As cartas autógrafas com a renúncia preventiva de Paulo VI

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28 Agosto 2017

Paulo VI, pensando sobre a possibilidade de uma longa incapacitação e o risco de paralisar o governo da Igreja, tinha preparado duas cartas autógrafas de demissão. Isso foi confirmado pelo Cardeal Giovanni Battista Re, prefeito emérito da Congregação dos Bispos e decano do Colégio Cardinalício, que havia sido colaborador próximo do Papa Wojtyla. O cardeal deu uma entrevista ao quinzenal Araberara de Bérgamo. Ele explicou que “as duas cartas me foram mostradas por João Paulo II".

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 26-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em entrevista telefônica com a Stampa, o cardeal Re acrescentou: "Foram duas cartas escritas à mão, não me lembro exatamente a data, mas não foi no último período de vida do Papa Montini. Parece-me que remontavam ao final dos anos 1960 ou 1970. Paulo VI estava preocupado com uma possível incapacitação futura, algum grave impedimento que não lhe permitisse desempenhar o seu ministério - continua o prelado – e por isso decidiu tomar algumas precauções".

Aqui estamos diante de um caso histórico muito diferente da renúncia por idade ou por motivo de saúde, como aconteceu pela primeira vez na história da Igreja em fevereiro de 2013, com o gesto de Bento XVI. Desde a Idade Média, Bonifácio VIII, sucessor do demissionário Celestino V, havia racionalizado a instituição de renúncia com um decreto específico. A renúncia do Pontífice entrou, a seguir, no Código de Direito Canônico de 1917 e, no atual e vigente, datado de 1983.

A hipótese de Montini objetivava um problema diferente: o que fazer em caso do Papa ficar doente e permanecer por muito tempo inconsciente ou ser acometido por uma doença que reduzisse suas faculdades mentais? Deve-se recordar que Paulo VI, em novembro de 1967, foi submetido a uma cirurgia de próstata com anestesia geral, que não foi realizada em um hospital, mas em uma sala operatória montada especialmente nos aposentos papais: o que teria acontecido, por exemplo, se ele não tivesse se recuperado da anestesia, permanecendo em coma por um longo período? Para tentar resolver o dilema, frente à possibilidade do prolongamento da vida graças às descobertas da medicina, o Papa havia, portanto, tomado algumas precauções com duas declarações autógrafas que deveriam ser utilizadas, caso ele não estivesse mais em condições de tomar decisões (o que fez, em 2013, Bento XVI, em plena posse de suas faculdades e de sua liberdade de decisão, o que torna os dois casos não comparáveis).

A iniciativa de Montini alinhava-se às decisões dos pontificados anteriores: Pio XI tinha ponderou a possibilidade de deixar o cargo em caso de doença, enquanto Pio XII tinha preparado algo semelhante no caso de deportação pelos nazistas: "Se eu for sequestrado, eles terão o Cardeal Pacelli, não o Papa".

Em uma carta dirigida aos purpurados do Colégio dos Cardeais, Paulo VI anunciava, dessa forma, a sua renúncia. Na segunda carta, endereçada – como nos explicou o cardeal Re - ao "secretário de Estado pro tempore, ou seja, o seu principal colaborador naquele momento, sem a indicação do nome" o Pontífice encarregava-o de garantir que o Colégio dos Cardeais, aceitasse a sua renúncia.

Já não vivíamos mais na época dos Papas sequestrados ou deportados (Pio VI, em 1799, foi o último a morrer no exílio, prisioneiro de Napoleão, em Valence-sur-Rhone, mas também o seu sucessor Pio VII permaneceu durante anos à mercê de imperador francês), e também estava encerrada a era dos ditadores que ameaçavam Roma como fez Hitler. As motivações eram diferentes, ele temia adoecer e não estar mais em condições de expressar livremente sua decisão de deixar o posto.

"Preocupava-o - relatou o padre jesuíta Paolo Dezza, confessor do Papa Montini - o pensamento de uma enfermidade que o incapacitasse para o trabalho, pelo dano que poderia causar à Igreja".

As cartas deveriam estar nos arquivos da Secretaria de Estado, mas também o secretário particular do Papa Paulo VI, Pasquale Macchi, que morreu em 2006, tinha mantido uma cópia. Finalmente, é significativo que os dois textos tenham sido mostrados para o cardeal Re pelo Papa Wojtyla. João Paulo II, a partir de meados dos anos 1990, havia sido atingido pelo mal de Parkinson, e com o avanço da doença estava considerando a possibilidade de renunciar.

A existência dos dois documentos, e o fato de que o seu conteúdo foi dado ao conhecimento do então cardeal Joseph Ratzinger, também são confirmados pelo monsenhor Ettore Malnati, pároco e vigário para a cultura da diocese de Trieste, ligado por longa amizade a Dom Pasquale Macchi, o secretário particular do Papa Montini, e que muitas vezes colaborou com ele. "Lembro-me que monsenhor Macchi uma vez até me mostrou as cartas com a renúncia preventiva de Paulo VI, em caso de incapacitação – relata-nos dom Malnati - E certa vez tratou disso em minha presença também com o cardeal Joseph Ratzinger".

"Se eu não estiver equivocado com as datas - continua o prelado - era outubro de 2003, e eu estava na Praça de São Pedro com monsenhor Macchi para participar do Angelus oficiado por são João Paulo II. Naquela ocasião, o Papa anunciou a nomeação de um número substancial de novos cardeais, entre os quais havias dois lombardos, o patriarca de Veneza, Angelo Scola e o presidente da APSA Attilio Nicora. Ao nosso lado, na praça, para ouvir o anúncio do novo consistório, também estava o cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé".

"Lembro-me que, depois do Angelus, junto com monsenhor Macchi - explica Malnati – acompanhamos o Cardeal Ratzinger para sua residência na praça da Cidade Leonina. Foi durante esse trajeto que Macchi falou ao futuro Papa da decisão de Paulo VI e das cartas de renúncia que ele havia preparado em caso de doença grave e incapacitação prolongada".

O vigário para a cultura da diocese de Trieste também nos descreveu qual foi a reação do futuro do Papa: "Lembro-me que o Cardeal Ratzinger disse algo como: "Isso foi uma atitude muito sábia que todo Papa deveria tomar”. Era evidente a preocupação de Paulo VI: temia que a perda de lucidez ou alguma doença o impedisse de desempenhar adequadamente o seu ministério, e temia que a doença, uma vez contraída, pudesse impedi-lo de manifestar sua livre vontade de renunciar. As cartas, cuja existência também foi agora confirmada pelo Cardeal Giovanni Battista Re, deviam servir para evitar esse hipotético impasse. Como sabemos não foram necessárias, porque o Papa Montini permaneceu no cargo até o fim de seus dias. Não é segredo que o agravamento da doença estivesse preocupando João Paulo II e seus colaboradores mais próximos quanto à possibilidade de se aposentar, por isso já se falava a respeito em 2003. Como é do nosso conhecimento, depois, o Papa decidiu continuar".

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