“O que pode a vontade política contra a fúria financeira?". Entrevista com Franco “Bifo” Berardi

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21 Agosto 2019

O filósofo italiano Franco “Bifo” Berardi (Bolonha, 1949) dedicou parte de sua carreira a cartografar o modo como os dispositivos do capitalismo tecnofinanceiro empobrecem a experiência pessoal e política. A aceleração da “infoesfera” “nos expõe a uma massa crescente de estímulos que não podemos elaborar, nem conhecer em profundidade”, sustenta.

Acaba de publicar Futurabilidad: la era de la impotencia y el horizonte de possibilidad (Caja Negra) e, via correio eletrônico, analisa as possibilidades entre a multiplicidade de futuros inscritos no presente. Uma implica a intensificação da impotência política e a ascensão de populismos reacionários. A outra, emancipar o tempo humano e de conhecimento das limitações do trabalho e do paradigma econômico.

Berardi também analisa como a tecnologia amplia o campo do possível. E é justamente aqui onde é possível ler o mais interessante que escreveu nos últimos anos. Em vez de ceder à nostalgia, e certo espírito crepuscular, apresenta um livro a respeito da futurabilidade, do devir outro inscrito no presente. Uma lembrança de que até mesmo na obscuridade atual, está latente uma multiplicidade de horizontes possíveis.

Berardi considera que a possibilidade restringida em nosso tempo é o desenvolvimento livre do conhecimento e o desenvolvimento da tecnologia, segundo os interesses da maioria da sociedade. Estas mudanças podem ocorrer graças à criação de uma plataforma técnica que possibilite a cooperação autônoma entre todos os trabalhadores cognitivos do mundo. Esta cena expressa a reconciliação do trabalho artístico com o científico-técnico.

“Quando o engenheiro interage com o artista, suas máquinas têm a intenção de ser úteis para a sociedade e reduzir o tempo de trabalho”, ressalta Berardi. Contudo, quando o engenheiro é “controlado pelo economista, seu horizonte é o crescimento econômico”. A reativação da dimensão poética da linguagem – e sua relação com a tecnologia – talvez seja a única possibilidade de reabrir o indefinido em nosso tempo.

A entrevista é de Facundo Carmona, publicada por Clarín-Revista Ñ, 16-08-2019. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Em Futurabilidad, alerta sobre os limites da governança. Quais são as características desta forma de governo?

Antes de mais nada, tentemos entender qual é a diferença entre o conceito de governo e o de governança. Governo é o efeito de uma ação voluntária que pode ser definida como política. Em todas as suas formas autoritárias e democráticas, a política moderna foi capaz de exercer um domínio racional e voluntário sobre uma parte decisiva da esfera pública, ou seja, de governá-la de maneira consciente e voluntária. A democracia foi o ponto mais alto desta manifestação da vontade como política.

Contudo, a aceleração digital do processo comunicativo e a automatização da função financeira chegaram a um ponto em que a vontade política se torna impotente. Não pode entender e nem controlar a complexidade dos infinitos intercâmbios ‘semioprodutivos’, nem impor uma ordem racional sobre os fluxos desencadeados do inconsciente coletivo.

A sociedade conectada, hiperveloz, escapa da forma moderna de governo, escapa da vontade e da racionalidade. Para impor uma ordem econômica sobre o caos ingovernável, necessitamos de uma função automática de domínio: o código tecnofinanceiro que se insere nos gânglios da comunicação social, do dinheiro, do trabalho. Isso é a governança. A governança é a automatização das decisões, a redução da escolha ao domínio de automatismos tecnolinguísticos.

Você sustenta que as possibilidades inscritas na vida social não encontram uma concatenação política. Que possibilidade de emancipação, enriquecimento e paz vislumbra?

A possibilidade de uma liberação das energias intelectuais e técnicas da sociedade do paradigma da acumulação continua existindo. Esta possibilidade se encontra inscrita no conhecimento e na criatividade de milhões de trabalhadores cognitivos dispersos no mundo, mas vinculados pela rede. Consiste na liberação do tempo de vida do vínculo com o trabalho assalariado e na reativação das energias afetivas e intelectuais a serviço da sociedade. Contudo, falta a potência subjetiva para atualizar esta possibilidade. E ninguém pode substituir esta potência subjetiva, esta solidariedade social. A política não pode conseguir isso.

Parece-me que a política não está à altura do problema atual. A política é uma técnica – ou uma arte, caso prefira – que se consolida na Modernidade, graças a condições particulares do sistema comunicacional, que se manifestam na faculdade da crítica, da razão discriminante. Estas condições se dissolveram. A razão crítica não é um estado natural da raça humana, é uma modalidade de elaboração que se tornou possível quando o sistema comunicacional (a imprensa, o livro, a formação de uma burguesia urbana) a permitiu.

A tempestade de merda que se alimenta da tecnologia em rede não permite a formação da razão crítica, não permite a democracia como atuação livre, voluntária e eficaz. Não acredito que exista uma saída política à situação atual, não há saída democrática da barbárie nacionalista. A saída – se existe – podemos encontrar na prática psicoterapêutica e na prática artística: na reativação do corpo erótico do conhecimento, no casamento do engenheiro com o poeta.

Ao ler seus livros, é possível repor a cartografia daquilo que denomina uma mutação conectiva da subjetividade. Quais são as características essenciais desta mutação?

Chamo de conjunção a relação entre corpos sensíveis e conscientes que criam sentido, que atribuem sentido à experiência. Ao passo que a conexão é o domínio da sintaxe no intercâmbio semiótico, é a inscrição ou submissão do futuro no código conectivo. A mutação conectiva da subjetividade, por um lado, está produzindo um efeito de automatização da linguagem e do comportamento, mas, por outro, produz um efeito de impotência da ação voluntária, de humilhação e desejo de vingança.

O capitalismo financeiro, em seu casamento com a técnica conectiva, aniquilou a potência da política, e a vingança dos impotentes se manifesta em forma de caos, obscurantismo, etnonacionalismo e guerra. A ação voluntária é impotente para mudar o que está inscrito no código conectivo, mas esta impotência se rebela por meio de uma destruição da própria razão. A razão evoluiu como código, então, a rebelião contra o código se torna rebelião contra a própria razão.

No livro, você defende que a produção social se conecta através da produção semiótica, e, portanto, a informação se torna central para a máquina global. Inclusive, destaca que os trabalhadores cognitivos são a única força social capaz de desmantelar e reprogramar a máquina cognitiva global. Quais são as principais características deste cognitariado?

Esta é uma pergunta que não é possível responder, porque as formas de vida daqueles que trabalham na produção semiótica são múltiplas. O cognitariado não é redutível a uma classe social, é a dimensão corpórea e psíquica do conhecimento social contemporâneo. Há uma pequena parte do cognitariado que tem boas condições trabalhistas, sociais e jurídicas, uma elite tecnocrática que se encontra em alguns lugares como o Vale do Silício. Contudo, também existe uma enorme maioria de trabalhadores cognitivos que vive em condições precárias.

Não acredito que a motivação econômica possa unificar o cognitariado em um movimento consciente. Nem que o sofrimento econômico possa ser a motivação de uma revolta ou de uma solidariedade entre os trabalhadores cognitivos. O motivo de um processo de autorreflexão, de rebelião e de união da subjetividade cognitária é o sofrimento psíquico, o mal-estar ético e existencial.

A que se refere com a necessidade de construir uma plataforma social e tecnológica que aponte para a autonomia do 'general intellect'?

Necessitamos de uma forma que permita aos trabalhadores cognitivos – os que trabalham nos escritórios do Google, nas escolas públicas, nos centros de pesquisa técnica, em laboratórios de biotecnologia, etc. – se apoderar das ferramentas técnicas e, sobretudo, ganhar autonomia econômica, autonomia para a sobrevivência. Necessitamos de afetividade social e também de uma plataforma técnica que permitam que milhares de ‘cognitários’ trabalhem de forma autônoma do capital.

O movimento hacker foi a primeira forma de auto-organização do trabalho cognitivo. O midiativismo de Seattle e de Gênova foi uma experimentação massiva desta possibilidade. Contudo, a violência financeira, junto com a violência etnonacionalista tomaram o espaço e nos levaram a uma catástrofe impensável, que hoje parece inevitável. Temos que olhar a besta nos olhos, temos que reconhecer o inevitável, ainda que seja horrível. Mas, ao mesmo tempo, temos que recordar que, geralmente, o inevitável não acontece, porque o que acontece é o imprevisível.

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