Alguns dados econômicos presentes na obra de Thomas Piketty “vieram do nada”

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27 Maio 2014

Livro do economista francês sobre a desigualdade crescente no mundo ocidental minado por dados “sem explicação”, diz o Financial Times.

A reportagem é de Jamie Doward, publicada pelo jornal The Observer, 24-05-2014. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Até poucos dias o destacado economista Thomas Piketty tinha o mundo a seus pés. Deu palestras na Casa Branca, no Fundo Monetário Internacional e nas Nações Unidas.

O seu livro de 577 páginas intitulado “Capital in the Twenty-First Century” [O capital no século XXI], best-seller inesperado, tem sido o equivalente à obra “O Código da Vinci”, de Dan Brown. Com base numa premissa simples – a de que as dinâmicas da acumulação de riqueza estão alargando os níveis da desigualdade mundial –, foi elogiado igualmente por economistas e líderes empresariais.

Adair Turner, ex-presidente da Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido, descreveu “O capital” de Piketty como “um trabalho notável”, enquanto Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de economia, disse que o livro vai “mudar tanto a forma como pensamos a respeito da sociedade quanto a forma como fazemos economia”.

Hoje, entretanto, após um movimento que encantou seus múltiplos críticos direitistas, os quais veem o tomo de Piketty como um sucessor perigoso e moderno do “Das Kapital” de Karl Marx, o economista francês de 43 anos se vê atraindo uma forma menos confortável de atenção. O Financial Times sugeriu que a obra de Piketty contém uma série de erros que parecem minar, em grande parte, sua tese. A publicação afirma que alguns dos dados que Piketty usa para sustentar seus argumentos sobre a crescente desigualdade na Inglaterra e na Europa são dúbios ou sem explicação. Em parte, diz o artigo, isso pode ser decorrente de erros de transcrição. E o que seria mais condenatório ainda, diz, é que “alguns dos dados parecem simplesmente terem sido construídos do nada”.

O texto do jornal vai mais longo ao ponto de sugerir que os resultados o livro se assemelham àqueles do ano passado que minaram o livro de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, economistas de Harvard, os quais analisaram a relação entre o crescimento e o endividamento e que, posteriormente, se descobriu estar baseado numa planilha que continha falhas.

Bloomberg descreveu as alegações como bombásticas. Alguns da direita ficaram felizes dando a entender que isso trazido pelo Financial Times irá inviabilizar as chances de Piketty vencer o Prêmio Nobel. Mas, na medida em que a poeira abaixa, até mesmo muitos dos críticos relutam em afirmar que Piketty acabará ferido com o processo de coleta e interpretação dos dados realizado, bem como não concordam que as afirmações publicadas pelo jornal tenham causado grandes danos à tese geral.

O próprio Piketty falou ao Financial Times: “Não tenho dúvidas de que a minha série de dados históricos possa ser melhorada e que irá ser melhorada no futuro (...). Mas eu ficaria bastante surpreso se alguma das conclusões substantivas sobre a evolução no longo prazo das distribuições de riqueza viesse a ser muito afetada por estes ajustes”. Foi Piketty que tornou os dados disponíveis livremente de forma que outros pudessem conferir a sua obra e suas publicações influentes.

A revista The Economist concluiu que “a análise não parece dar base a muitas das afirmações feitas pelo Financial Times, ou da conclusão de que a discussão do livro esteja errada”.

Se esta polêmica contribuiu em algo, foi no sentido de despertar mais o interesse num livro que ainda está entre os 20 mais procurados no site de vendas Amazon e que, em princípio, vendeu mais de 200 mil exemplares, uma quantia inédita para livros de economia.

Ao escrever para o blog Institute for Public Policy Research, Declan Gaffney concluiu: “Não há dúvida de que o quadro será modificado ao longo do tempo à luz de novas provas e teorias, mas parece certo que iremos estar olhando – por muito tempo – para a concentração de riqueza e outros aspectos mais amplos da economia e mudança social através das lentes do livro de Piketty”.

Para o leigo que tenta arbitrar o caso, que tenta interpretar conceitos obscuros tais como o de coeficiente de Gini e, como Gaffney resume perfeitamente, se “a desigualdade de r > g está ampliando a tendência de reconcentração”, as explicações são pouco perceptíveis. Para seus críticos, porém, trata-se de mais uma confirmação de por que a economia chama-se a ciência do desânimo.

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