Cardeal renova críticas contra religiosas dos EUA e diz não ser misógino

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09 Setembro 2014

O cardeal Gerhard Müller (foto), guardião da ortodoxia do Vaticano e a força que está por trás da investigação das religiosas norte-americanas em Roma, renovou suas críticas à Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas (Leadership Conference of Women Religious - LCWR), minimizando o tamanho e a importância do grupo e argumentando que o Vaticano está tentando ajudá-las a recuperar sua identidade religiosa antes que desapareçam.muller

A reportagem é de David Gibson, publicada no sítio Religion News Service, 02-09-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

"Acima de tudo, temos de esclarecer que não somos misóginos e não queremos devorar uma mulher por dia!", disse o cardeal Gerhard Müller ao L'Osservatore Romano, jornal semi-oficial do Vaticano, na edição publicada na última segunda-feira (1o de setembro).

Müller, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, disse ao jornal que as irmãs da LCWR "não representam todas as religiosas dos Estados Unidos, mas apenas um grupo de religiosas norte-americanas que fazem parte de uma associação".

Ele acrescentou: "Temos recebido muitas cartas aflitas de outras freiras pertencentes às mesmas congregações que estão sofrendo muito por causa da direção na qual elas" - as participantes da LCWR - "estão orientando sua missão".

A LCWR é uma rede de liderança de irmãs católicas que representa cerca de 80% das 50 mil religiosas dos EUA. O grupo foi criado em 1956 com o apoio de Roma. Mas nos últimos anos, com um posicionamento mais conservador, os bispos norte-americanos começaram a ficar cada vez mais críticos da inclinação liberal das várias congregações de irmãs que estão sob a alçada da LCWR.

Os esforços de contenção das irmãs vieram a público em abril de 2012, quando o Vaticano revelou que estava investigando a LCWR e denunciava que as irmãs estadunidenses estavam se afastando muito das doutrinas tradicionais nas especulações teológicas de alguns de seus membros.

O cão-de-guarda doutrinal do Vaticano também disse que as irmãs estavam demasiadamente centradas em questões de justiça social, como no cuidado dos pobres e na defesa dos imigrantes, e que estavam muito ativas na promoção da reforma dos serviços de saúde. Ele disse que as irmãs da LCWR deveriam gastar mais tempo propagando os ensinamentos da Igreja sobre sexualidade e aborto.

O Vaticano anunciou que pretendia reformar a LCWR e o Papa Bento XVI nomeou um trio de clérigos norte-americanos, liderados pelo arcebispo J. Peter Sartain, de Seattle, para supervisionar o processo e para dar a aprovação final nas decisões importantes da LCWR.

As religiosas, que ficaram surpresas com o relatório, rejeitaram as acusações do Vaticano. Eles disseram que cuidar das pessoas pobres e vulneráveis ​​da sociedade é fundamental para a sua missão histórica, e as idéias teológicas de algumas irmãs eram fruto do esforço para articular essa missão na Igreja de hoje e no mundo de hoje.

Alguns meses depois, o Papa Bento nomeou Müller para chefiar a Congregação para a Doutrina da Fé, e ele permaneceu no cargo mesmo depois da renúncia de Bento e foi substituído em março de 2013 pelo Papa Francisco. Francisco, membro da ordem religiosa jesuíta, é visto como muito mais aberto à divergências na Igreja e a favor da promoção dos ensinamentos de justiça social do catolicismo, e era esperado que ele minimizasse a investigação da LCWR ou acabasse com ela.

Mas Müller continuou a avançar com a tomada de controle da LCWR, e em um discurso feito em maio para as líderes da LCWR, Müller criticou o grupo, dizendo que as freiras estavam desrespeitando as diretivas do Vaticano e corriam o risco de perder o seu status de grupo aprovado pelo Vaticano.

Ele destacou a decisão do grupo de homenagear a teóloga da Fordham University, Ir. Elizabeth Johnson, em sua reunião anual em agosto. Johnson é uma das teólogas mais respeitadas dos EUA, mas um de seus livros foi criticado pela comissão doutrinária da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.

Müller disse na última primavera que a escolha de homenagear Johnson sem a aprovação de Sartain "seria vista como uma provocação bastante aberta contra a Santa Sé. (...) Não só isso, mas o fato de afastar ainda mais a LCWR dos bispos".

Quando Johnson recebeu o prêmio da LCWR no mês passado em Nashville, ela por sua vez desaprovou a tentativa do Vaticano de tomar o controle, dizendo que "o desperdício de tempo e energia nessa investigação é inconcebível".

Esta semana foi novamente a vez de Müller.

Embora o cardeal alemão tenha dito que a congregação doutrinal tem "tentado reduzir a hostilidade e a tensão", ele acrescentou que o Vaticano quer ajudar as congregações pertencentes à LCWR a "redescobrir a sua identidade", porque ele disse que as ordens "não têm mais vocações e correm o risco de morrer".

Os críticos conservadores da LCWR apontam para as quedas acentuadas nos números de membros de suas congregações e dizem que a culpa é da abordagem progressista adotada nas últimas décadas. As comunidades da LCWR estão envelhecendo rapidamente e atraem pouquíssimos membros, e os críticos dizem que esse não é o caso das comunidades pertencentes ao grupo rival conservador, o Conselho das Superioras Maiores de Mulheres Religiosas (Council of Major Superiores of Women ReligiousCMSWR), que foi estabelecido por Roma em 1992 como um contraponto à LCWR.

Mas a pesquisa mostra que, de fato, a LCWR e o CMSWR, que representa cerca de 20% das ordens religiosas femininas dos EUA, estão atraindo aproximadamente o mesmo número de novas postulantes e ambos enfrentam desafios semelhantes de declínio e envelhecimento de suas comunidades.

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