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17 Abril 2014

Um dos lemas dos protestos de 2011 do Occupy foi que o “capitalismo não está mais funcionando”. Agora, num livro épico e inovador, o economista francês Thomas Piketty explica por que eles estavam certos.

A reportagem é de Andrew Hussey, publicada pelo jornal The Observer, 13-04-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A École d’Économie de Paris  está atualmente situada na parte menos parisiense da cidade. Encontra-se no bulevard Jourdan, na extremidade mais baixa da 14ª arrondissement, limitada de um lado pelo Parc Montsouris. Diferentemente da maioria dos parques franceses, há uma clara falta ordem gaulesa aqui; na verdade, com lagos, espaços abertos e seus patos gananciosos e curiosos, poder-se-ia facilmente se sentir num parque de qualquer cidade da Inglaterra. O campus desta faculdade, no entanto, se parece, de modo inequívoco e tranquilizador, com quase todos os campi das universidades francesas. Quer dizer, é cinza, sem graça e derrubado, com corredores cheirando vagamente a repolho. É aí onde arranjei uma entrevista com o professor Thomas Piketty, francês jovem e modesto (está na casa dos 40), que passou a maior parte de sua carreira nos arquivos e na coleta de dados, mas que está prestes a emergir como um dos mais importantes pensadores de sua geração – tal como colocou o acadêmico de Yale Jacob Hacker: um livre pensador e um democrata que não é outra coisa senão um “Alexis de Tocqueville do século XXI”.

Isso se deve ao seu último livro, chamado “Capital in the Twenty-First Century” [O capital no século XXI]. Trata-se de uma obra enorme, com mais de 700 páginas, densa e repleta de notas, gráficos e fórmulas matemáticas. À primeira vista é descaradamente um tomo acadêmico e parece tanto assustador como incompreensível. No entanto, nas últimas semanas e meses o livro desencadeou firmes debates nos Estados Unidos sobre a dinâmica do capitalismo, e especificamente sobre o aumento aparentemente imparável da minúscula elite que controla, mais e mais, a riqueza mundial. Em blogs e websites não especializados em todo os EUA, a obra aqueceu discussões sobre o poder e o dinheiro, questionando o mito presente exatamente no centro da vida americana – o de que o capitalismo melhora a qualidade de vida para todos. Isso simplesmente não é o caso, diz Piketty, sustentando esta afirmativa de forma clara e rigorosa que desmascara tudo o que os capitalistas acreditam sobre o status ético do fazer dinheiro.

O status inovador do livro foi reconhecido por um recente e extenso ensaio publicano na revista The New Yorker em que Branko Milanovic, ex-economista do Banco Mundial, foi citado descrevendo a publicação de Piketty como “um dos livros divisores de águas no pensamento econômico”. Nesse mesmo sentido, um colunista da revista The Economist disse que a obra de Piketty reescreveu, de forma fundamental, 200 anos de pensamento econômico sobre a desigualdade. Em suma, as discussões têm se centrado em dois polos: o primeiro é o da tradição que se inicia com Karl Marx, que acreditava que o capitalismo destruiria a si próprio na busca interminável de rendimentos decrescentes de lucro. Na extremidade oposta do espectro está a obra de Simon Kuznets, que venceu um prêmio Nobel em 1971 e que sustentou a afirmação segundo a qual a lacuna da desigualdade inevitavelmente encolhe na medida em que as economias se desenvolvem e se tornam sofisticadas.

Piketty diz que nenhum destes argumentos enfrentam as provas que ele acumulou. Mais precisamente, o autor demonstra que não há motivo para se acreditar que o capitalismo pode, algum dia, resolver o problema da desigualdade, que, insiste ele, está piorando em vez de melhorar. Da crise bancária de 2008 ao movimento de 2011 Occupy, muito disso foi intuído pelas pessoas comuns. A significação singular de seu livro é a de que ele prova “cientificamente” que esta intuição está correta. É por isso que seu livro fez sucesso: ele diz o que muitos já vêm pensando.

“Eu deliberadamente almejei o leitor em geral com este livro”, diz Piketty assim que começamos nossa conversa, “e, embora ele seja obviamente um livro que pode ser lido por especialistas também, eu quis que a informação aqui estivesse clara para qualquer um que queira ler”. De fato, é preciso dizer que “Capital in the Twenty-First Century” é, surpreendentemente, legível. É repleto de anedotas e referências literárias que iluminam a narrativa. Outro fato que também ajuda é que a obra foi traduzida [para o inglês] fluentemente por Arthur Goldhammer, um estilista literário que abordou a obra de autores como Albert Camus. Mas, mesmo assim, na medida em que vejo que o livro de Piketty se encontra alinhado nas estantes de títulos de quebrar a cabeça – tais como “The Principles of Microeconomics” [Os princípios da microeconomia] e “The Political Influence of Keynesianism” [A influência política do keynesianismo] –, pessoas simples como eu ainda precisarão de alguma ajuda. Então, perguntei a ele as perguntas mais óbvias que poderia fazer: Qual é a grande ideia por trás do livro?

“Comecei com um simples problema de pesquisa”, diz ele em inglês com um elegante sotaque francês. “Comecei a me perguntar, há alguns anos, onde estavam os dados concretos por trás de todas as teorias a respeito da desigualdade, desde Marx até David Ricardo (o economista inglês do século XIX e defensor do livre comércio), incluindo pensadores mais contemporâneos. Comecei na Inglaterra e nos Estados Unidos e descobri que, na verdade, não havia muita coisa. Então, descobri que os dados que realmente existiam contradiziam quase todas as teorias, incluindo Marx e Ricardo. Em seguida, comecei a olhar para outros países e percebi um padrão que começava a surgir, qual seja, o de que o capital, e o dinheiro que ele produz, acumula-se mais rapidamente do que o crescimento nas sociedades de capital. E este padrão, que vimos pela última vez no século XIX, tem se tornado ainda mais predominante desde a década de 1980, quando os controles sobre o capital foram suspensos em muitos países ricos”.

Portanto, a tese de Piketty, sustentada por sua extensa pesquisa, é a de que a desigualdade financeira no século XXI está em ascensão e acelerando num ritmo muito perigoso. Por um lado, isso muda a forma como olhamos para o passado. Já sabíamos que o fim do capitalismo previsto por Marx nunca aconteceu – e que mesmo na época da Revolução Russa, de 1917, os salários em toda a Europa já se encontravam em ascensão. Já sabíamos também que a Rússia era, de qualquer modo, o país menos desenvolvido do continente e que foi por isso que o comunismo criou raízes aí. Piketty passa a apontar, no entanto, que somente as crises diversas do século XX – principalmente as duas guerras mundiais – impediram o crescimento constante da riqueza ao nivelar, temporária e artificialmente, a desigualdade. De forma contrária à nossa percepção do século XX como uma era em que a desigualdade fora apagada, em termos reais esta sempre esteve em ascensão.

No século XXI, este não só é o caso nos assim-chamados países “ricos” – EUA, Reino Unido e Europa ocidental –, mas também na Rússia, na China e em outros países que estão numa fase de desenvolvimento. O verdadeiro perigo é que, se este processo não for detido, a pobreza irá aumentar no mesmo ritmo e, argumenta Piketty, que podemos muito bem constatar que o século XXI será um século de maior desigualdade, e portanto de uma maior discórdia social, do que o século XIX.

Embora ele explique suas ideias para mim com fórmulas e teoremas, tudo isso ainda soa demasiado técnico. (Fui alguém que teve problemas com a Matemática.) Mas ao escutar cuidadosamente o que diz Piketty (ele claramente é um bom e paciente professor) e analisar pormenorizadamente, o que se presenta começa a fazer sentido. Para este iniciante aqui, ele explica que renda é um fluxo: move-se e pode crescer e se modificar segundo o rendimento. Capital é um estoque: sua riqueza vem do que se acumula “em todos os anos anteriores juntos”. É um pouco como a diferença entre saque a descoberto e hipoteca, e se a gente nunca se tornar dono de nossa própria casa, nunca teremos estoque algum e sempre seremos pobres.

Em outras palavras, o que ele está dizendo em termos globais é que os que têm capital e ativos que geram riqueza (tal como um príncipe saudita) sempre serão mais ricos do que os empresários que estão tentando fazer capital. A tendência do capitalismo neste modelo é de concentrar mais e mais riqueza nas mãos de cada vez menos pessoas. Mas já não sabíamos disso? Já não sabíamos que o rico enriquece e o pobre empobrece? E a banda The Clash e outras não cantavam isso em suas letras durante os anos 1970?

“Bem, na verdade não sabíamos disso, embora poderíamos ter imaginado”, diz Piketty, preparando-se para entrar no assunto. “Em primeiro lugar, esta é a primeira vez que acumulamos as informações que provam que este é o caso. Em segundo lugar, embora eu não seja um político, é óbvio que este movimento, que está se acelerando, terá implicações políticas: todos nós estaremos mais pobres no futuro em todos os sentidos e isso estabelece uma crise. Provo que, sob as atuais circunstâncias, o capitalismo simplesmente não pode funcionar”.

Piketty diz, curiosamente, que ele é um anglófilo e, de fato, começou sua carreira de pesquisador com um estudo a respeito do sistema inglês de imposto de renda (“um dos dispositivos políticos mais importantes da história”). Mas também diz que os ingleses têm uma fé cega demasiada nos mercados que nem sempre eles compreendem. Debatemos a atual crise nas universidades inglesas, as quais, agora impondo mensalidades, descobrem que estão sem dinheiro porque o governo calculou erroneamente o que os alunos teriam de pagar e agora não tem condições de garantir que os empréstimos concedidos para cobrir tais despesas serão algum dia reembolsados. Em outras palavras, o governo pensou que faria dinheiro certo ao introduzir mensalidades; na verdade, porque que ele não pôde controlar todas as variáveis do mercado, jogou com o dinheiro do país e agora se mostra prestes a perder de modo espetacular. Piketty dá uma risada: “Este é um exemplo perfeito de como infligir dívida no setor público. Algo bastante extraordinário e completamente impossível de se imaginar na França”.

Por mais que seja um conhecedor rigoroso de assuntos econômicos relacionados à Inglaterra e aos Estados Unidos, Piketty diz que apenas se sente à vontade quando se trata da França. O livro “Capital in the Twenty-First Century” é construído partir de uma infinidade de referências francesas (o historiador François Furet é central), e Piketty declara melhor conhecer o cenário político francês. Foi criado em Clichy, num bairro em grande parte formado pela classe trabalhadora; seus pais foram militantes da “Lutte Ouvrière” (Luta dos trabalhadores), partido essencialmente trotskista que ainda conta com número significativo de seguidores na França. Como muitos de sua geração, desapontados pelo fracasso da quase-revolução de maio de 68, abandonaram tudo para criar cabras em Aude – uma trajetória clássica para muitos dos babacools (hippies esquerdistas daquela geração). No entanto, o jovem Piketty deu duro na escola; estudou em Paris e concluiu o doutorado na Faculdade de Economia de Londres com 22 anos. Ele então foi para o Massachusetts Institute of Technology, onde era um prodígio válido de nota, antes de voltar a Paris para finalmente se tornar diretor da faculdade onde estamos neste momento sentados.

O seu itinerário político começou, diz ele, com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Ele se pôs a viajar por toda a Europa oriental e ficou fascinado pelos escombros do comunismo. Foi este fascínio inicial que o levou em direção a uma carreira de economista. A Guerra do Golfo, em 1991, também o influenciou. “Pude ver então que tantas decisões erradas foram tomadas por políticos porque eles não entendiam de economia. Mas não sou político. Este não é o meu trabalho. Mas eu ficaria feliz se os políticos pudessem ler minha obra e tirassem algumas conclusões a partir dela”.

Piketty está sendo um pouco desonesto aqui, pois de fato trabalhou como assessor para Ségolène Royal em 2007, quando esta foi a candidata socialista nas eleições presidenciais. Estes tempos não constituíram um período feliz para ele: o seu caso amoroso com a política e romancista Aurélie Filipetti, outra acólita de Ségolène Royal, terminou na mesma época com acusações amargas de ambos os lados. É justo que, depois desta empresa obscura, Piketty queira se distanciar da confusão da política real.

Mas não importa. O que aprendemos? O capitalismo é mau. Viva! E qual a alternativa? O socialismo? Espero que sim. “Não é bem assim”, diz ele, frustrando este aqui a ouvir, que fora marxista na adolescência. “O que defendo é um imposto progressivo, um imposto global, com base na taxação da propriedade privada. Esta é a única solução civilizada. As outras soluções são, penso eu, muito mais bárbaras, com isso quero dizer: o sistema oligárquico da Rússia, no qual não acredito, e a inflação, que é verdadeiramente um imposto sobre os pobres”. Piketty explica que a oligarquia, em particular no atual modelo russo, é simplesmente a regra dos demasiadamente ricos sobre a maioria. Isso é tirania e nada mais do que uma forma de banditismo. Acrescenta que os muito ricos normalmente não são afetados negativamente pela inflação – de alguma forma a riqueza deles aumenta –, mas que os pobres sofrem com o aumento do custo de vida. Um imposto progressivo sobre a riqueza é a única solução sensata.

Embora ele esteja sendo razoável em tudo isso, grande parte do que fala é do senso comum, digo-lhe que nenhum partido político na Inglaterra ou nos Estados Unidos, de direita ou esquerda, se atreveria ir às urnas com tais ideias idealistas. O atual governo de François Hollande é amplamente desprezado não por causa dos pecadilhos sexuais do presidente (pelo contrário, estes são em grande parte admirados), mas por causa do regime de imposto punitivo que ele vem buscando impor.

“Isso é verdade”, diz ele. “É claro que é verdade. Mas é verdade também, como eu e meus colegas mostramos neste livro, que a situação atual não pode se sustentar por muito tempo. Não se trata necessariamente de uma visão apocalíptica. Fiz um diagnóstico das situações do passado e do presente, e realmente acho que há soluções. Mas antes de chegarmos a elas, devemos entender a situação. Quando comecei, simplesmente coletando dados, fiquei realmente surpreso pelo que encontrei: que a desigualdade está crescendo tão rapidamente e que o capitalismo não pode, aparentemente, resolvê-la. Muitos economistas começam pela maneira inversa, fazendo perguntas sobre a pobreza, mas eu quis entender como a riqueza, ou a extrema riqueza, está contribuindo para aumentar a lacuna da desigualdade. E o que percebi é que, com dito antes, a velocidade na qual a lacuna da desigualdade cresce está ficando mais e mais rápida. É preciso perguntar o que isso significa para as pessoas comuns, que não são bilionárias e que jamais irão ser bilionárias. Ora, eu acho que isso significa uma deterioração na primeira instância do bem-estar econômico do coletivo, em outras palavras: a degradação do setor público. Basta apenas ver o que o governo Obama quer fazer – que é minar a desigualdade na assistência à saúde e assim por diante – e quão difícil está sendo para se compreender a importância que isso representa. Há uma crença fundamentalista por parte dos capitalistas de que o capital salvará o mundo, e isso simplesmente não é o caso. Não por causa do que Marx disse sobre as contradições do capitalismo, pois, como descobri, o capital é um fim em si e nada mais”.

Piketty profere este discurso, erudito e poderoso, com uma paixão silenciosa. Ele é, poder-se-ia imaginar, um tipo relativamente modesto e discreto, mas ama o que faz e é, realmente, um prazer encontrar-se em meio de um seminário privado sobre dinheiro e como ele funciona. De fato, o seu livro é extenso e complicado, mas qualquer um que viva no mundo capitalista, quero dizer todos nós, pode compreender os debates que ele faz sobre a forma como as coisas funcionam. Uma dos elementos mais penetrantes disso tudo é o que ele tem a dizer sobre a ascensão dos administradores, ou “superadministradores”, que não produzem riqueza, mas que desviam um salário daí. Isso, sustenta Piketty, é efetivamente uma forma de roubo, porém não é o pior crime dos superadministradores. O que é mais prejudicial é a forma como eles se fixaram na competição com os bilionários cuja riqueza, acelerando para além da economia, sempre ficará fora de alcance. Isso cria um jogo permanente cujas vítimas são os “perdedores”, isto é, as pessoas comuns que não aspiram a tais status ou riquezas, mas que devem ser desprezadas não obstante pelos executivos-chefe, vice-presidentes e outros lobos de Wall Street. Neste momento, Piketty desfaz uma das grandes mentiras do século XXI: a de que os superadministradores merecem o dinheiro que têm porque, como os jogadores de futebol, possuem habilidades especializadas que pertencem a uma elite quase sobre-humana.

“Uma das grandes forças divisionistas a trabalho hoje”, diz ele, “é o que chamo extremismo meritocrático. Este é o conflito entre bilionários cuja renda vem de imóveis e ativos, tais como um príncipe saudita, e de administradores. Nenhuma destas categorias faz ou produz coisa alguma senão sua riqueza, que é realmente uma super-riqueza que se distanciou da realidade concreta do mercado, o qual determina como a maioria das pessoas comuns vivem. Pior ainda, elas competem entre si para aumentar suas riquezas, e o pior de todos os cenários é a forma como os superadministradores, cuja renda se baseia efetivamente na ganância, continuam aumentando seus salários, independentemente da realidade do mercado. É isso o que aconteceu com os bancos em 2008, por exemplo”.

É este tipo de pensamento que torna a obra de Piketty tão atraente e convincente. Diferentemente de muitos economistas, ele insiste que o pensamento econômico não pode se separar da história ou da política; é isso o que dá a seu livro o alcance que o americano Paul Krugman, prêmio Nobel, descreveu como “épico” e de uma “visão abrangente”. A influência de Piketty, aliás, está crescendo muito além da fechada microssociedade dos economistas acadêmicos. Na França, ele está se tornando amplamente conhecido como comentador sobre questões públicas, escrevendo principalmente para os jornais Le Monde e Libération, e suas ideias são frequentemente discutidas por políticos de todos os matizes em programas de assuntos atuais, como o Soir 3 [programa televisivo francês]. Talvez o mais importante, e curioso, seja a sua influência crescente no mundo da política dominante anglo-americana (aparentemente, o livro é o favorito nos círculo interno de Miliband) –, lugar tradicionalmente indiferente para com professores franceses de economia. Na medida em que a pobreza aumenta em todo o mundo, as pessoas estão sendo forçadas a ouvir o que Piketty tem a dizer com grande atenção. Mas, embora o seu diagnóstico seja preciso e convincente, é difícil, quase impossível, imaginar que a cura que ele propõe – impostos e mais impostos – algum dia seja implementada num mundo onde, desde Pequim, passando por Moscou até Washington, o dinheiro e aqueles que mais o têm do que qualquer outro ainda estão no controle.

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