Geração e gênero no mercado de trabalho. Especial do Trabalho Vale do Sinos 2003-2016

Foto: Fotos Públicas/Alan White

Por: João Batista, João Pedro, Lucas Schardong e Marilene Maia | 05 Maio 2018

 Para ouvir durante a leitura

 

Desde a sua criação, o Observatório das realidades e das políticas públicas do Vale do Rio dos Sinos - ObservaSinos tem como seu foco de atuação o mundo do trabalho e dos/as trabalhadores/as. No mês de maio, quando completa dez anos de existência, o ObservaSinos preparou uma série de ações para memorar o seu trabalho de sistematização, análise e publicização de dados sobre as realidades do Vale do Sinos e da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Uma destas ações é o Especial do Trabalho Vale do Sinos. A série histórica do ObservaSinos abordará quatro grandes temas sobre o trabalho entre os anos de 2003 e 2016, período de grande movimentação e transição econômica, política e social no Brasil. Os dados analisados são dos 14 municípios do Conselho Regional de Desenvolvimento - Corede do Vale do Rio dos Sinos, região de atuação do Observatório.

Esta publicação especial também será um subsídio para os debates no Ciclo de Palestras: Trajetórias da Política Econômica Brasileira 2003-2017, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Os temas abordados no Especial do Trabalho são:

Geração e gênero;
Escolaridade e renda;
Ocupação e perfil dos estabelecimentos;
Saúde do trabalhador;
Pessoas com Deficiência;
• Desigualdades raciais;

Confira a primeira parte do Especial do Trabalho Vale do Sinos:

Gênero

A participação das mulheres no mercado formal de trabalho do Vale do Sinos aumentou entre 2003 e 2016 . Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais - Rais, as mulheres passaram de 39,23% dos vínculos ativos em 2003 para 45,03% em 2016, enquanto os homens passaram de 60,77% em 2003 para 54,97% em 2016. Os dados mostram que houve um aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho em 5,8 pontos percentuais.

Durante este período o número absoluto de mulheres com vínculo ativo de emprego aumentou em 40,73%, passando de 113.366 em 2003 para 159.544 em 2016, enquanto os homens tiveram um aumento de 10,87%, ou seja, eram 175.645 e passaram a ser 194.735.

 

Nos anos de 2015 e 2016 as mulheres voltaram a perder espaço no mercado de trabalho, com uma queda de 0,38 pontos percentuais na participação feminina no mercado formal de trabalho da região. Foram -12.340 vínculos femininos contra -11.909 vínculos masculinos neste período. Em São Leopoldo, as mulheres eram 40,07% dos vínculos ativos em 2003, com uma trajetória de aumento da participação no mercado formal até 2010. Em 2011 houve uma contração do mercado formal que acabou atingindo mais as mulheres, ocasionando uma perda de participação no mercado de trabalho.

Em 2012, houve uma pequena recuperação no mercado formal, com aumento de 851 vínculos ativos femininos e diminuição de 720 vínculos ativos masculinos, o que aumentou a taxa de participação das mulheres em 1,32 pontos percentuais. Porém, a partir de 2014 as mulheres novamente voltaram a perder espaço no mercado formal, passando a representar 44,67% dos vínculos ativos no ano de 2016 – uma queda de 2,32 pontos percentuais na taxa de participação das mulheres em relação ao ano de 2012. Neste período de 13 anos, as mulheres aumentaram sua participação no número de vínculos ativos no mercado formal em 4,60 pontos percentuais.

 

Um caso excepcional no mercado de trabalho é Nova Santa Rita, cuja participação das mulheres não só é pouco expressiva, mas também diminuiu ao longo do tempo de uma maneira não observada em outros municípios. As mulheres em 2003 representavam 34,69% dos vínculos ativos e os homens, 65,31%. Em 2016, as mulheres representavam apenas 27,73% dos vínculos e os homens, 72,27%, apresentando um retrocesso na participação das mulheres no mercado de trabalho.

Segundo as estimativas populacionais da Fundação de Economia e Estatística - FEE, a população do município ao longo desses 13 anos passou de 50,70% de mulheres e 49,30% de homens no ano de 2003 para 49,61% de mulheres e 50,39% de homens no ano de 2016. Ainda que as mulheres tenham se tornado minoria da população do município, a participação delas no mercado de trabalho está muito abaixo do ideal em uma sociedade igualitária, que deveria refletir a sua participação na população do município (49,30%), fato que não se concretizou. O número de vínculos ativos masculinos aumentou 234,18% na região, enquanto o número de vínculos ativos femininos aumentou 141,37% no mesmo período.

Geração

A participação dos jovens no mercado de trabalho formal tem diminuído desde 2003 no Vale do Sinos. Os dados da Rais mostram que a faixa etária entre 10 e 17 anos diminuiu de 1,92% para 1,56% entre 2003 e 2016. O mesmo acontece com aqueles que estão na faixa etária de 18 a 29 anos. Em 2003, os jovens representavam 39,78% dos empregados, já em 2016 esse percentual passou para 30,42%.

Enquanto houve essa redução com os adolescentes e jovens entre 10 e 29 anos, a participação daqueles que estão na faixa etária acima de 50 anos dobrou. A participação de adultos e idosos acima de 50 anos de idade era de 8,78% em 2003, passando a ser de 17,21% no ano de 2016. A faixa etária daqueles que possuíam entre 30 e 49 anos permaneceu praticamente inalterada durante o período analisado.

Essa mudança está acontecendo em decorrência do envelhecimento da população brasileira, sobretudo no estado do Rio Grande do Sul, que já está nesse processo de modo mais rápido que os demais estados do Brasil. Os dados da FEE mostram que a população com idade acima de 50 anos aumentou 8,70 pontos percentuais entre 2003 e 2016 no Vale do Sinos . O aumento no mercado de trabalho foi de 8,43 pontos percentuais.

O município de Novo Hamburgo tinha o maior percentual de empregados na faixa etária entre 10 e 29 anos, assim como os que estavam na faixa etária entre 30 e 49 anos no mercado de trabalho formal do Vale do Sinos no ano de 2003. Em 2016, essa realidade mudou. O município de Canoas passou a contratar mais nas faixas etárias entre 10 e 17 anos e entre 30 e 49 anos. Este município contratou mais trabalhadores com idade acima de 50 anos tanto em 2003 como no ano de 2016.

Gênero e geração

A participação das mulheres no mercado formal de trabalho do Vale do Sinos aumentou entre 2003 e 2016. As mulheres passaram de 39,23% dos vínculos ativos em 2003 para 45,03% em 2016, enquanto os homens passaram de 60,77% em 2003 para 54,97% em 2016. Os dados mostram que houve um aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho em 5,8 pontos percentuais.

Tanto em 2003 quanto em 2016, Araricá foi o município que menos contratou trabalhadores, consequentemente, as menores participações nas faixas etárias foram no referido município. Os dados reforçam que Canoas e Novo Hamburgo são os municípios de maior empregabilidade do Vale do Sinos, com destaque nas mudanças de participação das faixas etárias entre 2003 e 2016.

Acesse os dados completos por município aqui.

Ao analisar a movimentação por faixa etária e gênero, percebe-se que a variação negativa entre 2003 e 2016 aconteceu mais sobre o sexo masculino ,em todas as faixas etárias, exceto acima de 50 anos. As mulheres também tiveram variação negativa, mas abaixo do que acontece com o sexo masculino, inclusive houve variação positiva na faixa etária entre 30 e 49 anos.

Além da sistematização, análise e publicização dos dados, o ObservaSinos considera fundamental a inserção da sociedade no debate sobre políticas públicas e inferências na realidade. Para isto promove oficinas abertas tematizando suas áreas de interesse. No caso do trabalho e das juventudes realizou o seminário Realidades e Políticas Públicas para as Juventudes no Vale do Sinos numa perspectiva de valorizar o protagonismo dos jovens do Vale do Sinos. Confira o evento no vídeo abaixo:

Com a análise feita entre os anos de 2003 e 2016 é possível perceber diversas mudanças no mundo do trabalho. Transformações que, historicamente, aconteceram por diversos fatores, sejam eles políticos, econômicos ou sociais. Atualmente, o mercado de trabalho e suas ramificações continuam em constantes alterações, as últimas influenciadas pela reforma trabalhista, instituída em novembro de 2017 pela lei 13.467. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - Pnad Contínua, o desemprego no último trimestre de 2017 foi de aproximadamente 12,6%, ou seja, 550 mil desempregados a mais que nos três meses anteriores à aprovação da lei.

E fica o questionamento: quais os caminhos que devem ser tomados para o país se recuperar desta situação?

Para dar continuidade ao Especial do Trabalho Vale do Sinos, o próximo tema abordado pela série histórica será “ocupação, escolaridade e renda”. Aguarde o lançamento da próxima análise no ObservaSinos e no IHU.

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