mulher". 

O terceiro aspecto, referente à escrita e à linguagem de Teresa, demonstra a multiplicidade de alguém que se esvai e rompe os padrões, sendo aquilo que se propõe a cada momento e possibilidade. "Como mulher, sua linguagem é pluridimensional. Isenta da impessoalidade e rigores escolásticos. Teresa é muito livre em suas comparações e os símbolos são metamorfoseados segundo o objetivo pedagógico ou o sentir da autora", explica Lúcia Pedroso Pádua.

"Nada te perturbes", melodia de Ir. Miriam Kölling, sob poesia de Teresa de Ávila


O rosto de Teresa de Ávila na escultura de Lorenzo Bernini

A ousadia de Teresa pode ser compreendida na descrição de Faustino Teixeira, ao relatar que "a experiência espiritual de Teresa vem sempre pontuada por essa intensidade do desejo, pelos toques da corporalidade [...] Num quadro masculino e repressivo, insere em sua pluma uma nota diversa, marcada por sensualidade única, desafiando todo pudor. O seu vocabulário vem carregado de expressões sensuais, sinalizando a centralidade do corpo como espaço da realização dos favores divinos". Luciana Barbosa, doutora em Ciências da Religião, enfatiza que "ela não recusa seu corpo nem seus prazeres corporais. Ao contrário, os assume ao Senhor. Se o corpo pode passar por tais momentos de prazer, só o faz porque Deus o permite: 'E quer o Senhor algumas vezes, como digo, que goze o corpo, pois obedece o que quer a alma'”. 

De forma sintática, de como a monja transgrediu as normas e padrões, atrevendo-se a um encontro impossível, de realização do desejo corporal de uma mulher no Ser Divino, Kristeva explica, "a transcendência, para Teresa, se revela como imanente: o Senhor não está além dela, mas nela!".

Sobre aquelas palavras: Meu Amado é meu e eu sou dele

,Já toda me entreguei e dei
,e de tal modo hei mudado
,que é meu amado para mim
.e eu sou para meu amado

,Quando o doce caçador
,me acertou e deixou rendida
,nos braços do amor
.minha alma ficou abatida

,E cobrando nova vida
,de tal jeito hei mudado
,que é meu amado para mim
.e eu sou para meu amado

,Feriu-me com uma flecha
,empeçonhada de amor
,e minha alma ficou feita
.uma com seu Criador

,já não quero outro amor
,pois a meu Deus tenho-me dado
,e meu amado é para mim
.e eu sou para meu amado

(Teresa de Ávila)

 

A série Vozes que Desafiam. Mulheres na Igreja produzida pela equipe de Teologia Pública do Instituto Humanitas Unisinos tem como objetivo recuperar e visibilizar figuras de mulheres e contribuir no reconhecimento do lugar delas na vida da Igreja. Abaixo compartilhamos revistas, entrevistas e artigos publicados pelo IHU que retomam a mística e a espiritualidade feminina de Teresa de Ávila, canonizada pelo papa Gregório XV em 1622 e declarada oficialmente doutora da Igreja por Paulo VI em 1970.

 

''Mãe da psicologia''? Subjetividade, liberdade e autonomia em Teresa de Jesus. Entrevista especial com Lúcia Pedrosa-Pádua

“Uma escritora moderna e humanista” que “não teme a liberdade e a autonomia”, mas, ao contrário, reconhece que “estas estão intrinsecamente relacionadas ao amor”: é assim que Lúcia Pedrosa-Pádua, professora de Teologia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio, relata a pessoa de Teresa de Jesus (1515-1582), santa religiosa e escritora espanhola proclamada Doutora da Igreja pelo papa Paulo VI.

Para Lúcia, a subjetividade construída por Teresa é “integral e relacional”, manifestando-se já a partir do seu Livro da Vida, escrito em primeira pessoa. “Na conclusão do Castelo Interior aconselhará suas irmãs, nem mais nem menos, a entrar e passear em seus castelos interiores em qualquer hora, pois para isso não é necessária a licença das superioras! Teresa não teme a liberdade e a autonomia, ao contrário, estas estão intrinsecamente relacionadas ao amor”, explica.

Por isso, devido à “filigrana de suas narrativas interiores”, alguns a definem como a “mãe da psicologia”. “Teresa nos lembra como é importante manter a integralidade e a relacionalidade da subjetividade. Trata-se de uma subjetividade amorosa, audaz e livre”, comenta Lúcia.

Lúcia Pedrosa-Pádua é doutora em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC RIO e professora na mesma instituição.

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Teresa de Ávila. A poesia das carícias. Entrevista especial com Luciana Barbosa

Mística e poesia possuem uma proximidade inegável. Ambas tratam de um tipo de mistério, buscam o inefável e o Absoluto ou, nas palavras da pesquisadora Luciana Ignachiti Barbosa, expressam “o que está mais recôndito nos sentimentos e pensamentos do homem”, atravessando de mãos dadas os limites da lógica e da razão. Neste sentido, ainda que não se considere apropriadamente uma escritora, a poesia é ponto chave na obra de Teresa de Ávila.

Barbosa, que estuda a poética na obra da santa católica, afirma que é possível distinguir dois tipos de inspiração em sua obra: a de dimensão humana — da ordem da alegria, da festa, da paródia — e a de dimensão divina. Nesta última, Teresa narra suas situações de profundo encontro de amor com Deus, vivenciado em êxtases sublimes, e “narra em suas poesias a experiência de transformar essa realidade humana em divina e a divina que deseja estar mais próxima da humana”.

Os êxtases de Teresa são famosos em sua biografia, evocando imagens que beiram o erotismo — como na escultura de Bernini, em que a Santa é representada de modo provocativo, ao ser transpassada pela flecha de fogo de um anjo. Estas experiências inspiravam seus escritos que, por vezes, foram tidos como obra do demônio, e não de Deus, especialmente na era da Inquisição. É a mística das carícias, onde o derradeiro matrimônio espiritual é feito com Deus.

Mesmo hoje, o sacral e o sexual, o religioso e o afetivo parecem excluir-se mutuamente. “Teresa nunca teve vergonha de dizer o seu amor com expressões humanas, pois já afirmara mais de uma vez que ‘um só é o amor’”, relata a estudiosa. Teresa não recusa seu corpo nem seus prazeres corporais. Ao contrário, os assume ao Senhor. “Que goze o corpo, pois obedece ao que quer a alma”.

Luciana Ignachiti Barbosa possui doutorado em Ciências da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora.

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A feminilidade da mística em Teresa d’Ávila. Entrevista com Faustino Teixeira

Em 2015 celebraram-se os 500 anos de nascimento de Teresa d’Ávila. A religiosa que viveu na Idade Média é reconhecida como doutora da Igreja pela sua experiência de busca por Deus. Mas o que a difere em sua mística? Teresa inaugura um pensamento humano acerca da busca por um Deus, numa jornada que busca esse Deus dentro de si e nos outros. E além de assumir a condição humana, a religiosa assume toda a sua feminilidade que deixa transbordar sua visceral experiência mística. “A ousadia feminina de Teresa, avançando em reflexões místicas de impressionante alcance”, destaca o professor Faustino Teixeira. “Isto numa sociedade dominada pela presença de homens, de letrados masculinos, instauradores da ordenação da vida religiosa. Teresa rompe com esse esquema e instaura uma dinâmica nova, diversa, quebrando a rotina desta marca na dinâmica interpretativa da escritura. A novidade está no ‘ato feminino de falar’, com astúcia e sabedoria”, completa.

Faustino destaca dois traços essenciais da mística teresiana: “Em primeiro lugar, o protagonismo de Deus. Para Teresa é sempre Deus que convoca e abre a relação do ser humano com ele, é sempre o sujeito nesse processo de abertura, que se irradia na relação com os outros. O outro traço é a centralidade do amor. Por todo o tempo, no processo de afirmação da vida espiritual, Teresa lembra desse primado”, aponta. Traços que podem dizer muito à atualidade. Para o professor, hoje, as celebrações são oportunidades de revisitar a obra de Teresa, ancorado nas crises atuais. “Vivemos sob o domínio da produtividade, da busca desenfreada pelo sucesso, escravos das leis do mercado. Os grandes místicos, como Teresa, destacam a importância de um outro ritmo para a vida, de cuidado com o mundo interior, de quietação dos sentidos, de atenção aos toques do silêncio”.

Faustino Teixeira é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora – PPCIR-UFJF e pós-doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

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Teresa d'Ávila, a modernidade de uma mística. Entrevista com Julia Kristeva

"Eu encontrei Teresa – conta Julia Kristeva – a pedido de um editor: passei cerca de 10 anos com a monja espanhola extravagante, da qual eu recém-tinha ouvido falar, que se tornou para mim uma figura indispensável da cultura europeia. Fico feliz por ter encontrado, graças a ela, aquele impulso barroco que transformou o catolicismo medieval e abriu as portas para o humanismo do Iluminismo."

"E se a feminilidade de Teresa fosse pós-moderna? Essa santa barroca é de uma sensualidade hiperbólica, mas também sublimada, sem precedentes e única entre as próprias místicas, levadas (mulheres e homens) mais ao sofrimento e ao puro abandono do que à plenitude dos sentidos. Mas Teresa também é 'a mais viril das monjas' (Huysmans): ou seja, de uma bissexualidade psíquica – para retomar a terminologia freudiana – quase reivindicada, exigente."


Livro de Julia Kristeva, Thérèse mon amour. Saite Thérèse d'Avila (Paris: Fayard, 2008)

Julia Kristeva é filósofa e psicanalista búlgaro-francesa. Entre os seus livros citamos Thérèse mon amour. Saite Thérèse d'Avila (Paris: Fayard, 2008)

 

Teresa d'Ávila: a santa que queria dar um xeque-mate no Senhor. Artigo de Julia Kristeva

A transcendência, segundo Teresa, se revela como imanente: o Senhor não está além dela, mas nela! O suficiente para atrair sobre ela todos os problemas que se pode imaginar com a Inquisição, os confessores e os editores que atenuaram essa pretensão.


Livro de Julia Kristeva sobre Teresa de Ávila (Editora Donzelle, versão italiana, 2008)

Aos olhos dos incrédulos do terceiro milênio, como nós, Teresa descreve uma travessia – ou melhor, uma decomposição – da sua identidade intelectual-físico-mental dentro e através da transferência amorosa com o Ser Completamente Outro: Deus, figura paterna dos nossos sonhos infantis, inalcançável Esposo do Cântico dos Cânticos. Através dessa metamorfose mortal e orgásmica, que remedia a melancolia da sua dor de mulher separada, abandonada e inconsolável, Teresa se apropria do Ser Outro em um contato infracognitivo, psicossomático, que a leva a uma regressão perigosa e deliciosa, acompanhada por um prazer masoquista. Não é a retórica que nos ajuda a lê-la, mas sim essa fulgurante revelação do Aristóteles de Sobre a alma e da Metafísica, que, entre todos os sentidos, considera o tato como o mais fundamental e mais universal.

Se, com efeito, todo corpo animado é um corpo tátil, o sentido do tato que caracteriza o ser vivo é tal que "aquilo com que eu entro em contato entra em contato comigo". Desde o primeiro instante, e através da imagem da água, Teresa, que se vê banhada pelo Outro, oculta a mediação e se imagina imersa no seu Esposo, assim como ele está nela.

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Santa Teresa e a revolução espiritual feminina. Entrevista com Giselle Gómez

Teresa de Ávila viveu a ousadia de ir além dos espaços assinalados às mulheres, atrevendo-se a converter-se em mestra de espiritualidade.” É dessa Santa Teresa que Giselle Gómez fala em entrevista concedida à IHU On-Line. Giselle revela a face revolucionária da mística, que subverte toda a lógica hierárquica — seja dentro ou fora da igreja — de uma época. Porém, traz à tona ainda a Teresa feminista. É ela quem revela que do lugar da mulher também se pode alcançar Deus. Que Ele está presente desde a divina vocação da mulher de gerar a prole até as tarefas menos nobres que lhe cabem, como limpar o chão que os varões e toda a família pisam.

A entrevista ainda ilumina um conceito de mística para facilitar o entendimento dessa relação da história de vida de Teresa. “A mística é uma experiência que ultrapassa a lógica do fenômeno porque está intimamente relacionada com a lentidão do tempo. O fenômeno é algo rápido, se dá como de repente; a experiência faz parte de um tempo lento e cotidiano”, explica a entrevistada. “Posso afirmar que pronunciar a palavra ‘mulher’ com consciência profunda de nossa própria identidade supõe uma aprendizagem unida ao processo de passar da dependência à liberdade, que se constrói através da superação de condicionamentos psicológicos, sociais, culturais e religiosos. Teresa viveu este processo”, complementa.

Por fim, a história que apresenta fala de uma militante que não se restringe a ensinar que a mulher tem um lugar de adoração e que podem sim alcançar o que os homens buscam. Giselle ainda mexe no sentimento dos varões, mostrando que todos — de todos os gêneros — precisam viver um pouco da mística de Teresa de Ávila. “A pessoa é chamada a viver este mesmo processo de transformação e identificação com Cristo, que supõe mudanças radicais e que implica passar da morte à vida, até chegar a perceber tudo o que acontece ao modo de Deus”, sustenta.

Giselle Gómez é integrante Companhia de Santa Teresa de Jesus. Nasceu na Nicarágua e estudou Psicologia e Teologia.

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A verdadeira Teresa de Ávila: feminina e marrana. Artigo de Donatella Di Cesare

A mão corria rápida sobre as folhas, hora após hora, sem nenhum senso de tempo. Durante as infindáveis tardes de verão, durante as longas noites de inverno, quando poderia ser presa da melancolia, espectro sinistro do mosteiro, ela estava lá, no chão, sentada sobre uma esteira, encostada no peitoril de pedra sob a janela. Meditava, recordava, escrevia. Não que no resto do dia se subtraísse às inúmeras tarefas - buscar água no poço, cuidar da porta, fiar, tecer, cozinhar, bordar – tarefas a que todas as irmãs eram obrigadas, se não quisessem perder aquela independência tão dolorosamente conquistada. Na aldeia, havia rumores de que "certas mulheres, freiras carmelitas, haviam ocupado ilegalmente uma casa". Alguém até havia ameaçado assaltar o convento; aquela novidade era escandalosa.

Donatella Di Cesare é professora da Universidade de Roma "La Sapienza".

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Guia de sobrevivência de Santa Teresa de Ávila para as mulheres católicas. Artigo de Nicole Sotelo

Teresa de Ávila testemunhou o sofrimento feminino numa Igreja que não valorizava os seus dons, então pôs-se a realizar mudanças. Como parte de suas reformas, escreveu um manual de oração ou, como eu gosto de pensar, um guia de sobrevivência feminista do século XVI", escreve Nicole Sotelo.

Segundo ela, "Teresa exorta suas companheiras a acreditarem em suas próprias capacidades de reza e acesso a Deus. “Se alguém lhes dizer que a oração é perigosa, considerem esta pessoa o verdadeiro perigo e fujam dele”.

"A transformação da Igreja numa instituição onde verdadeiramente se valorizam as mulheres, no entanto, não está finalizada ainda - conclui Nicole Sotelo. Quando o papa considera as mulheres “a cereja do bolo” e quando as católicas ainda carecem de plena igualdade, é útil voltarmo-nos novamente para Teresa de Ávila, a santa do século XVI que conhecida o valor das mulheres e que escreveu um guia poderoso para a prática de oração delas. A escrita de Teresa falou ao coração das mulheres a quase cinco séculos atrás. E ainda fala hoje"

Nicole Sotelo é jornalista graduada pela Harvard Divinity School e trabalha para diversos meios de comunicação católica. Também é coordenadora do site womenhealing.com.

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A mística nupcial. Teresa de Ávila e Thomas Merton: dois centenários. Revista IHU On-Line Nº 460

Em 2015, comemoraram-se os 500 anos do nascimento de Teresa de Ávila (1515-1582) e o centenário de Thomas Merton (1915-1968), duas grandes referências da mística cristã. Reconhecidos pela busca da interioridade e pelo amor a Deus e ao próximo, evidenciar o legado teológico de ambos os místicos, sua trajetória, sentido e atualidade de suas vivências é o que faz a edição 460 da revista IHU On-Line.

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