Investigação britânica sobre abuso sexual da Igreja abala núncio apostólico do Reino Unido

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20 Fevereiro 2019

Uma investigação do governo britânico sobre a crise de abusos sexuais que continua abalando a Igreja Católica concentrou-se nas ações de serviço diplomático do Vaticano — a rede de núncios ao redor do mundo.

A reportagem é de Catherine Pepinster, publicada por Religion News Service - RNS, 19-02-2019. A tradução é Luísa Flores Somavilla

Com as novas políticas criadas pelo Papa Francisco, todos os casos de abuso sexual devem ser encaminhados para o núncio apostólico — embaixador do Papa — de cada país, que, por sua vez, informa Roma.

Mas depois de conflitos entre o núncio da Grã-Bretanha e a investigação independente do governo sobre abuso sexual, há uma preocupação crescente de que os núncios estejam usando sua imunidade diplomática para ajudar a Igreja Católica a não cooperar com as investigações civis e a polícia.

A comissão foi anunciada pela primeira vez em julho de 2014 pela então Secretária de Estado para os Assuntos Internos Theresa May, hoje primeira-ministra, para investigar abusos após uma série de escândalos abalar as instituições públicas, incluindo a Igreja da Inglaterra e a Igreja Católica.

Coordenada por Alexis Jay, especialista em serviço social e professora universitária, a investigação avaliou o caso do mosteiro beneditino de Ealing Abbey, no oeste de Londres, onde um antigo abade, Laurence Soper, e um ex-deputado e professor de sua escola, David Pearce, foram presos por abuso de menores.

Depois, a pena de David Pearce, condenado em 2009, passou de oito para cinco anos após sua confissão de ter abusado de cinco meninos, cinco deles menores de 14 anos, por mais de 36 anos. Laurence Soper ficou foragido por seis anos, mas foi preso novamente e condenado de agressão contra 10 alunos em 2017. Seus crimes incluíam estupros e espancamentos sádicos. Ele foi condenado a 18 anos de prisão.

Em 2011, o então núncio do Vaticano para o Reino Unido anunciou uma visita apostólica a Ealing Abbey.

Em dezembro do ano passado, Alexis Jay pediu que o núncio atual, Arcebispo Edward Adams, desse seu depoimento a respeito do que foi descoberto na visita. A investigação também buscava saber o porquê de Laurence morar e trabalhar em Roma enquanto estava foragido. Laurence fugiu de Roma e foi encontrado em 2016, em um esconderijo em Kosovo, após um mandado de prisão da Europol.

Depois, divulgado que, no período em que a polícia estava à sua procura, Laurence Soper tinha 400.000 libras (USD $517.000) em uma conta no banco do Vaticano e que teria entrado em contato de Kosovo com o banco diversas vezes para pedir transferências para ele.

Apesar de ter tido várias oportunidades de informar o que foi descoberto sobre monges abusadores em Ealing durante a visita do núncio apostólico e sobre as informações de Roma a respeito dos fundos bancários de Laurence, Adams ainda precisa cooperar, o que irritou os advogados das vítimas.

"Não importa o poder que têm ou o cargo que consideram ocupar, ninguém está acima da lei neste país, principalmente quando a segurança de uma criança está em jogo", disse o advogado David Enright. "É uma tentativa vergonhosa da Igreja Católica de esconder provas sobre abuso infantil".

Alexis Jay, líder do IICSA, disse: "Estamos muito decepcionados com a falta de clareza do núncio apostólico e a Santa Sé".

Na lei britânica, ela pode obrigar uma testemunha a depor. Se não atender ao chamado, a testemunha pode ser processada e presa ou ser expulsa do Reino Unido. Se o núncio usar sua imunidade diplomática para evitar o chamado, pode haver conflitos com o ministério das relações exteriores.

Não seria a primeira vez que diplomatas papais entram em confronto com promotores de anfitriões a respeito de investigações de abuso infantil. Em 2013, a comissão especial de investigação de abuso sexual infantil de New South Wales, na Austrália, solicitou por diversas vezes os documentos dos arquivos do núncio da época, o arcebispo Paul Gallagher. Paul Gallagher resistiu por meses, insistindo na adoção de procedimentos adequados.

Situação parecida aconteceu na Irlanda, quando a investigação de Murphy entrou em contato diretamente com o Papa Bento XVI pedindo informações, em 2009. A Santa Sé respondeu que a abordagem direta não era aceitável.

Hoje, Paul Gallagher é ministro das relações da Secretaria de Estado, em Roma. Ele ressalta que o Vaticano tem todo o direito de se proteger, nos termos do artigo 24º da Convenção de Viena de 1961, que destaca a inviolabilidade de documentos pertencentes a uma missão diplomática.

No entanto, ele próprio abriu um precedente na Austrália ao entregar documentos à investigação, após meses de negociação. Enquanto isso, em 2014, o Comitê da ONU contra a Tortura criticou a Santa Sé por não colaborar com a investigação de casos de abuso sexual.

Como os bispos se reúnem esta semana em Roma para um reunião sobre a crise de abusos sexuais, o caso da abadia de Ealing pode vir à tona, bem como o que escondem outros documentos em nunciaturas do mundo todo. Se realmente quiser tentar resolver a situação dos abusos, Francisco pode ter de pensar como seus núncios entrariam nas reformas.

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