Um bilhão de dólares por mês. A vacina contra a Covid é um grande negócio para a Pfizer

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05 Mai 2021

 

Mais de um bilhão de dólares por mês graças à vacina contra a Covid, um faturamento de 3,5 bilhões apenas no primeiro trimestre. Receitas em claro aumento, dividendos elevados, mas acima de tudo previsões ainda mais otimistas: os números divulgados pela Pfizer são assombrosos após os primeiros três meses de 2021, o ano da vacina contra a Covid.

A reportagem é de Claudio Paudice, publicada por Huffington Post, 04-05-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

A multinacional melhorou sua projeção para 2021 e agora espera que as receitas fiquem entre US $ 70,5 e US $ 72,5 bilhões no ano (entre US $ 3,55 e US $ 3,65 por ação). A previsão anterior, por outro lado, previa receitas de cerca de 60 bilhões de dólares. Mas basta olhar as contas e as estimativas recém-divulgadas para entender que 2021 será um ano inesquecível para a multinacional estadunidense: no primeiro trimestre de 2021, o faturamento foi de 14,58 bilhões de dólares, em claro aumento em relação aos 10,08 bilhões do ano passado. O resultado é ainda melhor do que as estimativas e, como é óbvio, pode ser atribuído em grande parte à comercialização da vacina contra a Covid desenvolvida em conjunto com a alemã BioNTech. A receita proveniente exclusivamente do medicamento BNT162b2 foi de 3,5 bilhões de dólares entre janeiro e março. Sem as vacinas, o aumento do faturamento é ″apenas″ de 8%. Por fim: o lucro líquido entre janeiro e março foi de 4,877 bilhões, em relação aos 3,5 do ano anterior.

Os próximos meses não ficarão atrás, já que a empresa farmacêutica dos EUA espera vendas em 2021 de US $ 26 bilhões relativas apenas à vacina, acima de sua previsão anterior de cerca de 15 bilhões, quase o dobro. A meta é administrar 1,6 bilhão de doses da vacina contra a Covid. Para se ter uma ideia, basta pensar que de acordo com os dados atualizados de 3 de maio, já foram entregues 430 milhões de doses em 91 países e territórios ao redor do mundo.

Mas já nos primeiros três meses do ano, o faturamento da Pfizer é impressionante. As receitas aumentaram US $ 4,5 bilhões, ou 45%, em relação ao trimestre anterior. A força motriz por trás das receitas da BNT162b2, no valor de 3,5 bilhões de dólares, fez com que o lucro por ação aumentasse 47% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A empresa sediada em Nova York declarou que teve um lucro de 93 centavos por ação. Os resultados superaram as expectativas de Wall Street: a estimativa média de cinco analistas entrevistados pela Zacks Investment Research era de 79 centavos por ação. Os acionistas receberam dividendos de US $ 0,39 por ação, para um total de US $ 2,2 bilhões pagos pela Pfizer nos primeiros três meses do ano. Ainda no segundo trimestre o Conselho de Administração deliberou o mesmo valor por ação.

Ganhos possíveis apenas graças às compras maciças dos países industrializados da União Europeia e da América do Norte. Em 2021 haverá um total de 600 milhões de doses que Pfizer e BioNTech entregarão aos 27 países membros da União Europeia, e 300 milhões para os Estados Unidos, além de vários milhões para Israel e Canadá, num total de 1,6 bilhão de doses, segundo os últimos contratos firmados pela multinacional em meados de abril. E não está excluído que até dezembro outros possam ser assinados, caso em que as previsões atualizadas serão revisadas.

Mas, embora o mundo inteiro precise de uma vacina, nem todos os países têm igual poder econômico e os números sobre o andamento das vacinações naqueles menos avançados são uma triste confirmação disso, além de representar uma condenação implícita contra aqueles que tiveram a sorte de nascer na parte "certa" do mundo. A pandemia de fato aprofundou mais ainda o abismo entre os países de renda média e alta - onde se concentra a maior disponibilidade de vacinas anti-SarsCoV2 - e os de baixa renda. Apenas 0,2% das doses disponíveis até o momento chegaram a estes últimos, segundo os números da OMS. O continente africano é aquele que sofre há meses a mais grave escassez de medicamentos contra a Covid.

Uma boa notícia para a África do Sul, que tem o maior número de casos e mortes por Covid-19 em toda a África, é a chegada de seu primeiro lote da vacina Pfizer de 325.260 doses. Espera-se que muitas outras remessas de vacinas da Pfizer sejam entregues nas próximas semanas, totalizando 4,5 milhões de doses até o final de junho e 30 milhões até o final do ano, além da entrega de 31 milhões de doses da vacina Johnson & Johnson: a meta declarada é imunizar 40 milhões de cidadãos, dos 60 milhões de habitantes, até fevereiro de 2022. De acordo com o African Center for Disease Control and Prevention, a África do Sul registrou um total de mais de 1,58 milhão de casos confirmados, incluindo mais de 54.000 mortes e até agora vacinou pouco mais de 317.000 de seus 1,2 milhão de trabalhadores de saúde. Olhando por um ângulo mais amplo, o número assusta: em todo o continente africano apenas 1,3% dos habitantes receberam a primeira dose.

No entanto são um bilhão e 134 milhões de doses da vacina administradas em todo o mundo, das quais mais de 20% - 240 milhões - nos Estados Unidos. Cerca de 272 milhões de pessoas completaram o ciclo de vacinação, o equivalente a 3,5% da população mundial. Mas 83% das vacinações realizadas, destaca o Comitê No Profit on Pandemic - que lançou uma campanha com o objetivo de um milhão de assinaturas para pedir à UE a suspensão das patentes de vacinas e medicamentos anti-Covid - está em alta em países de renda média. Apenas 0,2% das doses foram administradas em países de baixa renda. O resultado é que enquanto 47 em cada 100 pessoas na América do Norte receberam pelo menos uma dose da vacina e 30% na Europa, a porcentagem cai drasticamente na Ásia, onde 12% da população recebeu pelo menos uma dose. Sem mencionar a África.

 

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