Lula em depoimento à Polícia Federal: “Vão ter que ter coragem de me tornar inelegível”

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15 Março 2016

Em depoimento prestado à Polícia Federal em 4 de março o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse “velhinho”, “querendo descansar”. Mas, acuado pela Operação Lava Jato, o petista fez questão de afirmar que será “candidato à presidência em 2018”. “Eu ando muito puto da vida, muito, muito zangado porque a falta de respeito e a cretinice comigo extrapolou”, desabafou Lula ao delegado que o questionava na sede da PF dentro do aeroporto de Congonhas. “Vão ter que ter coragem de me tornar inelegível”, desafiou o ex-presidente. A íntegra da transcrição do depoimento foi tornada pública nessa segunda-feira (14). Nas 109 páginas do documento o petista critica a Lava Jato por estar "destruindo empresas" e responde sobre sua relação com os imóveis investigados pela operação: um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia. Veja abaixo alguns dos principais pontos do depoimento.

A reportagem é de Gil Alessi, publicada por El País, 14-03-2016.

Tríplex no Guarujá

O que dizem os procuradores

A força-tarefa que investiga a corrupção na Petrobras suspeita que o tríplex 164 A do edifício Solaris, no Guarujá, seria uma espécie de presente da empreiteira OAS ao ex-presidente. A construtora reformou o imóvel – e instalou um elevador privativo nele – como melhoria para Lula. Os investigadores acreditam que se trata de uma retribuição por contratos obtidos pela empresa junto à Petrobras durante o Governo do petista. A OAS é a proprietária do tríplex, mas para o Ministério Público de São Paulo na verdade o ex-presidente seria verdadeiro dono.

O que Lula disse

“Quando fui pela primeira vez disse ao Léo [Pinheiro, então presidente da OAS] que o prédio era inadequado porque além de ser pequeno, um tríplex de 215 metros é um tríplex Minha Casa Minha Vida, era pequeno. Os quartos, e a escada muito... Muito... Eu falei: Léo, é inadequado para um velho como eu, é inadequado. O Léo falou: “Eu vou pensar em um projeto pra cá”. Quando Marisa [Letícia, sua mulher] voltou [em uma outra visita] não tinha sido feito nada ainda. Ai eu falei pra Marisa, olha, vou tomar uma decisão, não quero. Então eu tomei a decisão de não ficar com o apartamento”.

Sobre a reforma feita na unidade, Lula diz que “se tivesse alguma coisa pronta, se eu tivesse que comprar, eu teria que pagar a diferença, eu quero saber onde está o maldito crime”.

Sítio de Atibaia

O que dizem os procuradores

A força-tarefa acredita que as reformas no sítio, bancadas por empreiteiras, tenham sido uma contrapartida por contratos obtidos por elas com o Governo durante o mandato de Lula. O imóvel não está em nome do ex-presidente, mas os investigadores acreditam que ele seja o verdadeiro proprietário.

O que Lula disse

“[O sítio] Pertence a Fernando Bittar e pertence a Jonas Suassuna, com registro em cartório em Atibaia, comprado com cheque administrativo, isso já foi publicizado, já foi provado. Eu, na verdade, quero falar pouco do sítio, porque eu não vou falar do que não é meu. Quando vocês entrevistarem os donos do sítio, eles falarão pelo sítio. Eu fiquei sabendo desse sítio no dia 15 de janeiro de 2011, passei a frequentar até menos porque eu viajei muito, acabei de falar que eu viajei demais, então comecei a frequentar mais depois, quando eu estava com câncer, e depois passei a frequentar mais em 2013, em 2014. Pretendo continuar visitando, se não destruírem o sítio, porque tudo que os companheiros que compraram o sítio fizeram foi tentar garantir que eu tivesse um lugar pra descansar, porque você sabe que eu não tenho”.

Doações de empresas ao Instituto Lula

O que dizem os procuradores

Os procuradores investigam se as doações feitas ao Instituto Lula não foram uma contrapartida por contratos conseguidos por empreiteiras com o Governo. Uma planilha apreendida nos escritórios da Odebrecht, onde se lê uma doação milionária para “IL”, seriam um indício de pagamentos irregulares. Além disso, as cinco maiores empresas que doaram para o Instituto Lula entre 2011 e 2014 são as cinco maiores empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

O que disse Lula

Questionado se “é comum as empresas procurarem espontaneamente o Instituto Lula para oferecer doações?”, Lula disse o seguinte: “Não. Aliás, eu não conheço ninguém que procura ninguém espontaneamente para dar dinheiro, nem o dízimo da igreja é espontâneo. Se o padre ou o pastor não pedir, meu caro, o cristão vai embora, vira as costas e não dá o dinheiro. Então dinheiro você tem que pedir, você tem que convencer as pessoas do projeto que você vai fazer, das coisas que você vai fazer. Lamentavelmente, no Brasil ainda não é uma coisa normal, mas no mundo desenvolvido isso já é uma coisa normal, ou seja, não é nem vergonha, nem crime, alguém dar dinheiro para uma fundação, aqui no Brasil a mediocridade ainda transforma tudo em coisas equivocadas”.

Mais adiante, o delegado questiona se Lula chegou a pedir doações para o Instituto. O ex-presidente respondeu: “Não, porque não faz parte da minha vida política, ou seja, eu desde que estava no sindicato eu tomei uma decisão: eu não posso pedir nada a ninguém porque eu ficaria vulnerável diante das pessoas”.

Questionado se "é possível, por exemplo, que o próprio Paulo Okamotto ou a Clara Ant [diretores do Instituto Lula tenham pedido doações a qualquer empresa, entre elas a Camargo Correa?", o presidente respondeu que sim.

Pagamentos do Instituto Lula à empresa G4, de um dos filhos de Lula

O que dizem os procuradores

A força-tarefa da Lava Jato investiga se o Instituto Lula realizou repasse de um milhão de reais para a empresa G4, de propriedade de um dos filhos do ex-presidente, por serviços que podem não ter sido prestados.

O que disse Lula

"Se foi pago é porque o serviço foi realizado. Olha, se não me falha a memória, [o pagamento à G4] deve ter sido [referente ao projeto] do Memorial da Democracia, porque nós fizemos o memorial digital que está no ar. Nós fizemos o Memorial, fizemos o Políticas Públicas, são dois programas que estão no ar para difundir o que aconteceu no Brasil, aí isso implicou fazer filmes, implicou fazer estudo, deve ter sido isso."

Confusão financeira entre o Instituto Lula e a empresa de palestras LILS

O que dizem os procuradores

Os investigadores acreditam dinheiro do Instituto Lula - que não tem fins lucrativos e está sujeito a uma legislação fiscal diferente - tenha abastecido a LILS e vice-versa, o que seria irregular.

O que disse Lula

"Ela [a receita das palestras] fica na LILS e vai ser utilizada quando todas as empresas que vocês estão destruindo nesse país não puderem contribuir mais financeiramente, o dinheiro vai ser utilizado para manter o Instituto".

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