Presidente da LCWR: Fim da investigação do Vaticano resulta no crescimento da compreensão mútua

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19 Maio 2015

O fim da polêmica investigação vaticana do principal grupo que reúne as religiosas católicas dos EUA não foi o resultado de uma troca particular de ideias entre elas e os prelados da Igreja, mas sim de um crescimento na “compreensão mútua e da comunhão” que durou três anos, disse a presidente da LCWR

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada pelo National Catholic Reporter, 15-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa

A Irmã Sharon Holland, da Congregação do Imaculado Coração de Maria e atual presidente da Conferência de Lideranças das Religiosas – LCWR (sigla em inglês para Leadership Conference of Women Religious), também disse esperar que o processo de conclusão desta supervisão ajude a fortalecer a capacidade dos dois grupos de discutir questões futuras com uma mentalidade de que ambos são parte da comunhão eclesial da Igreja.

“O que sempre desejei foi o diálogo, o crescimento na compreensão mútua ao longo das diversas culturas, experiências e nacionalidades, que edifica uma comunhão eclesial”, disse Holland falar sobre o que estava esperando ao final da supervisão vaticana sobre o grupo que lidera. 

Ao definir comunhão eclesial, a líder falou: “Significa ser capaz de discutir quaisquer diferenças que ocorram, tendo a noção fundamental de que todos somos parte da Igreja e trabalhamos juntos na missão de Cristo”.

“Podemos discutir as dificuldades quando elas aparecerem, tal como se faz em qualquer organização de forma que possamos eliminar – até onde for possível – o tipo de mentalidade de ‘nós/eles’”, continuou a religiosa. “Há um ‘nós’ também”.

Holland, presidente da LCWR desde agosto passado, concedeu uma entrevista ao National Catholic Reporter sobre o fim da supervisão vaticana ao grupo.

Este processo se deu depois de a Congregação para a Doutrina da Fé – CDF emitir, em 2012, o que as irmãs chamaram de críticas infundadas sobre o trabalho que fazem e a vida que levam, ao mesmo tempo nomeando o arcebispo de Seattle, Dm J. Peter Sartain, como o supervisor para as reformulações desejadas aos estatutos da LCWR.

Tudo isso chegou ao fim no dia 16 de abril deste ano, quando o Vaticano divulgou um comunicado breve que dizia que o objetivo da investigação “havia sido cumprido”. A LCWR e a congregação doutrinal vaticana também publicaram um relatório final conjunto sobre o assunto nesse mesmo dia.

No anúncio do término da supervisão em abril, a LCWR e as autoridades vaticanas disseram que esperariam para falar sobre o assunto por um período de 30 dias, a pedido da CDF. Marcando o fim deste período de silêncio nesta sexta-feira (15), as líderes da LCWR emitiram um comunicado.

Ao falar com a equipe do National Catholic Reporter, Holland disse que os três anos em que o grupo liderado por ela esteve sob supervisão vaticana foram um “processo cheio de graça”.

“Não foi um momento no tempo em que algo mudou”, disse ela. “Foi um processo de três anos que cresceu, sempre mais, na compreensão mútua e comunhão”.

Holland disse não achar que a supervisão vaticana tenha sido finalizada de forma abrupta, sendo, pelo contrário, o fruto de “três anos muito intensos de trabalho e diálogo”.

“Não havia necessidade de continuar”, disse ela. “Havíamos chegado ao ponto final”.

Holland, respeitada canonista tendo trabalho como funcionária da congregação religiosa vaticana de 1988 a 2009, também esclareceu as referências, presentes no relatório conjunto final, de que os novos processos de edição das publicações produzidas pela LCWR e de escolhas das pessoas a quem a LCWR irá conceder o seu prêmio anual serão controlados pelo grupo das irmãs – e não pelo Vaticano.

Ao afirmar que as publicações da LCWR “precisam de uma boa fundamentação doutrinal”, o relatório traz que “estão sendo tomadas medidas para a promoção de um rigor acadêmico que garantirá a precisão teológica e ajudará a evitar declarações que estejam ambíguas com respeito à doutrina da Igreja ou que possam ser lidas como contrárias a ela”.

“Parte dessa linguagem é nossa”, disse Holland. “Porque queremos esta qualidade em nossas publicações, para as nossas congregações filiadas e para as muitas pessoas que leem nossas publicações”.

“As nossas publicações não são tratados teológicos, mas queremos que estejam corretas”, disse. “E temos trabalhado nesse sentido e iremos continuar trabalhando”.

Na entrevista, Holland igualmente falou sobre o que chamou de “tensão criativa e saudável” entre os que vivem a vida religiosa e os que estão no comando da Igreja.

A religiosa abordou, também, como planeja lidar com as religiosas que ainda estão irritadas com o processo de supervisão conduzido pelo Vaticano, dizendo: “O mais importante é escutá-las”.

Confira a seguir a entrevista completa com Holland, editada para fins de clareza.

Passaram-se, agora, 30 dias desde a conclusão do mandado doutrinal. Nesse período, qual o sentimento que você mais ouviu nas conversas com as líderes da LCWR e suas participantes? Qual o estado de espírito que a senhora percebeu?

Não tivemos muito tempo para conversarmos entre a gente ainda, o que faz parte do problema em falar com a imprensa. Mas todas estão muito felizes por termos chegado às conclusões a que chegamos, bem como pela oportunidade de se encontrar com o Papa Francisco.

Penso que o sentimento é o de felicidade. Como dizemos no comunicado à imprensa, estamos muito satisfeitas. As pessoas estão felizes com a finalização do mandado e por termos uma boa reunião com a CDF. Em essência, é isso o que ouço das pessoas, das irmãs, das pessoas em geral.

Elas gostaram da forma como o processo foi conduzido e estão satisfeitas que chegamos às conclusões alcançadas.

Sei que as coisas estão ainda muito presentes, mas o que a senhora pode dizer sobre a forma como acabou este processo? Como sabemos, era para ser um mandado de cinco anos; ele foi concluído em três. Para alguns, isso foi um tanto inesperado. O que mudou? Quem mudou? Por que isso aconteceu?

Tenho de dizer que, na primeira vez que li que este processo havia tido um final abrupto, prematuro, eu dei risada. Porque, para nós, foram três anos muito intensos de trabalho e de diálogo para chegarmos aonde chegamos. O mandado dizia que poderia se levar cinco anos, mas não falava que deveria durar cinco anos. Fomos capazes de chegar ao seu término em três anos. Não havia necessidade de continuar. Chegamos ao ponto final. E não estávamos obrigados a levar um processo de cinco anos. Este tempo estava disponível caso houvesse a necessidade.

Lembramos da reunião que houve com as líderes da LCWR em Roma no ano passado, após o que houve uma nota do Cardeal Müller falando sobre o mandado. Aconteceu alguma coisa entre este tempo em que o Cardeal Müller publicou este comunicado e o que temos hoje? Houve algo neste diálogo que mudou?

Olha, isso seria difícil identificar. Até mesmo o fato de que o comunicado do Cardeal Müller fora publicado criou certa dificuldade, pois nós tivemos uma conversa muito boa com ele depois disso, o que é normal. Uma nota do prefeito [de alguma congregação vaticana] é o protocolo normal da Cúria. O chefe do dicastério fala primeiro, em nota.

Em seguida, a reunião continuou com uma longa conversa, a qual achamos muito útil, positiva e cordial. Mas, é claro, o que foi tornado público foi o seu comunicado – então, é como se tudo tivesse terminado ali, mas não é isso o que aconteceu. A reunião continuou por mais tempo.

Tivemos também um outro ano de trabalho com os delegados, pois as conclusões a que chegamos foram, realmente, o resultado do trabalho ao lado dos [bispos] delegados que estiveram conosco por nomeação da CDF.

Numa escala de 1 a 10, onde estaria a sua expectativa inicial em relação às conclusões chegadas? Por quê?

Não, eu não tenho como responder isso. Não sou boa em fazer estas comparações, e eu não tinha uma visão preconcebida de como este processo poderia acabar. Estou bastante feliz pelas conclusões alcançadas, mas fiz parte do diálogo pelo tempo que se fez necessário e não tive noções preconcebidas do que viria a seguir.

Não ter noções preconcebidas foi algo útil neste processo?

Provavelmente, em termos de noções preconcebidas. O que eu sempre desejei foi um diálogo, o crescimento na compreensão mútua ao longo das culturas, experiências e nacionalidades, que edifica a comunhão eclesial. A minha visão de um fim era muito ampla, em termos de compreensão mútua e comunhão.

Poderia expandir a ideia de comunhão eclesial? O que isso significa para a senhora?

Não temos tanto tempo assim! Suponho que esta expressão significa ser capaz de discutir quaisquer diferenças que ocorram, tendo a noção fundamental de que todos fazemos parte da Igreja e trabalhamos juntos na missão de Cristo.

Podemos discutir as dificuldades quando elas aparecerem, tal como se faz em qualquer organização de forma que possamos eliminar – até onde for possível – o tipo de mentalidade de “nós/eles”. Há um “nós” também.

Falando de forma geral, isso é o que significa estar em comunhão. É algo mais profundo do que as questões particulares que precisam ser resolvidas.

Estou curioso para saber o que a senhora acha que pode resultar deste processo com o Vaticano, com este mandado. O que esta experiência pode influenciar a LCWR nos próximos anos, de forma positiva ou não?

Não estou preocupada com o futuro aqui. Acho que demos um passo positivo no sentido de um maior entendimento.

A senhora menciona o desafio de se construir um maior entendimento entre as partes. Há alguma coisa resultante desse processo que faz este desafio mais institucional? Haverá, no futuro, formas de se construir este entendimento? Existem estruturas que estão resultando disso? Como este trabalho pode avançar?

Não acho que seja uma questão de estruturas. Todas nós, envolvidas neste processo, tivemos a experiência de estarmos dentro de um diálogo construtivo. Outras pessoas viram os procedimentos da troca de ideias, do diálogo, de busca de um entendimento mais profundo entre si.

E é um exemplo poder dizer que isto é possível; é uma forma melhor de resolver as dificuldades, melhor que muitas daquelas maneiras que resultam em ódio, guerra e terrorismo.

Então, trata-se de um exemplo do que é possível – e provavelmente mais possível na Igreja do que no mundo como tal. É algo positivo e a nossa experiência de trabalhar com os bispos delegados foi extremamente positiva.

Dom Sartain, em particular, como o principal entre eles, foi extremamente útil para nós em sua capacidade de escutar, fazer perguntas, se comunicar com a gente e com a CDF. Foi uma experiência positiva. Ela mostra uma possibilidade, mas não uma estrutura. É um processo; é uma forma de ser.

Há algo neste processo que resultou em um novo entendimento, ou uma nova forma de seguir adiante de maneira que nada disso aconteça novamente?

Não acho que podemos garantir que alguma coisa não vá acontecer novamente. Dias atrás, lemos os Atos dos Apóstolos na liturgia do dia e vimos que diferenças existem desde o início da Igreja. Tem mais a ver com a forma como procedemos quando as diferenças surgem, do que se ter uma garantia de que nada irá surgir de novo.

Aprendemos mais sobre a escuta, sobre fazer perguntas, sobre um processo contemplativo, que leva tempo para se considerar e compreender a outra pessoa, tentando entender a nós mesmos e ver as implicações de certas formas de agir. Não podemos garantir, mas adquirimos instrumentos para lidarmos com as dificuldades.

Não é diferente daquilo que aconteceu antes da convocação do primeiro concílio, quando os cristãos primitivos se reuniram para decidir o que fazer com a entrada dos Gentios no cristianismo.

Eu gostaria de falar sobre duas coisas em particular, mas sei que há alguns temas que senhora não pode se pronunciar. Porém, há algumas coisas que nos assaltam quando lemos o relatório conjunto final. Uma é a menção de que as publicações da LCWR “precisam de uma boa fundamentação doutrinal” e que “estão sendo tomadas medidas para a promoção de um rigor acadêmico que garantirá a precisão teológica e ajudará a evitar declarações que estejam ambíguas”. A seu ver, como serão estas medidas? Houve algum debate sobre como elas deveriam acontecer no sentido da promoção de um rigor ou da construção de uma precisão teológica?

Na verdade, parte dessa linguagem é nossa: o desejo de um rigor e precisão doutrinal e teológico. Porque queremos esta qualidade em nossas publicações, para as nossas congregações filiadas e para as muitas pessoas que leem as nossas publicações.

Creio que foi mencionado, no relatório, que existe – e já existia – um comitê consultivo para as publicações, o qual revisa as produções da LCWR. Há também a provisão de se ter revisões teológicas por teólogos no intuito de garantir que não haja nenhuma expressão ambígua ou coisas que possam causar problemas teológicos.

As nossas publicações não são tratados teológicos, mas queremos que estejam corretas. E temos trabalhado nesse sentido e iremos continuar trabalhando.

Esta revisão da precisão teológica é algo a ser feito pela LCWR, ou por alguém de fora?

Será feito pela LCWR.

Vimos também a menção a um processo relacionado à escolha das pessoas a serem premiadas a cada ano pela LCWR...

Na verdade, esta revisão do processo de premiação já estava acontecendo. Não porque havia algum problema com as pessoas que estavam recebendo o prêmio, mas por termos centenas de participantes em todo o país. Nós nos reunimos uma vez ao ano em assembleia, e aqui estamos em 700, 800 ou 900 participantes, onde acabamos não nos conhecendo muito bem.

Então, pensamos um processo que nos permitirá ter mais informações disponíveis entre as ordens religiosas filiadas à LCWR relativas aos candidatos, tendo assim um processo mais participativo e bem-informado.

Tem a ver com a qualidade do processo e da participação das congregações membros. Não tem a ver com ter escolhido premiar as pessoas erradas.

De novo, isso foi uma coisa decidida ou desenvolvida pela LCWR?

Sim, isso mesmo. Foi a LCWR que desenvolveu este processo.

Se não se importar, eu gostaria de perguntar sobre a interação dos papéis da vida religiosa e da hierarquia. Eu estava lendo alguns discursos de ex-presidentes da LCWR e me surpreendi com o que a Irmã Pat Farrell disse em 2012. Ela falou: “Há uma tenção existencial inerente entre os papéis complementares da hierarquia e dos religiosos que, provavelmente, não irá mudar. Num mundo eclesial ideal, os diferentes papéis são mantidos sob uma tenção criativa, com um respeito mútuo e um apreço, num ambiente de diálogo aberto tendo em vista a edificação de toda a Igreja. Esta avaliação doutrinal sugere que nós não estamos vivendo, atualmente, em um mundo eclesial ideal”. A senhora acha que estas afirmações ainda valem? Com esta resolução do mandado vaticano, estaremos nós chegando mais próximos daquela complementaridade entre os papéis da hierarquia e dos religiosos?

Este é um assunto sobre o qual sempre teremos de estar refletindo. No momento, talvez estejamos mais próximos porque tudo está fresco em nossas cabeças, porque a experiência acabou de forma bastante positiva. Mas é sabido que, na história da Igreja, existem os elementos coessenciais, de carisma hierárquico, e o elemento carismático na Igreja, que não é – o dom do espírito na fundação dos institutos religiosos – uma estrutura.

Acho que as afirmações da Irmã Pat Farrell são exatas no sentido de que se trata de uma parte da Igreja que precisa ser vivida, onde há uma tensão, uma tensão criativa saudável. Isto acontece na medida em que há novos desenvolvimentos na vida religiosa, novos desenvolvimentos para a missão. Faz parte de quem somos enquanto Igreja. Acho que as palavras desta irmã são muito úteis.

Houve algum momento neste processo em que a senhora sentiu que haveria uma resolução para este conflito? Houve algum momento especial no processo percorrido, onde a senhora poderia ter sentido o movimento do Espírito?

Tivemos muitos momentos assim. Alguns deles ocorreram em nossas assembleias, quando ficou claro que o Espírito nos sustentava para que continuássemos trabalhando. Houve momentos de trabalho muito intenso, em articular as revisões dos estatutos, que não foram muitas mas que exigiram um aprofundamento durante o processo de discussão que as envolveu.

Houve muitos momentos no trabalho de colaboração com Dom Sartain. Foi realmente um processo cheio de graça. Não foi um momento no tempo em que algo mudou. Foi um processo de três anos que cresceu, sempre mais, na compreensão mútua e comunhão.

No contexto desta tensão ou deste crescimento na compreensão, eu gostaria de perguntar – eu fiquei muito surpreso pela que disse a Irmã Elizabeth Johnson quando recebeu, no ano passado, o prêmio anual concedido pela LCWR. Ela falou de uma “diversidade reconciliada” entre as diferentes partes da Igreja.

Mas ela também falou que, no atual quadro em que se encontra a instituição, a “investigação da CDF parece ser um esforço, por certos homens com poder de decisão, de controlar mulheres comprometidas e competentes, cuja discernimento religioso coletivo as faz fiéis conscientes, não mais silenciosas e invisíveis”.

Isso era um objetivo a alcançar? Como a senhora interpreta este tipo de manifestação?

Eu realmente não consigo comentar a partir apenas de um trecho da fala da Irmã Elizabeth Johnson. Ela é uma teóloga; ela formula as suas palavras com cuidado. Realmente, não consigo dizer muito sobre este assunto. O processo pelo qual passei é aquele que expliquei em termos de crescimento e desenvolvimento do entendimento e da comunhão.

Quando as líderes da LCWR se pronunciaram pela primeira vez sobre o anúncio do mandado em junho de 2012, elas disseram: “O relatório causou (...) um escândalo e dores em toda a comunidade eclesial, além de criar uma polarização maior ainda”.

As conclusões chegadas no mês passado desfizeram, de alguma forma, isto o que LCWR identificou três anos atrás?

Acredito que o que descrevi como sendo a minha experiência do processo o final dele sugere que todos estamos em um lugar diferente do que estávamos em 2012.

Sei que faltam ainda alguns meses, mas em agosto a senhora terá a chance de falar, ao conjunto das ordens religiosas filiadas à LCWR, sobre este assunto durante a assembleia. Já pensou sobre o que poderia ser dito aí, ou o que realmente quer dizer às demais participantes da assembleia?

Para falar a verdade, não pude ainda parar para pensar seriamente sobre isso. Estou à espera de que venha alguma inspiração.

Muito ouvimos sobre o uso da tomada de decisão colaborativa por parte da LCWR, que as religiosas assumiram o trabalho de renovação do Vaticano II e que tomam suas decisões de forma colaborativa. Como este tipo de processo se encaixa com estas questões sobre os diferentes papéis dos religiosos e da hierarquia?

É interessante porque estou tão ciente do nosso uso da linguagem de um processo contemplativo que eu não estava pensando em termos da linguagem do processo colaborativo. Acho que estas coisas não estão tão separadas.

Entramos numa instância contemplativa que nos permite rezar, pensar e então conversar. Não tenho certeza sobre a referência ao processo colaborativo.

Trabalhamos de maneira muito colaborativa entre nós mesmas, em termos de nossas várias estruturas. Acho que os processos colaborativo e contemplativo estão estreitamente ligados. Resolvemos junto as coisas, e naquele espírito de diálogo respeitoso quando outras pessoas, além da LCWR, estão envolvidas.

Durante a divulgação da visitação apostólica, perguntei-lhe como a senhora responderia às irmãs que ainda se sentem furiosas e não entenderam bem o que aconteceu ao longo deste processo. Gostaria de perguntar novamente, porém no atual contexto. Em 2012, a Irmã Pat Farrel trouxe a imagem de um para-raios. Na ocasião, disse: “Um para-raios atrai a descarga para si, canaliza-a e manda-a para a terra, garantindo-nos uma proteção. Um para-raios não mantém consigo a energia destrutiva, mas permite que ela vá para a terra e se transforme”.

Como a senhora acha que esta linguagem se aplica neste contexto? Como lidar com as irmãs que ainda não compreendem, ou que ainda estão furiosas ou mesmo confusas, com o que aconteceu com este mandado do Vaticano?

Creio que o mais importante é escutá-las. Às vezes há perguntas ou afirmações que podem ser esclarecidas, pois há pessoas que ouviram ou entenderam algo que não é verdadeiro. 

Mas quando as pessoas estão magoadas ou furiosas, penso que a primeira coisa que elas precisam é serem ouvidas. São outras palavras para dizer o mesmo que a Irmã Pat Farrel, quando ela emprega a imagem de um para-raios. O processo é o mesmo. A gente escuta, participa e tenta entender o que está acontecendo.

Tem alguma coisa que gostaria de dizer ou falar a respeito e que não foi perguntado?

Para terminar com uma nota de esperança, digo: seguir em frente. É este o nosso objetivo: seguir em frente.

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