Religiosas americanas narram a história da visitação apostólica

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03 Novembro 2014

No dia 22 de dezembro de 2008, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica anunciou uma visitação apostólica para investigar a vida das irmãs nos Estados Unidos. Esse anúncio aparece no início do livro Power of Sisterhood: Women Religious Tell the Story of the Apostolic Visitation [Poder da Irmandade: Mulheres Religiosas contam a história da visitação apostólica], uma jornada de religiosas dos Estados Unidos. Nenhum relatório foi liberado para o público e as vidas e obras investigadas das irmãs não foram nem elogiadas, nem criticadas. A jornada continua através de um território inexplorado.

A reportagem é de Mary Ann McGivern, publicada no sítio National Catholic Reporter, 24-10-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Oito irmãs, membros da Leadership Conference of Women Religious (LCWR), que se autodenominaram como o grupo de base, queriam capturar a experiência da visitação. Elas elaboraram 18 perguntas e enviaram-nas para as 328 membros da LCWR. Cerca de 150 respostas válidas foram enviadas de volta.

Muitas perguntas questionavam: "Como você se sentiu quando ...": você leu o anúncio pela primeira vez; você entendeu as implicações da visitação; sua comunidade foi ou não foi selecionada para uma visitação local; etc. Outras perguntavam sobre o questionário elaborado pelos líderes da visitação; por exemplo, se todas, algumas ou nenhuma das perguntas foram respondidas e por quê. As perguntas finais queriam saber se a visitação teve alguma influência na forma como as entrevistadas atuam hoje como líderes.

O corpo do livro Power of Sisterhood detalha as respostas dadas à pesquisa do grupo de base. As respostas são muitas vezes emocionadas. Elas são variadas e detalhadas. Elas fornecem um retrato da consternação das irmãs sentida pelo desprezo aparente de suas vidas de dedicação e de seus esforços sinceros neste momento de crise para responder à investigação do Vaticano com integridade.

O livro começa com uma breve explicação sobre a visitação apostólica canônica na história da Igreja Católica e um resumo das questões recentes apresentadas pelos bispos dos Estados Unidos e outros sobre as comunidades religiosas norte-americanas que são membros da LCWR com relação a questões como teologia, feminismo, reforma e renovação.

A criação do Conferência das Superiores Maiores de Mulheres Religiosas em 1987 é descrita na seção "O fracasso do diálogo e da caridade", descrito pela autora como "fonte de dor e provavelmente de escândalo". Essa pequena referência chamou a minha atenção e, como leitora, pegou-me de surpresa. Eu sou uma irmã em uma comunidade que pertence à LCWR, mas eu não tinha pensado muito sobre a separação com as nossas irmãs mais conservadoras. Elas foram as visitadoras na série real de visitações locais à minha comunidade. Eu não estive presente, mas minhas irmãs que se reuniram com elas disseram que foi um encontro caloroso e envolvente. Agora eu me pergunto o que elas levaram consigo para casa e se seus encontros com a gente têm o potencial para nos unir novamente.

Os quatro capítulos finais são reflexões sobre a vida religiosa na atualidade. As comunidades que são membros da LCWR tornaram-se muito próximas umas das outras e mais capazes de apreciar o poder da colaboração na irmandade. Em um nível mais profundo, elas cresceram na apreciação de sua vocação de trabalhar nas margens em imitação a Cristo. A visitação inspirou profunda reflexão teológica em mulheres como Sandra Schneiders e análises críticas afiadas por mulheres como Joan Chittister. Também inspirou uma efusão de histórias de gratitude de leigos cujas vidas foram impactadas pelas irmãs.

Como diz um capítulo, a experiência da visita foi como patinar sobre gelo fino. As autoras utilizaram como tema o poema "Gelo fino no lago de Maria" de Cecília Jones. Jones, uma irmã da Congregação de Loretto, escreve que "de mãos dadas ... nós nos equilibramos na delicada tensão da esperança". As escritoras estendem a metáfora, descrevendo os medos do dia-a-dia, as esperanças e as ainda raras exultações entre as centenas de líderes religiosas e milhares de irmãs que fizeram parte do processo.

A editora Mary Ann Zollmann conclui considerando o que as comunidades religiosas ganharam pelo silêncio do Vaticano. Aliviadas pela ausência de relatórios, as irmãs têm crescido na compreensão da vida que eles escolheram. Depois de terem sido questionadas, elas estão confiantes de que o caminho em que estão é um bom caminho. No entanto, as irmãs lembram as centenas de relatórios sobre cada congregação, parados em alguma prateleira ou em uma caixa, sem nunca terem sido vistos pelos sujeitos da investigação. É um abuso de poder que as irmãs tem vivido em silêncio.

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