As grandes farmacêuticas pagaram 21,6 bilhões de euros a seus acionistas, dinheiro suficiente para vacinar toda a África

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23 Abril 2021

A Alianza People’s Vaccine, uma coalizão de organizações que inclui Oxfam, Salud por Derecho, Yunus Center, Frontline AIDS, ONUSIDA e Global Justice Now, entre outras, calculou que Pfizer, Janssen e AstraZeneca pagaram 21,6 bilhões de euros entre dividendos e recompras de ações a seus acionistas, nos últimos 12 meses. Um valor que paga a vacinação de ao menos 1,3 bilhão de pessoas, o equivalente à população da África e cujo custo de doses por pessoa seria de 16,6 euros.

A reportagem é de Elisa García Carril, publicada por Público, 22-04-2021. A tradução é do Cepat.

As vacinas da Moderna e Pfizer estão se tornando os produtos farmacêuticos mais vendidos. Além disso, suas vacinas são as mais caras, oscilam de 11,22 a 61,52 euros por vacinação completa. Por outro lado, as duas empresas planejam aumentar os preços.

Protestos contra a privatização

As assembleias de acionistas começam no dia 22 de abril. As primeiras farmacêuticas serão Pfizer e Johnson & Johnson, depois, Moderna e AstraZeneca. As reuniões acontecerão nos Estados Unidos e Reino Unido e, em suas portas, haverá protestos contra a privatização das vacinas de covid-19. Cada vez são mais as vozes que pressionam a indústria farmacêutica para que conceda licenças não exclusivas e abertas sobre a propriedade intelectual e compartilhe a tecnologia e o conhecimento com produtores de vacinas qualificados de todo o mundo.

A economia mundial sofre uma grande estagnação por causa da desigualdade e a lenta distribuição das vacinas. Esta crise possibilitou a criação de uma nova onda de bilionários. O fundador da BioNTech, Ugur Sahin, acumula uma fortuna de 5,9 bilhões de dólares, ao passo que o diretor-executivo da Moderna, Stephane Bancel, 5,2 bilhões de dólares.

Segundo informações publicadas, Bancel recebeu mais de 142 milhões de dólares em ações da Moderna, desde que a pandemia começou. Por outro lado, a Câmara de Comércio Internacional projeta uma perda do PIB de 9 bilhões de dólares, no pior dos casos.

Países ricos versus países pobres

Uma em cada quatro pessoas se vacinou nos países ricos, ao passo que só uma em cada 500 se vacinou nos países mais pobres. Uma situação que faz com que o vírus siga fora de controle e que o número de mortes continue aumentando. Segundo os epidemiologistas, temos menos de um ano antes que as mutações tornem as vacinas atuais ineficazes.

Na semana passada, 175 personalidades, ex-chefes de estado e ganhadores do Prêmio Nobel, incluídos Gordon Brown, Ellen Johnson Sirleaf, François Hollande e Jose Luis Rodríguez Zapatero, escreveram ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em apoio à suspensão temporária dos direitos de propriedade intelectual das vacinas covid-19 para permitir um rápido aumento da produção em todo o mundo. Estes apoios se somam aos de um milhão e meio de pessoas na Europa, Estados Unidos e outros países que pedem uma vacina para a sua população.

Há meses, diversas organizações internacionais estão apoiando a supressão das patentes das vacinas para solucionar a sua falta, mas a iniciativa que tornaria isso possível na Organização Mundial do Comércio (OMC) está bloqueada pelos países ricos.

Mais de 100 países de rendas baixas e médias, liderados por Índia e África do Sul, estão pedindo à OMC uma isenção dos direitos de propriedade intelectual das tecnologias para a covid-19 enquanto durar a pandemia, uma medida recusada até agora pelos Estados Unidos, União Europeia e outras nações ricas.

A recusa das farmacêuticas

As principais empresas farmacêuticas se opõem ferozmente a compartilhar de forma aberta a tecnologia e a suspensão temporária da propriedade intelectual. O diretor-executivo da Pfizer respondeu à iniciativa da OMS em favor de compartilhar a tecnologia das vacinas e, assim, permitir que outros produtores qualificados possam fabricar mais doses afirmando que era “uma bobagem” e que também “é perigoso”.

Maaza Seyoum, da Aliança de Vacinas dos Povos na África, lembra que os grandes negócios “não acabarão com esta pandemia”. “Isto está mais claro agora do que nunca. O presidente Biden tem uma oportunidade histórica de mostrar que colocará a saúde e a prosperidade econômica de toda a humanidade antes dos lucros privados de algumas corporações”, defende Seyoum.

 

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