Abertura do Kremlin à mediação do Papa: “Mas são ultrajantes as palavras sobre buriates e chechenos”

Foto: Kremlin.us

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30 Novembro 2022

Neste momento se registra uma das fibrilações mais marcantes nas relações diplomáticas entre o Kremlin e a Santa Sé: está aumentando a distância entre Moscou e o Vaticano na frente da guerra. O Papa Francisco reitera que está pronto para mediar, mas aponta – em entrevista à revista dos jesuítas “America” – que o invasor é a Rússia. O Kremlin inicialmente acolhe "favoravelmente essa vontade política".

Mas depois ataca o Pontífice que na mesma conversa define "talvez os mais cruéis" do exército russo na Ucrânia "os chechenos, os buriates e assim por diante": essas palavras "não são mais russofobia, mas uma perversão da verdade, nem sei em que nível”, troveja a porta-voz do Ministério do Exterior, Maria Zakharova, conforme relata a agência Tass. Nos anos 1990 e início dos anos 2000, "nos disseram exatamente o contrário", declara Zakharova, ou seja, "eram os russos, os eslavos que torturaram os povos do Cáucaso, e agora nos dizem que é o povo do Cáucaso que tortura os russos”.

A reportagem é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 29-11-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

E o governador da república asiática russa da Buriácia, Alexei Tsydenov, também reagiu às declarações de Francisco, escrevendo no Telegram: “Ouvir o chefe da Igreja Católica falar da crueldade de nacionalidades específicas, ou seja, os buriates e os chechenos, é no mínimo estranho”.

O Bispo de Roma diz que "sabe-se quem estou condenando. Por que não menciono Putin? Porque não é necessário. Às vezes as pessoas se apegam a um detalhe”, mas “todos conhecem a minha posição”. Bergoglio reitera que, quando menciona a Ucrânia, fala “de um povo martirizado. Se você tem um povo martirizado, você tem alguém que o martiriza”.

Comunica que tem “muitas informações sobre a crueldade das tropas que entram. Em geral, os mais cruéis talvez sejam aqueles que são da Rússia, mas não são da tradição russa, como os Chechenos, os Buriates e assim por diante”. De qualquer forma, "certamente quem invade é o estado russo". O Papa explica que “às vezes tento não especificar para não ofender e sim para condenar em geral”.

Os ambientes vaticanos dão a entender que estão trabalhando para intensificar os diálogos geopolíticos, visando a formação de condições para uma trégua e negociações verdadeiras. Mas até agora "não houve uma resposta concreta", admitiu no domingo o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário de Relações com os Estados, em entrevista aos telejornais da Mediaset conduzida por Fabio Marchese Ragona.

Além disso, o Papa confirma o que disse recentemente em entrevista ao La Stampa: “A posição da Santa Sé é buscar a paz e buscar um entendimento” entre as partes, “a diplomacia da Santa Sé caminha nessa direção e, obviamente, está sempre disposta a mediar”. E, em particular, está empenhada na libertação de prisioneiros: "Eu trabalho com o recebimento de listas de prisioneiros, civis e militares, e as envio ao governo russo, e a resposta sempre foi muito positiva". Já sobre possíveis visitas a países em conflito especifica que "se viajo, vou a Moscou e a Kiev, ambas, não apenas um lugar".

Enquanto isso, a fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre relata a prisão de dois sacerdotes em serviço em Berdyansk, no sudeste da Ucrânia. São Ivan Levitskyi e Bohdan Heleta. Os Padres Redentoristas, detidos pelas tropas russas, são acusados de "ter preparado um ato terrorista" e de possuir armas e explosivos. Segundo monsenhor Stepan Meniok, bispo do exarcado de Donetsk, a detenção é "infundada e ilegal".

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