Saúde e segurança do trabalhador. Especial do Trabalho Vale do Sinos 2003-2016

Por: João Conceição, João Dias, Lucas Schardong e Marilene Maia | 30 Junho 2018

Entre 2003 e 2016 foram registrados 83.336 acidentes de trabalho no Vale do Sinos, com uma taxa média de 17,46 acidentes a cada mil trabalhadores na região e uma média de 5.952 acidentes por ano. No ano de 2016, foram em média 14 acidentes do trabalho por dia no Vale do Sinos.

Ao longo de 2018 o ObservaSinos vem desenvolvendo uma série histórica sobre o trabalho entre os anos de 2003 e 2016, período de grande movimentação e transição econômica, política e social no Brasil. Os dados analisados são dos 14 municípios do Conselho Regional de Desenvolvimento - Corede do Vale do Rio dos Sinos, região de atuação do Observatório.


Os temas abordados no Especial do Trabalho são:

Geração e gênero;
Escolaridade e renda;
Ocupação e perfil dos estabelecimentos;
Saúde do trabalhador;
Pessoas com Deficiência;
• Desigualdades raciais;

Confira a quarta parte do Especial do Trabalho Vale do Sinos com a tematização sobre Saúde e segurança do trabalhador:

O Brasil teve uma taxa de 17,21 acidentes para cada mil trabalhadores no ano de 2003 e uma taxa de mortalidade por acidentes do trabalho de 11,53 a cada 100 mil trabalhadores. Em 2016, a taxa de ocorrência de acidentes foi 14,11 a cada mil trabalhadores. Os dados mostram que no período de crescimento econômico, em 2010, por exemplo, a taxa foi de 19,29.

O Rio Grande do Sul teve uma taxa de ocorrência de acidentes maior que a brasileira no ano de 2003: a cada mil trabalhadores 23,23 sofreram acidentes do trabalho, porém a taxa de mortalidade por acidentes de trabalho gaúcha foi de 7,29 a cada mil trabalhadores, índice menor que o brasileiro do mesmo período. Em 2016, o estado apresentou uma taxa de 19,48. Apesar da queda em relação ao ano de 2003, o Rio Grande do Sul, no ano de 2016, apresentou a maior taxa de ocorrência de acidentes do trabalho do Brasil, acima da média do País. Em 2010, a taxa foi de 24,73, mas neste ano, o estado de Alagoas teve a maior taxa do Brasil: 30,15.

Em maio de 2018, o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul divulgaram um estudo inédito sobre acidentes de trabalho no estado. O levantamento apurou que 506 trabalhadores morreram em 2016, decorrente de acidentes de trabalho, sendo que o número de registros oficiais de óbitos no ano de 2016 foi 139.

O estudo concluiu que um a cada três óbitos de trabalhador/a com carteira assinada não tem Comunicação de Acidente de Trabalho - CAT emitida. As Comunicações correspondem a apenas 27,4% dos óbitos encontrados na pesquisa. O trabalhador que deixa de trabalhar com carteira assinada e se torna autônomo tem duas vezes mais chances de morrer em um acidente típico¹. Para aqueles que se tornam trabalhadores informais, as chances triplicam. Além disso, de acordo com o estudo, a categoria que tem menos óbitos é a de trabalhadores domésticos e é muito mais seguro trabalhar para grandes empresas do que para pequenas empresas.

Em 2003, foram registrados 5.237 acidentes de trabalho no Vale do Sinos, 18 em cada mil trabalhadores do Vale do Sinos sofreram um acidente de trabalho no ano. O número aumentou até o ano de 2008, quando foram registrados 6.506 acidentes de trabalho, 20 acidentes para cada 1.000 trabalhadores. Entre 2009 e 2014 a média de acidentes foi de 6.155 acidentes/ano. Em 2016, a taxa de acidentes foi de 15 a cada 1.000 trabalhadores, totalizando 5.346 acidentes de trabalho na região.

62,31% dos acidentes de trabalho da região foram registrados nos municípios de Novo Hamburgo, São Leopoldo e Canoas, os três municípios totalizaram 55.198 acidentes no período de 13 anos.

Os municípios com as maiores taxas de acidentes no ano de 2016 foram: Esteio (22 acidentes a cada mil trabalhadores), Sapucaia do Sul (21 acidentes a cada mil trabalhadores) e Dois Irmãos (20 a cada mil trabalhadores). E os que tiveram as menores taxas de acidentes no ano de 2016 foram: Nova Hartz (6 a cada mil trabalhadores), Campo Bom (8 a cada mil trabalhadores) e Sapiranga (9 a cada mil trabalhadores).

Mais informações sobre os acidentes de trabalho no Vale do Sinos (2012-2017)

Estão disponíveis dados mais detalhados a respeito de todos os municípios brasileiros no site do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho - ODSST. Estes dados serviram para subsidiar esta parte da análise que irá tratar sobre os acidentes de trabalho ocorridos no Vale do Sinos entre 2012 e 2017.

Tipos de lesões mais frequentes no Vale do Sinos

Os acidentes de trabalho no Vale do Sinos foram, em sua maioria, decorrentes de três tipos de lesões: corte, laceração, ferida contusa, punctura (25%); fratura (21%) e contusão, esmagamento (20%). Ao todo 18.399 trabalhadores sofreram estes tipos de lesões no ambiente de trabalho entre 2012 e 2017 na região.

Atividades em que mais ocorreram acidentes de trabalho no Vale do Sinos

Atividades de atendimento hospitalar foram as que tiveram maior ocorrência de acidentes de trabalho no Vale do Sinos, 3.553 comunicações de acidente do trabalho (12,95%), comércio varejista de mercadorias em geral teve 1.715 acidentes de trabalho registrados (6,25% dos acidentes) entre 2012-2017.

Buscando melhorar os indicadores relacionados aos acidentes do trabalho, o Ministério do Trabalho criou Normas Regulamentadoras, que estão dentro da Consolidação das Leis do Trabalho e são ligadas à Saúde e Segurança do Trabalho. Uma delas formaliza as CIPAs – Comissões de Prevenção de Acidentes. De acordo com o técnico de segurança do trabalho da Unisinos Edson Teixeira, as Comissões têm como função “promover ações em segurança e saúde em todos os ambientes de trabalho de maneira a conscientizar, antecipar, reconhecer os perigos e fatores riscos”.

Edson também fala sobre os principais desafios para reduzir os acidentes de trabalho e maneiras de conscientizar os trabalhadores. “O desenvolvimento e a manutenção da cultura prevencionista no ambiente laboral. Estabelecendo metas e premiando os resultados atingidos quando o assunto é saúde e segurança, tendo como requisitos de avaliação o desenvolvimento pessoal, coletivo e organizacional. Condicionando a missão, visão e valores do plano estratégico do negócio”, explica.

Referências

[1] São os acidentes decorrentes da característica da atividade profissional desempenhada pelo segurado acidentado.

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