LCWR: "as irmãs estão à frente da hierarquia na vivência da renovação do Vaticano II", constata teóloga

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20 Agosto 2014

O Vaticano e as religiosas encontram-se em uma tensão com raízes históricas, sociológicas e eclesiásticas, mas uma solução poderia ser encontrada, disse a Irmã Elizabeth Johnson (foto).ejohnson

A teóloga da Fordham University elogiou as irmãs por seu compromisso com "um diálogo sincero e corajoso" e exortou-as a seguir em frente.

A reportagem é de Dan Stockman, publicada no sítio National Catholic Reporter, 15-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Johnson foi homenageada na sexta-feira, 15-08-2014, com o Prêmio de Excelência em Liderança pela Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas (LCWR), o maior grupo de mulheres líderes religiosas do país, que representam cerca de 80% das 51.600 irmãs nos Estados Unidos.

Tanto Johnson quanto a LCWR foram criticadas pela Igreja, e Johnson disse às cerca de 800 irmãs ali reunidas para a assembleia anual da LCWR que as críticas aos seus escritos e as críticas à LCWR estão interligadas.

Johnson é muito admirada pelos membros da LCWR e ela pediu-lhes para permanecerem firmes apesar da investigação da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano que ainda está em curso.

"Eu acho que nós duas (LCWR e a teóloga) estamos presas em uma situação adversa que não foi fabricada por nós", disse ela.

Johnson, uma irmã da Congregação de São José de Brentwood, Nova York, é considerada uma das arquitetas da teologia feminista. Publicou nove livros e mais de 100 artigos em revistas acadêmicas, resenhas de livros, capítulos de livros e artigos; sua obra foi traduzida para 13 idiomas. Ela tem um doutorado em Teologia pela Universidade Católica dos Estados Unidos e é uma ilustre professora de teologia na Fordham.

Johnson é ex-presidente da Catholic Theological Society e da ecumênica American Theological Society. Foi consultora do Comitê dos Bispos dos Estados Unidos sobre as mulheres na sociedade e na Igreja. Ela foi destaque em um calendário da Biblioteca do Congresso chamado "Mulheres que ousam".

Ela também é controversa. Em abril, o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ordenou que, após esta reunião da LCWR, os palestrantes em eventos do grupo deverão ser aprovados pelo arcebispo de Seatle, J. Peter Sartain, que lidera a agenda de reformas de cinco anos da congregação para a LCWR. Müller citou a escolha de Johnson para o Prêmio de Excelência em Liderança como uma das razões para o mandato, observando que Johnson foi "criticada pelos bispos dos Estados Unidos por causa da gravidade dos erros doutrinais em seus escritos". Sartain participou de todos os eventos públicos durante a assembleia da LCWR, exceto da apresentação de Johnson, pois ele já estava viajando de volta a Seatle na sexta à noite.

A diretora de comunicações da LCWR, Ir. Annmarie Sanders, da Congregação do Imaculado Coração de Maria, disse que a assembleia direcionou os membros do conselho para responder ao mandato, mas ela não iria dizer qual seria essa resposta.

"Elas disseram ao conselho para tomar os próximos passos", disse Sanders.

A declaração sobre a ação a ser tomada é esperada em algum momento depois da reunião do conselho de segunda-feira.

Em 2011, o comitê doutrinário da Conferência Episcopal dos Estados Unidos disse que o livro de Johnson de 2007, Quest for the Living God, não está de acordo com a doutrina oficial da Igreja Católica.

A escolha de Johnson como palestrante, disse Müller em abril "será vista como uma provocação bastante direta contra a Santa Sé e contra a avaliação doutrinal" e afasta ainda mais a LCWR dos bispos.

"A partir da declaração do cardeal Müller, parece que nem ele nem o pessoal que o está aconselhando leram o livro ou a minha resposta por escrito feita às preocupações levantadas, mas sim canalizam o parecer da comissão", disse Johnson aos membros da LCWR. "Mas a avaliação do comitê sobre "Quest" é em si teologicamente falha".

Johnson reiterou sua posição de que o livro não diz as coisas que a comissão afirma que diz e que ela não acredita nas coisas que eles dizem que ela escreveu.

A comissão "critica as posições que eu tomo que estão de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, e em vários casos, relata o oposto do que o livro realmente diz, a fim de encontrar a falha", disse ela. "Em minha opinião, e isso é difícil de dizer, mas eu creio que tal descuido com a verdade não é digno do magistério de um bispo".

Johnson disse que as críticas da Congregação para a Doutrina à LCWR são semelhantes.

"As declarações da investigação expressam mais uma insatisfação geral vaga ou uma desconfiança sobre determinados temas, e os pareceres são feitos de uma forma que não podem ser abordados de forma satisfatória", disse ela. Mas "a sua vontade de ficar na mesa para buscar a reconciliação através de uma conversação sincera e corajosa é um poderoso testemunho".

Johnson disse que, historicamente, sempre houve tensões entre comunidades religiosas e a hierarquia, porque as primeiras estão baseadas em uma vida radical do Evangelho e a outra está baseada na administração, que exige ordem.

A questão também é sociológica, disse ela.

"A Igreja não começou dessa forma, mas, como instituição, ela evoluiu para uma estrutura patriarcal, onde a autoridade é exercida de cima para baixo, e onde a obediência e a lealdade para com o sistema são as maiores virtudes", disse Johnson.

Por fim, disse, as tensões são eclesiásticas, porque as religiosas implementaram a renovação solicitada pelo Concílio Vaticano II, e a hierarquia, não.

"Certamente, a LCWR e as irmãs que a lideram estão longe de serem perfeitas, mas elas tem cheiro de ovelhas", disse ela, sob fortes aplausos. "A renovação pós-Vaticano II não ocorreu na Congregação para a Doutrina da Fé".

A LCWR disse que Johnson foi escolhida por suas distintas realizações acadêmicas, contribuições escolásticas e por seu foco consistente naqueles que sofrem e estão passando necessidade.

"Através de seu engajamento nas questões mais difíceis do nosso tempo e sua atenção para as violações na amada criação de Deus", diz a declaração da LCWR sobre o prêmio, "ela trabalha incansavelmente para a mudança em nosso mundo, mudança que está de acordo com a visão de Jesus sobre o reino de Deus".

A irmã franciscana Nancy Schreck, que foi a palestrante principal deste ano, disse que o discurso de Johnson foi "fabuloso".

"Ela cita as coisas de forma tão clara, mas, ao mesmo tempo, seu compromisso com a fé é inquestionável", disse Schreck.

A irmã Maureen Fiedler, da Congregação de Loretto, elogiou a avaliação de Johnson sobre a situação.

"Sua análise das dificuldades entre a hierarquia e o posicionamento das comunidades religiosas foi exata, e ela mostrou isso de muitas formas", disse ela.

Após seu discurso, Johnson recebeu uma longa ovação de pé, e depois, dezenas de irmãs esperaram na fila para falar com ela, enquanto dezenas de outras esperaram fora da sala para fazer pedidos das gravações de áudio do discurso.

Johnson encerrou a conversa compartilhando uma foto da época do apartheid de um muro na África do Sul, onde alguém tinha escrito "Hang Mandela!" [Enforquem Mandela!]. Alguém veio e desenhou um "on" para tornar a mensagem "Hang on Mandela!" [Aguenta firme, Mandela], mudando completamente o significado do que tinha sido uma declaração contra o herói antiapartheid Nelson Mandela, que ainda estava na prisão na época.

Essa criatividade, segundo ela, subverteu um insulto em uma inspiração, uma maldição em uma bênção, a mesma criatividade pode ser usada para mudar a situação atual.

E assim, aos membros da LCWR, ela insistiu, "On!" [Adiante!]

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