Presidente da LCWR: Uma nova era de comunhão com o Vaticano fecha “abismo cultural”

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17 Agosto 2015

Em grande parte, as investigações polêmicas conduzidas sobre as religiosas americanas pelo Vaticano – e as tensões daí resultantes – deveram-se a um “abismo cultural”, disse a presidente da LCWR nesta quarta-feira (12).

A reportagem é de Dan Stockman, publicada pela National Catholic Reporter, 12-08-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Porém, este abismo está se fechando, afirmou, e uma nova era de comunhão parece ter começado.

A Irmã Sharon Holland (do Imaculado Coração de Maria), presidente da Conferência de Liderança das Religiosas – LCWR (na sigla em inglês), disse na assembleia anual do grupo que o comportamento que é muito normal para uma mulher na cultura americana – tal como fazer perguntas e pensar criticamente – pode ser facilmente percebido como desrespeitoso em outros contextos.

Holland compreende bem um destes ambientes diferentes: ela trabalhou durante 21 anos como canonista em Roma, onde era uma das mulheres do mais alto escalão vaticano. Atualmente na função de vice-presidente de sua comunidade em Monroe, Michigan, e em seus últimos dias como presidente da LCWR, Holland proferiu o discurso presidencial na quarta-feira pela manhã para as aproximadamente 800 participantes da LCWR reunidas aqui em Houston. A LCWR é composta por religiosas consagradas, líderes de suas congregações nos Estados Unidos; as ordens femininas que compõem a LCWR representam cerca de 80% das cerca de 50 mil religiosas do país.

Abordando a visitação apostólica feita às religiosas nos Estados Unidos e a avaliação doutrinal conduzida à LCWR em particular, Holland disse que, na assembleia de 2012, ela percebia uma maior tensão no ambiente e lembrou a pergunta irritante sobre o porquê de estas duas investigações polêmicas estarem acontecendo. As duas investigações terminaram no ano passado.

“Lembro de ter feito uma pergunta retórica durante a abertura dos trabalhos daquele ano: ‘Essas investigações têm a ver com doutrina ou docilidade?’”, disse Holland. “Eu não tinha dúvida de que era tanto uma coisa quanto a outra. Alguns acreditavam que nós estávamos desviadas do caminho em relação a determinados assuntos doutrinários; alguns simplesmente estavam convencidos de que estávamos sendo desrespeitosas para com as autoridades eclesiásticas”.

Mas essas crenças, disse ela, foram causadas por diferenças de percepção: um abismo cultural entre a hierarquia eclesiástica e as religiosas.

“De alguma forma, estávamos olhando para as mesmas realidades porém de pontos de vista diferentes”, disse ela. “Não percebemos que estávamos experimentando a incompreensão de dois grupos que não sabiam dos pressupostos mais profundos uns dos outros. Corríamos o risco de falar ‘sobre’ o outro em vez de falar mais profundamente ‘com’ o outro”.

Um bom exemplo, segundo ela, foi o mandato da Congregação para a Doutrina da Fé – CDF recomendando à LCWR retirar de seu website o material intitulado “Systems Thinking Handbook”. Holland disse que este o manual, que foi pouco usado e que havia sido substituído por programas mais recentes, serviu como um estudo de caso de uma congregação religiosa que experimentava tensões quando das celebrações eucarísticas em comemoração aos jubileus das irmãs e ilustrava um processo pelo qual diferentes segmentos poderiam se entender e construir a comunhão apesar das diferenças.

Holland disse que alguns acreditavam que o manual devesse ter tido uma instrução superior a respeito do valor da Eucaristia; os debates sobre este tema pareciam convidar a um relativismo “como se, por meio da discussão, fosse possível mudar a doutrina”. De forma alguma este era o objetivo, declarou a religiosa, mas foi assim que o Vaticano havia percebido.

Porém, este mesmo processo – de debates e perguntas visando uma compreensão mais profunda – também levou à conclusão favorável do mandato em abril.

“Nós – as representantes da LCWR e os bispos delegados liderados por Dom J. Peter Sartain (de Seattle) – continuamos perseguindo as questões levantadas pelo mandato, sempre no intuito de compreendê-las mais aprofundadamente”, disse Holland. “Anualmente, trazíamos relatórios de progresso para vocês (...) Ao mesmo tempo, Dom Peter Sartain estava pavimentando o caminho conosco e com os outros dois bispos delegados, além da própria Santa Sé”.

Mas há sinais claros de que este abismo cultural pode estar se fechando, disse a religiosa: o relatório final conjunto emitido no final do mandato e a foto das representantes da LCWR ao lado do Papa Francisco quando o mandato terminou, com dois anos antes do previsto, são exemplos que se podem citar.

“Não é comum ter um relatório conjunto em processos desse tipo”, disse Holland. “Isso pode parecer sensível demais para os americanos, mas em geral os delegados enviados pela Sé Apostólica submetem os seus relatórios diretamente a quem os enviou. Eles não os apresentam primeiro às pessoas a quem estavam visitando”.

Não só o relatório foi dado à LCWR; o grupo foi também convidado a colaborar em sua produção.

“No caso do mandato da CDF, este foi um relatório escrito e trabalhado, do início ao fim, pelas mesmas pessoas que haviam se envolvido no diálogo”, disse Holland. “Haverá mais explicações sobre este assunto nos próximos dias, mas nós fomos os autores principais do relatório”.

Quanto à foto das representantes da LCWR com o Papa Francisco, Holland disse que ela foi “imediatamente reconhecida como um símbolo público há muito aguardado da comunhão que as nossas irmãs sentem e desejam com a (e dentro da) Igreja. É um símbolo poderoso; não um lugar de descanso, mas uma plataforma de lançamento”.

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