Paolo Benanti: “A inteligência artificial não é apenas uma tecnologia, mas uma nova fronteira”

Foto: Ismagilov | Canva Pro

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06 Janeiro 2025

Dois programas de TV para o teólogo e professor de ética. “Não estamos diante de um destino, mas de possibilidades”.

A reportagem é de Bruno Ruffilli, publicada por La Stampa, 05-01-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

De convidado, Paolo Benanti se torna protagonista. Frequentemente presente na televisão quando a inteligência artificial é discutida, o teólogo e professor de ética tecnológica é agora o autor e coprotagonista com Monica Mondo, de Algoretica Noi e l'intelligenza artificiale, no ar na Tv2000 a partir de 11 de janeiro, aos sábados, às 15h15min. Cada episódio se concentrará em áreas específicas, como saúde, trabalho, meio ambiente, segurança e informação. Com reportagens, especialistas no estúdio e até dois robôs, o programa tem como objetivo promover uma “algorética” que reafirme a centralidade do homem sobre a máquina; entre os participantes estão nomes como Gianluca Nicoletti, Alessandro Piva e Francesco Profumo.

“A IA não é apenas uma tecnologia”, reflete Benanti, “mas uma nova fronteira do conhecimento. O desafio é orientá-la para um desenvolvimento humano autêntico que não crie desigualdades globais”.

O frade franciscano também é autor e apresentador de Intelligenze, o novo programa da Rai Cultura transmitido às segundas-feiras, 6, 13 e 20 de janeiro, às 22h, na Rai Scuola, e às quintas-feiras, 9, 16 e 23 de janeiro, na Rai 3.

Por que “inteligências” no plural?

“Reconhecemos que não somos a única espécie inteligente: as plantas e os animais têm sua própria forma de inteligência, assim como os instrumentos técnicos podem imitar ou expressar diferentes formas de inteligência. É uma abordagem semelhante a um prisma, capaz de refratar a luz em vários espectros”, explica ele. Em três episódios dedicados respectivamente à saúde, ao trabalho e ao meio ambiente, Benanti aborda o tema com uma visão crítica e multidisciplinar, acompanhado por especialistas como Marco Bentivogli, Gianni Riotta, Maurizio Ferraris e outros, para discutir os desafios impostos pela revolução da IA. “Não será o homem sozinho que os resolverá”, observa ele, “nem a máquina sozinha, mas o homem que usa bem a máquina”.

No primeiro episódio de Intelligenze, discutimos como os aplicativos de IA estão revolucionando a forma como os diagnósticos e tratamentos são realizados, melhorando a eficiência e personalizando os cuidados. Inovações que colocam questões éticas fundamentais: “Se a personalização da medicina significa reduzir os efeitos colaterais e melhorar os benefícios para todos, então é uma meta a ser buscada. Mas se ela se tornar um luxo acessível apenas àqueles que podem pagar por ela, será o pior dos pesadelos”.

O segundo episódio trata da questão do trabalho. Mas como podemos tirar o trabalho da inteligência artificial? “Há aspectos do trabalho que não podem ser automatizados, como a criatividade e a capacidade de produzir soluções inovadoras. Esses serão os trabalhos do futuro.”

Intelligenze também explora o papel da educação e da formação na preparação das pessoas para os desafios de um mercado de trabalho em evolução: “Se conseguirmos eliminar os trabalhos desgastantes e perigosos e substituí-los por atividades criativas e de alto valor agregado, a IA terá feito uma contribuição positiva”, afirma Benanti.

O terceiro episódio tem como tema o impacto da IA sobre as mudanças climáticas. Por um lado, a inteligência artificial utiliza enormes quantidades de energia; por outro, pode ser uma poderosa aliada no gerenciamento de recursos naturais e na promoção do desenvolvimento sustentável. “O jogo está totalmente aberto”, diz ele, “não estamos diante de um destino, mas de possibilidades. A maneira como jogaremos com esses recursos definirá nosso futuro”.

Filmado na histórica Biblioteca da Câmara dos Deputados Nilde Iotti, nas intenções de Benanti, o programa se coloca como um paralelo moderno ao processo de Galileu Galilei: e se naquela época a Igreja estava do lado errado do progresso, hoje ela mostra que quer participar da discussão sobre a tecnologia que, mais do que qualquer outra, define nosso tempo. “Intelligenze não pretende ser um manual onde podem ser encontradas todas as respostas, mas uma ferramenta para explorar e fazer perguntas, deixando espaço para a complexidade”.

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