Os secretários particulares do Papa são um sinal do exercício obscuro do poder

Foto: Vatican Media

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24 Abril 2026

O historiador da Igreja Jörg Ernesti vê paralelos entre o nepotismo histórico entre os conselheiros papais e os secretários particulares papais contemporâneos. Se a instituição dos secretários particulares está entre as conquistas positivas do papado é discutível, escreve o teólogo de Augsburg em um artigo para a edição atual da revista "Herder-Korrespondenz".

A reportagem é publicada por Katholisch.de, 23-04-2026.

Com o Papa Francisco (2013-2025), uma primeira mudança de pensamento tornou-se aparente, depois que os papas Bento XVI (2005-2013) e João Paulo II (1978-2005) tiveram secretários particulares influentes e de longa data, Georg Gänswein e Stanisław Dziwisz, respectivamente. "Parece que o Papa Francisco percebeu a natureza problemática dos secretários particulares", conclui Ernesti.

O historiador da Igreja observa que os secretários particulares e outros conselheiros não estavam previstos na hierarquia vaticana de cargos. Nenhuma das Constituições Apostólicas, com as quais vários papas estabeleceram a estrutura da Cúria, mencionava tais funções. Isso é ainda mais surpreendente, visto que alguns dos secretários particulares poderiam ter exercido considerável influência sobre "seu papa". "Sua influência, que deve ser localizada em um nível não oficial, fora da Cúria, permanece, em última análise, difícil de determinar e ainda mais difícil de controlar. Estruturas de poder opacas são uma marca registrada de sistemas não democráticos. Infelizmente, isso também se aplica ao Vaticano — ao Estado, bem como à sede central da Igreja universal", continua Ernesti.

Não há mais sinecuras sob Francisco

A instituição moderna do nepotismo papal, assim como a prática de secretários particulares influentes que começou no século XIX, é um instrumento de poder papal. Embora os secretários particulares, ao contrário de seus sobrinhos de antigamente, não se enriqueçam financeiramente e não sejam escolhidos com base em laços familiares com o respectivo papa, "eles geralmente não saem de mãos vazias", enfatiza Ernesti.

Diferentemente de seus antecessores, Francisco não promoveu indivíduos, mas nomeou três sacerdotes sucessivamente que, ao contrário de Gänswein e Dziwisz, não foram "compensados" com cargos de alto escalão após seus mandatos. O secretário particular de João Paulo II tornou-se arcebispo de Cracóvia, e Gänswein foi nomeado prefeito da Casa Pontifícia e, portanto, arcebispo pouco antes da renúncia de Bento XVI. Ernesti descreve esse cargo como um "cargo cário protocolarmente significativo, mas não necessariamente de grande importância". Embora o Papa Francisco tenha mantido o cargo, logo liberou Gänswein para servir exclusivamente a seu antecessor emérito.

Resta saber se Leão XIV seguirá os passos de seu antecessor imediato. Atualmente, o padre peruano Edgard Ivan Rimaycuna Inga, que o Papa conhece de sua época como bispo local, serve como secretário particular do Papa. "Ele parece desempenhar suas funções com discrição e moderação", observa Ernesti. Segundo o Vaticano, o Papa pretende retomar a tradição de um secretário particular permanente, prática interrompida por seu antecessor.

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