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25 Jul

Frases do dia

Fraternidade

“A liberdade necessita da igualdade que, por sua vez, precisa da liberdade e as duas se unem em nome da fraternidade que, pessoalmente, vejo como papa Francisco vê o Espírito Santo na sua relação com Deus pai e o filho Cristo. Perdoem-me esta citação um pouco forçada, mas quero dizer que a fraternidade transforma em humanismo a libertdade e a igualdade. É preciso amar o povo e trabalhar pelo seu bem, optar pela paz e não pela guerra, o amor e não o poder” – Eugenio Scalfari, jornalista, fundador do jornal La Repubblica, 24-07-2016.

Ridículo e irresponsabilidade

“Alexandre Moraes dividiu-se entre o ridículo e a irresponsabilidade, ao se apresentar a propósito da prisão de dez talvez terroristas futuros. Com informações logo contestadas por um juiz e, de objetivo, um mínimo indício a ser verificado, aos ouvidos do mundo o ministro da Justiça incluiu o Brasil no mapa do terror. Quando estrangeiros cuidam de sua viagem para o Brasil da Olimpíada” – Janio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-07-2016.

Eficiente

“No nosso terrorismo, o ministro Alexandre Moraes é mais eficiente do que os seus dez presos. Somados” – Janio de Freitas, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-07-2016.

À mesa

“Quem conhece a cabeça do ex-presidente Lula afirma que ele seguirá fustigando Michel Temer no palanque, mas aceitará o canal de diálogo que o peemedebista tem sugerido que vai abrir depois do impeachment. Em avaliações internas, como mostrou a coluna no início de julho, o presidente interino voltou a mencionar a necessidade de procurar a oposição para dialogar, mas repetiu que ainda não é o momento. Vai esperar o desfecho do impeachment. A avaliação é que o Planalto precisa de uma interlocução mínima com organizações sociais lideradas pelo PT para conseguir votar pautas delicadas no Congresso Nacional” – Natuza Nery, jornalista – Folha de S. Paulo, 25-07-2016.

Por partes

“Passada a votação no Senado, o Ministério de Minas e Energia vai propor o fatiamento do Código da Mineração, que está parado na Câmara há anos, para tentar avançar com a questão relativa aos royalties” – Natuza Nery, jornalista – Folha de S. Paulo, 25-07-2016.

Fim da saúde pública

“Eis a terapia para o fim da saúde pública: o mercado que controle os planos de saúde, e os municípios que se virem para ter médicos”- Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, sobre Ricardo Barros ter dito que o Mais Médicos é provisório e que a contratação é dever dos prefeitos – Folha de S. Paulo, 25-07-2016.

Mãos dadas

“Os serviços secretos dos EUA e do Brasil estão trabalhando em conjunto para prevenir atentados terroristas na Olimpíada” – Mônica Bergamo, jornalista – Folha de S. Paulo, 25-07-2016.

Tudo certo

“O resultado do trabalho foi tema de conversa recente da embaixadora dos EUA em Brasília, Liliana Ayalde, com o ministro da Defesa, Raul Jungmann. A americana disse que os dois lados estão "trabalhando a quatro mãos e muito bem" – Mônica Bergamo, jornalista – Folha de S. Paulo, 25-07-2016.

Folha

“Quando você escreve uma coluna de esquerda num grande jornal, você vai apanhar dos dois lados: os leitores do grande jornal vão te odiar porque você é de esquerda, a esquerda vai te odiar porque você escreve num grande jornal. Costumo defender, quando atacado, o grande jornal: a Folha não é conservadora, ela é capitalista” – Gregorio Duvivier, ator e escritor – Folha de S. Paulo, 25-07-2016.

Dona Folha

“O que movia a máquina era a vendagem, hoje é o clique. Por isso estou aqui: porque (vai entender) dou clique. Por isso, também, a direita mais hidrófoba está neste jornal: porque (vai entender) dá clique. Faz sentido, não faz? Faz. Até que uma lambança como essa vem à tona. Fica parecendo, Dona Folha, que a senhora é ainda mais conservadora do que capitalista” – Gregorio Duvivier, ator e escritor – Folha de S. Paulo,

Ócio

“Com o mundo em chamas, a lista de líderes mundiais que vêm à Rio-2016 pode minguar ainda mais. São esperados uns 50 chefes de Estado, metade do visto nos Jogos de Londres. Com exceção de John Kerry, secretário de Estado dos EUA, o que vem muito é rei, príncipe, sultão — enfim, gente que leva a vida no ócio” – Ancelmo Gois, jornalista – O Globo, 24-07-2016.

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25 Jul

Por que reeleger Haddad

"Pode-se dizer que 2013 criou um novo paradigma de classificação dos políticos: os políticos pré-2013 e os políticos pós-2013. Os primeiros estão caminhando para o ocaso. Os segundos se dividem em dois grupos: os que realmente estão comprometidos com mudanças sociais e com uma nova forma democrática de governar e os que constituem uma espécie de horda de oportunistas, carreiristas e aventureiros da política. Os comprometidos são poucos e os aventureiros são muitos", afirma Aldo Fornazieri, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em artigo publicado por Jornal GGN, 25-07-2016.

Eis o artigo.

Com as convenções partidárias do final de semana praticamente foi dada a largada para a disputa municipal em São Paulo. É verdade que o quadro ainda é movediço e que existem ainda fatores indeterminados que não permitem claramente a visualização por inteiro do cenário da disputa. Ao menos três candidaturas que jogarão um papel importante foram definidas: Fernando Haddad (PT), Luiza Erundina (PSol) e João Doria (PSDB)

As eleições acontecerão num contexto de anomalias: crise política com todo o drama do golpe político; grave crise econômica; crise moral pelo quadro generalizado de corrupção dos principais partidos políticos e crise de legitimidade das instituições e dos políticos em face da descrença da sociedade, não só com os políticos, mas com a própria política. Outra anomalia que marcará esse pleito é a perda de protagonismo do PT, afundado em sua própria crise, arrastando consigo outros partidos de esquerda.

Em que pese a liderança nas pesquisas de Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, e de Luciana Genro, em Porto Alegre, ambos do PSol, as perspectivas para os principais partidos de esquerda e centro-esquerda – Psol, PC do B e PT – não são alvissareiras. Se nas pequenas e médias cidades o quadro não é animador, nas principais capitais do país as esquerdas podem ingressar um processo autofágico, resultado até mesmo a sua não passagem para o segundo turno. Ocorre que os dirigentes dos partidos e os próprios candidatos sequer aprenderam alguma lição com a tragédia do afastamento de Dilma Rousseff. As esquerdas preferem viver sob a égide da síndrome de Caim e Abel do que adotar uma responsabilidade compartilhada tendo em vista os fins maiores e os compromissos para com o povo mais sofredor das nossas cidades.

Se as esquerdas fossem responsáveis se uniriam em torno da candidatura Haddad em São Paulo, de Marcelo Freixo no Rio e de Luciana Genro em Porto Alegre, para ficar em três capitais importantes onde há alguma chance de vitória. Pensar numa unidade no segundo turno pode significar pensar tarde, fugindo à responsabilidade de lutar para levar um candidato comprometido com as mudanças sociais para disputar com o conservadorismo.

Assim, as candidaturas de Erundina em São Paulo, de Jandira Freghali no Rio e de Raul Pont em Porto Alegre precisam ser postas sob a advertência de contribuírem com um maior desgraçamento das esquerdas. Não se trata aqui de discutir a qualidade desses candidatos, todos com as melhores recomendações vindas de suas lutas e de suas biografias. Existem aqui dois desafios a serem enfrentados:

1) o da estratégia das esquerdas em face ao avanço conservador;

2) o da superação do anátema da divisão das esquerdas tendo em vista construir uma nova história, que seja a da unidade com pluralidade, colocando em ênfase os interesses da mudança social em benefício dos segmentos sociais mais necessitados.

Apostar no futuro

Haddad, Freixo e Luciana Genro, cada um a seu modo, cada um com suas virtudes, cada um com suas limitações, são, nessas três capitais, os que melhor representam as potencialidades de futuro, da mudança social e da mudança da esquerda. O ponto de inflexão do atual momento histórico ocorreu nas manifestações de 2013.

Mesmo que de forma arbitrária, pode-se dizer que 2013 criou um novo paradigma de classificação dos políticos: os políticos pré-2013 e os políticos pós-2013. Os primeiros estão caminhando para o ocaso. Os segundos se dividem em dois grupos: os que realmente estão comprometidos com mudanças sociais e com uma nova forma democrática de governar e os que constituem uma espécie de horda de oportunistas, carreiristas e aventureiros da política. Os comprometidos são poucos e os aventureiros são muitos. Haddad, Freixo e Luciana estão entre os políticos que melhor compreenderam o espírito do nosso tempo, o emaranhado trágico em que ele está envolvido e o esforço hercúleo que é preciso dispender para extrair gotas de esperança dos escombros da política.

Tome-se aqui o caso de Haddad. Nos primeiros meses de sua gestão foi tolhido pelo vendaval de junho. Percebeu logo a natureza da crise que as ruas insinuavam: as administrações municipais estavam inseridas num círculo vicioso de derrotas por correrem atrás de demandas crescentes e problemas insanáveis com recursos cada vez mais escassos. As ruas revelaram uma crise de serviços de qualidade e de garantia de direitos. Era preciso criar um novo paradigma de governo: governar as demandas represadas e os problemas urbanos do passado olhando para o futuro e criando condições para que medidas antecipadoras evitassem o advento de novos problemas.

Seria preciso criar um novo paradigma de governo capaz de mediar os problemas do presidente e do passado com soluções para o futuro. Somente assim seria possível correr para o futuro deixando de correr para o passado. O imediatismo e o eleitoralismo não cabem nesse conceito. Com esta nova forma de ver a administração, Haddad perturbou o comodismo e as mentes conservadoras. Haddad percebeu que se a administração olhasse só para o passado e suas encrencas de problemas, não existiriam soluções.

Uma série de políticas públicas orientadas para o futuro começaram a ser implementadas: redução da velocidade nas avenidas para que o fluxo de carros fosse mais contínuo e se perdesse menos tempo no trânsito; ampliação de faixas exclusivas e corredores de ônibus para que as pessoas possam ficar mais tempo em casa com suas famílias; construção de uma rede de ciclovias e ciclofaixas e investindo nos deslocamentos a pé conectando São Paulo com o paradigma de mobilidade do século XXI, com todos os seus benefícios ambientais, de bem viver etc..

São Paulo começou a correr para o futuro com a introdução do conceito de ocupação dos espaços urbanos, com a destinação de avenidas e ruas para usufruto exclusivo das pessoas para que possam caminhar, se encontrar e se divertir aos domingos; com a redução das mortes por atropelamento; com a instituição de programas humanizadores como Braços Abertos, Transcidadania; com a redução do tempo de espera nas filas dos hospitais e postos de saúde através da construção de uma rede de Hospitais-Dia; com a oferta de milhares de novas vagas em creches e pré-escolas. A gestão Haddad foi a que mais ampliou a oferta dessas vagas.

Em suma, o que foi mudado foi a troca do paradigma da construção de túneis e elevados pelo fornecimento de mais e melhores serviços, com custos menores. O que mudou foi olhar mais para as pessoas e menos para os carros e para a especulação imobiliária predatória. Ciclovias, avenidas abertas para as pessoas, eventos culturais, parques lineares, mobilidade urbana, entre outras iniciativas, constituem um complexo de inovações que se articulam para que as pessoas ocupem os espaços públicos e tenham uma relação com a cidade mais aberta, mais intensiva, mais humana e mais humanizadora.

Haddad derrubou muros e preconceitos, perturbou os conservadores e contrariou interesses avessos ao bem público da cidade. Entregou mais a cidade aos munícipes com os conselhos participativos que precisam ser aperfeiçoados. Contribuiu para que a cidade tenha um estatuto de esperança para o futuro, com a aprovação do Plano Diretor. Erros certamente foram cometidos e há o peso desabonador do PT.

Por isso, a candidatura à reeleição precisa propor um pacto com a militância, com os movimentos sociais e com a sociedade paulistana. Pacto orientado para o futuro, com o compromisso de que a cidade será governada de forma democrática e participativa, com o compromisso de que as soluções dos problemas sejam construídas em parceria com as comunidades.

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25 Jul

Argentina. “As irmãs do escândalo deveriam pedir perdão”

Dor e preocupação. Mas também vontade para que a Justiça faça seu trabalho e a situação das Irmãs Orantes e Penitentes de Nossa Senhora de Fátima seja esclarecida. Pelo bem da Igreja. São considerações de Santiago Olivera, bispo de Cruz del Eje e presidente da Comissão Episcopal de Comunicação da Conferência Episcopal da Argentina. Na entrevista, ele esclareceu alguns detalhes sobre a incrível história das religiosas que se envolveram em uma das investigações por corrupção política mais escandalosas dos últimos tempos.

Na madrugada de 14 de junho, na residência das irmãs, foi detido José López, ex-secretário de Obras Públicas nos mandatos da presidência de Cristina Fernández de Kirchner. Ele tentava esconder ali quase nove milhões de dólares. O caso comoveu a opinião pública argentina, provocando descontentamento entre os católicos.

A entrevista é de Andrés Beltramo Álvarez e publicada por Vatican Insider, 21-07-2016. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como a Igreja argentina recebeu este escândalo?

Com dor, surpresa e preocupação. Primeiro, tomamos conhecimento das bolsas e parecia que as irmãs não tinham muito a ver com o fato. Mas é estranho que elas tenham deixado alguém entrar às 3h da madrugada, sobretudo quando se trata de pessoas que queriam ser religiosas de clausura. É raro que alguém queira dar uma esmola a essa hora. Foi muito pouco prudente tanto por parte da pessoa como das irmãs. Depois apareceram outras contradições, quando apareceu um vídeo que mostra as irmãs ajudando López a levar as bolsas para dentro, com uma arma junto às bolsas. Elas deveriam publicamente pedir perdão por sua torpeza, por sua ingenuidade e, se existe culpa, por essa culpa.

Qual é a situação eclesiástica delas?

É uma associação privada de fiéis. No sentido estrito, não são monjas, mas aqui na Argentina chamamos todas as religiosas de monjas, embora não o sejam. As monjas, estritamente falando, são de clausura. Esta instituição era “in fieri”, estava no processo de transformar-se em um mosteiro. Enquanto isso, as religiosas vivem e se vestem como monjas, sem usurpar nada, porque o bispo lhes deu permissão. Para transformar-se em mosteiro necessitam da permissão da Santa Sé, que, obviamente, não têm. Mas elas fazem parte da Igreja. O bispo anterior, Rubén Di Monte, as fundou e celebrava aí a missa, por isso penso que devemos nos responsabilizar por elas, que assumamos a responsabilidade, que não digamos uma coisa por outra. Dizer que não são monjas poderia dar a impressão de que nos deslindamos, mas a Arquidiocese não pode fazer isso.

Agora foi anunciada uma profunda investigação. O que isso significa?

Parece-me muito bem que o arcebispo (de Mercedes-Luján, Agustín Radrizzani) tenha ordenado esta investigação e que tenha nomeado uma comissão que estude a responsabilidade das irmãs. É preciso ver qual é a conclusão em nível eclesial, dar a reparação e a sanção respectiva se se comprovar um ilícito, uma irregularidade e um ato não conforme o espírito da associação. Ao nível penal, estão imputadas, porque podem ter favorecido os atos deste senhor que quis esconder [o dinheiro] nesse lugar onde devia ser enterrado o bispo ou um lugar para guardar dinheiro, com muitas câmeras. Suponho que tratarão de descobrir se cumpriram os motivos pelos quais foi fundada a associação privada de fiéis ou se desviaram e caíram na tentação. Às vezes, o contato com o poder faz cair em coisas não santas.

A investigação conta com o aval da Santa Sé?

O núncio apostólico afirmou que ele informa constantemente a Santa Sé sobre este problema. Isso me parece muito bom, porque os núncios são aqueles que têm a responsabilidade de informar o Papa sobre a realidade das Igrejas particulares. E embora o bispo Agustín Radrizzani seja juiz nisto, tudo chegará ao Vaticano e ao Papa.

Tratando-se de um Papa argentino, terá uma atenção particular neste caso?

Ele conhece muito bem a nossa realidade argentina, conhece a situação e as pessoas envolvidas. Ele conheceu o falecido arcebispo Di Monte e também conhece Radrizzani. Isso o toca muito de perto, mas não o impedirá de agir como pastor da Igreja universal e iluminar o que deve ser iluminado. É um bom caminho o fato de [dom Radrizzani] ter nomeado dois padres para que investiguem, conversem e informem sobre as conclusões.

Qual é o papel da Conferência Episcopal Argentina neste caso?

O presidente (dom José María Arancedo) falou claramente e disse que não existe nenhuma possibilidade de abrir uma exceção à lei, que não existem prebendas por ser religioso, mas se respeita a autonomia local de cada diocese. A conferência não é uma instância maior em relação à atuação de cada bispo. Ele esclareceu que o bispo responde perante o Papa, não perante a Conferência Episcopal, que é um órgão de comunhão e de colaboração pastoral.

Esta situação afeta muito a imagem da Igreja?

Muitas vezes, a mídia não comunica as coisas boas com força e isto me dá muita pena, porque existe tanta vida religiosa santa, tantas irmãs e irmãos que acompanham muitíssimos doentes, pobres, que padecem o flagelo da droga, dos sem teto, dos anciãos e das crianças. Essa é a vida religiosa argentina, não estas três irmãs que, por ingenuidade ou torpeza, cometeram esse erro. Suponho que, em seu coração, estejam arrependidas porque se equivocaram. Que não se obscureça a beleza desta obra.

O que dizer aos fiéis desconcertados e preocupados?

Em primeiro lugar, que a verdade tem uma força esplendorosa e faz muito bem, embora doa. Trata-se de buscar caminhos de transparência. Ninguém está acima da lei, ninguém escapa da justiça. Nem a Igreja. Se existem suspeitas, que se investigue e que se estude.

Por outro lado, somos todos homens e mulheres com falhas, com pecado e possibilidade de nos equivocar. Não somos Deus, não somos imaculados, cometemos falhas, somos frágeis e pecadores. Que rezem pelos consagrados, por todos nós e que chamem a atenção quando devam fazê-lo, mas que não coloquem todos no mesmo saco.

Se um médico comete uma ação má não são todos os médicos que são maus. Se uma pessoa na Igreja comete um erro, embora seja grave, não é toda a Igreja que é má. Obviamente, sofremos, e como dizia Santo Agostinho, a Igreja é santa e pecadora, porque é formada por nós que somos pecadores.

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25 Jul

A costela do Beato Romero

Uma das relíquias mais extraordinárias do Beato Óscar A. Romero foi colocada na casinha onde Romero viveu no campus do Hospital da Divina Providência. A conservadora britânica Janet Graffius fala sobre o processo das relíquias na edição mais recente da Romero News, publicada pela Romero Trust em Londres. A relíquia, conta Graffius, constitui “um recordação sinistra do sacrifício de Romero; um pedaço da sua costela, tirada após a sua morte e confiada ao irmão caçula do bispo, Gaspar Romero”.

 
Fonte: http://bit.ly/2a7uidd  


A reportagem é publicada por Super Martyrio, 22-07-2016. A tradução é de André Langer.

Para contextualizar a relíquia, é necessário recuar no tempo e vislumbrar o cenário daquele momento. Romero foi levado para a Policlínica Salvadorenha inicialmente para tentar salvar sua vida, mas finalmente foi feita ali uma autópsia após esforços inúteis para salvá-lo. De maneira que a notícia do assassinato começou a circular pela capital e as pessoas começaram a chegar ao hospital, incluindo os irmãos de Romero: Tiberio, Mamerto, Zaida e Gaspar. “Ao chegar, nem queria me deixar entrar, mas me identifiquei”, recorda Gaspar Romero em uma entrevista. “Pelas 10 horas entraram todos os meus parentes e aí fiquei a noite toda”.

A já falecida irmã Zaida Romero tinha contado o triste drama da sua chegada: “Na porta da policlínica nos encontramos com minha nora. Ela me disse: ‘Menina Zaida, menina Zaida’, e os que estavam com ela já me abraçaram. ‘Calma, calma, lembre-se do que ele lhe dizia’. Não queriam me deixar entrar lá no quarto onde estava. ‘Eu entro’, eu disse, ‘porque andei com ele durante 26 anos’. [Ao entrar,] beijei-lhe a testa e depois, não sei por que, lhe apertei os pés. Os pés estavam gelados, gelados. Olhe só que coisa!”

Gaspar Romero e seu irmão Mamerto, também já falecido, permaneceram junto ao corpo. “Vi que abriram a parte esquerda do tórax para extrair os fragmentos de uma bala explosiva”, recorda Gaspar. A viúva de Mamerto recorda como o falecido irmão recordava vivamente o projétil (pequenos fragmentos da bala) que ficaram incrustados na carne e no tecido do tórax. “Ele dizia a cada pouco, que era uma areia e que não conseguia esquecer isso”, disse dona Tinita, viúva de Mamerto.

Roberto Cuellar, membro do Socorro Jurídico da Arquidiocese, também acompanhou a necropsia. “O impressionante da autópsia”, recorda Cuellar, “foi ver como lhe abriam o esterno, porque aqueles eram métodos rudimentares, sem as motosserras nem o instrumental elétrico que se utiliza hoje. Tiveram que usar, com Romero, uma espécie de cinzel. Pa, pa, pa!, para quebrar o osso”, disse Cuellar martelando no ar. Segundo o relatório da autópsia, “a bala penetrou na altura do coração e seguiu sua trajetória transversal, alojando-se finalmente na quinta costela dorsal”.

Depois do exame, aquela cena se tornou uma espécie de caça, em que todos tratavam de levar alguma recordação – ou relíquia – desse terrível, mas histórico, momento: um frasco com o sangue de Romero que os médicos tinham coletado; lençóis ensanguentados dos quais as irmãs fizeram depois escapulários para distribuir aos devotos; os fragmentos da bala; um pano usado para limpar o sangue do corpo de Romero... até sua cruz peitoral.

Quando um jornalista estava saindo com o pedaço da costela extraída do tórax do mártir, Gaspar Romero o impediu e o obrigou a entregar-lhe a valiosa relíquia. Ele a conservou nestes 35 anos. Nesse tempo, “o osso se esfarelou”, conta a conservadora Graffius.

“Com minha orientação, Gaspar permitiu que o osso fosse secado e eu o separei em dois pequenos relicários de cristal”, disse Graffius. “Um deles foi mantido pela família de Gaspar, o outro foi generosamente doado às irmãs do Hospital da Divina Providência”, o lugar onde Romero viveu os últimos três anos, e onde entregou sua vida naquele fatídico 24 de março de 1980.

“O processo foi inteiramente gravado, assinado e aprovado por um advogado canônico, e o relicário foi entregue às irmãs em novembro de 2015. Foi um dia muito emotivo para todos”, conta Graffius. “As irmãs criaram um espaço para a relíquia embutido no piso da peça que servia de escritório, dormitório e espaço privado de oração. A relíquia ficou selada sob um azulejo de cristal, com uma iluminação LED discreta para sua conservação”.

O Pe. Jon Sobrino (na foto, à direita) celebrou a missa que oficializou a entrega.

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25 Jul

“A certeza de que o Papa é considerado como uma rocha sólida está começando a ruir”. Entrevista com dom Georg Gänswein

O homem de confiança do Papa pede a reforma fiscal da Igreja alemã. Reconhece em Francisco “um clássico jesuíta da velha escola inaciana”.

O arcebispo da cúria, Georg Gänswein, é o prefeito da Casa Pontifícia e há muitos anos secretário e confidente do Papa emérito Bento XVI. Em uma entrevista exclusiva para o Schwäbische Zeitung o “servidor dos Papas” fala sobre os pontificados de Bento XVI e de seu sucessor, Francisco.

 
Fonte: http://bit.ly/2abP3ZL  

Ele esclarece a visão que se tem de Roma da Igreja alemã do ponto de vista interno. Explica porque considera que o sistema fiscal da Igreja alemã chegou a uma situação insustentável. Deplora a discrepância entre dioceses ricas e igrejas vazias. Fala sobre a rejeição que ele provoca na instituição eclesiástica na Alemanha. E revela por quem bate seu coração no futebol.

A entrevista é de Hendrik Groth, publicada por Schwäbische Zeitung, traduzida para o espanhol por por Un Puente de Fe, 17-07-2016. A tradução do espanhol é de André Langer.

Eis a entrevista.

Como está o Papa Bento XVI?

Ele já não é mais Papa; ele é, agora, emérito. Em abril, completou 89 anos de idade e recentemente celebrou seu 65º aniversários como sacerdote. Houve uma pequena cerimônia com Francisco, cardeais e algumas pessoas pessoalmente convidadas. A cabeça mantém-se clara, brilhante, bem. As pernas estão um pouco cansadas. Especialmente caminhar fica mais difícil. O andador lhe dá estabilidade e segurança. A psicologia é de fato tão importante quanto a fisiologia. Mas as forças simplesmente diminuíram. Também o Papa emérito é uma pessoa sujeita às leis naturais.

Como ele desenvolve o trabalho diário?

A rotina diária é simples. Inicia-se com a missa da manhã. Eu concelebro e de vez em quando há concelebrantes convidados. Segue-se a oração do Breviário e depois o café da manhã. A manhã tem o seguinte ritmo: oração, leitura, correspondência, visitas. Depois, o almoço, onde estou novamente presente. Depois do almoço damos duas ou três pequenas voltas pelo corredor. Depois vem a sesta. À tarde, dedica muito tempo para ler e responder cartas; ainda recebe uma grande quantidade de correspondência de todo o mundo. Às 19h, vamos aos jardins do Vaticano para rezar o rosário, depois jantamos e, na sequência, vemos o noticiário italiano. Em geral, depois se retira e eu faço o mesmo. O domingo tem um desenvolvimento mais relaxado, (“no domingo”) não tem trabalho, dedica-se à música e à cultura.

Você também é o intermediário entre o Papa Francisco, em exercício, e Bento. Pouco depois da eleição do novo Papa, você disse que, na teologia, não passava uma folha de papel entre Bento e Francisco. Passados alguns anos, você diria a mesma coisa?

Essa pergunta já me foi feita; e ainda apoio o que vejo, ouço e percebo. No que se refere aos princípios de sua convicção teológica, há, de qualquer forma, uma continuidade. Naturalmente, também estou consciente de que algumas vezes poderiam surgir dúvidas sobre as diferentes formas de representação e expressão. Mas quando um Papa quer mudar algum aspecto da doutrina tem que dizê-lo claramente, a fim de que seja vinculante. Os princípios doutrinais importantes não podem ser mudados através de meias frases ou com notas de rodapé formuladas de maneira ambígua. A metodologia teológica neste sentido tem um critério claro. Uma lei que não é clara em si mesma não pode obrigar. O mesmo se aplica à teologia. As declarações doutrinais devem ser claras para que sejam de cumprimento obrigatório. As declarações que permitem diferentes interpretações são algo arriscado.

Não é também uma questão de mentalidade? O Papa vem de Buenos Aires. Os argentinos têm um humor especial, com um certo brilho em seus olhos.

Evidentemente, a mentalidade exerce seu papel. Francisco está fortemente influenciado por sua experiência como Provincial dos jesuítas e, especialmente, como arcebispo de Buenos Aires, em um momento em que seu país estava economicamente muito mal. Nessa época, esta metrópole tornou-se o lugar de suas dificuldades e alegrias. E ali, nesta grande cidade e mega diocese, compreende-se que fazia o que fazia porque estava firmemente convencido disso. E isto se aplica também agora, quando é o Bispo de Roma, como Papa. Devemos aceitar o fato de que no calor dos seus discursos, às vezes, é um tanto impreciso em comparação com seus predecessores. Cada Papa tem o seu próprio estilo pessoal. É sua forma de falar, mesmo com o risco de produzir mal-entendidos que, às vezes, dão lugar a interpretações aventuradas. Ele continuará falando sem papas na língua.

Há uma brecha entre os cardeais e entre os cardeais de diferentes continentes, que veem e entendem o Papa de forma diferente?

Antes do Sínodo dos Bispos, em outubro passado, havia uma espécie de sentimento a favor ou contra o Papa Francisco. Não sei quem criou este cenário. Tenho cuidado em falar de uma distribuição geográfica dos prós e contras. É certo que em algumas questões o episcopado africano falou muito claramente. Episcopado, ou seja, as Conferências Episcopais, e não apenas bispos individualmente. Mas este não foi o caso da Europa e da Ásia. No entanto, resisto a esta teoria da ruptura. Embora, em benefício da verdade, deva que acrescentar que alguns bispos estão realmente preocupados com o fato de que a doutrina possa sofrer devido à falta de uma linguagem clara.

Às vezes, tem-se a impressão de que os católicos conservadores que exigiram dos seus irmãos e irmãs progressistas fidelidade ao Papa durante o pontificado de Bento XVI, agora têm um problema com o Papa Francisco. É assim?

A certeza de que o Papa é considerado como uma rocha sólida, como a última ancoragem, está começando a ruir. Se esta percepção da realidade reflete e se ajusta adequadamente à imagem do Papa Francisco ou se se trata mais de uma criação dos meios de comunicação, eu não posso julgar. No entanto, a incerteza e, ocasionalmente, a confusão e uma certa desordem aumentaram. O Papa Bento XVI referiu-se pouco antes de sua renúncia ao Concílio Vaticano II considerando-o como um autêntico “Concílio dos Padres” diante de um “virtual Concílio dos meios de comunicação”. O mesmo se pode dizer, talvez, agora de Francisco. Existe uma brecha entre os meios de comunicação e a realidade atual.

Por outro lado, o Papa Francisco consegue atrair as pessoas para a Igreja católica.

Francisco pode, de fato, captar a atenção do público e atrair. E isto inclusive muito além da própria Igreja. Talvez ainda mais fora da Igreja católica do que dentro. A atenção que se presta no mundo não católico, também na Alemanha, no Papa, é consideravelmente maior do que no caso dos seus predecessores. Naturalmente, isto também se deve ao seu estilo pouco convencional, e o fato de que tenha gestos simpáticos e inesperados conquista os meios de comunicação. Para a percepção das pessoas, um relato positivo desempenha um papel fundamental.

Há um ponto de inflexão na Igreja com Francisco? Há um ponto de partida para uma nova direção?

Se nos fixamos em sua vida espiritual, se escutamos o que prega, reivindica e anuncia, então é reconhecido como um clássico jesuíta inaciano da velha escola, no melhor sentido da palavra. Se este homem iniciou uma nova era, neste sentido, faz afirmações claras sem considerar se são politicamente corretas. Isto é libertador, isto pode ser bom ou não. Esta postura corajosa é acolhedora, as pessoas agradecem por isso, com simpatia, inclusive com entusiasmo.

Talvez se possa falar de um despertar, de uma nova era a este respeito. Pouco depois da eleição do Papa Francisco, um bispo falou do “efeito Francisco” e acrescentou com orgulho que agora é bonito ser católico. Começou-se a sentir e perceber publicamente um vento a favor da fé e da Igreja. Realmente é o que está acontecendo? A vida católica é mais viva, aumentou a participação nos serviços religiosos, aumentaram as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa, as pessoas que abandonaram a Igreja estão retornando? O que o chamado efeito Francisco produziu concretamente na vida religiosa dos nossos respectivos países? De fora, não se pode apreciar um ressurgimento.

Minha impressão é que o Papa Francisco goza de altos índices de aprovação como ser humano, superiores a qualquer outro líder mundial. No entanto, na questão da fé, a própria identidade da fé, tudo isto parece ter pouca influência. Os dados estatísticos, se não mentem, infelizmente me dão esta impressão.

Um tema recorrente é o sistema fiscal da Igreja alemã. Bento XVI manifestou-se criticamente em relação a este tema muitas vezes. O sistema também é incompatível com a Igreja pobre que Francisco quer. Está bem que quem não pagar o imposto à Igreja, para dizê-lo claramente, deve ser expulso?

O 'imposto da Igreja' é um tema que não tem fim. Naturalmente, a pergunta seria se o sistema que temos na Alemanha é uma maneira apropriada de apoio financeiro à Igreja. Deve-se ter em conta as razões históricas do surgimento da tributação à Igreja com a finalidade de situar corretamente a pergunta. Caso contrário, entramos em um beco sem saída. Há dois pontos de vista opostos que estão em contradição. Alguns dizem: abaixo o imposto eclesiástico! Outros querem transformá-lo em uma espécie de bem de culto. Ambos os extremos não são bons.

Na Itália, todos os trabalhadores assalariados têm que pagar um imposto cultural. Pode-se optar para destinar esta contribuição à Igreja católica, mas isso não é obrigatório. Não existe a expulsão, como na Alemanha, para o caso de alguém deixar de pagar esse imposto. Aqui vemos o seguinte: o imposto eclesiástico não é nenhum imposto de culto, mas um imposto de confissão. Se para mim o imposto é muito alto, simplesmente deixo de pagá-lo e economizo dinheiro. Evidentemente, é um exagero que – como você disse – a pessoa seja expulsa no caso de não pagar o imposto à Igreja.

O problema é que alguém está excomungado, de fato, se não pagar o imposto eclesiástico?

Sim, isto é um problema grave. Como a Igreja católica na Alemanha reage a este desafio religioso? Com a exclusão automática da comunidade eclesial, isto é, a excomunhão. Isto é excessivo, não é lógico. Pode-se questionar dogmas, ninguém se preocupa com isso, ninguém é expulso. O não pagamento do imposto à Igreja é uma ofensa maior que as violações dos princípios da fé? A impressão que se tem é: enquanto a fé está em jogo é bastante aceitável, mas tão logo o dinheiro entra na equação, então as coisas ficam sérias. A espada afiada da excomunhão da Igreja é irracional e precisa ser corrigida.

Você vive há muitos anos em Roma. Mudou o seu ponto de vista sobre a Alemanha?

Sim, evidentemente. A opinião tornou-se mais profunda e mais ampla. Simplesmente, porque aqui recolho experiências através de encontros diários com pessoas de todo o mundo, ganha-se em conhecimento, ampliam-se os horizontes e se produz um enriquecimento humano e espiritual. Uma experiência que vivi pessoalmente é que grande parte do que vemos na Alemanha enquanto realidade eclesial é desconhecida em outros países, mas a fé ainda está muito viva. E não quero neste ponto colocar as instituições católicas no pelourinho.

Mas quando se fala com irmãos que vêm de outros países e se explica a eles, por exemplo, quantas pessoas trabalham nas dioceses alemãs ou para organizações da Igreja, franzem o cenho. Não podem acreditar. O dinheiro torna possível determinadas coisas, mas também traz consigo um perigo de asfixia. Naturalmente, o patrimônio deve ser bem administrado. O dinheiro não pertence ao bispo, nem ao capítulo da catedral, nem a uma fundação; eles têm a responsabilidade de usá-lo conforme o sentido de confiança que deve produzir o anúncio da Igreja.

E, no entanto, caso se aplicar a frase do Papa Bento, a Igreja deve renunciar aos seus bens terrenos com a finalidade de preservar sua riqueza e contribuir para a sua purificação e reforma interior.

Se os bens excluem a crença – a fé –, então há apenas uma possibilidade: libertar-se deles. As arcas cheias e as igrejas vazias, este abismo é terrível, não pode continuar por muito tempo. Se a caixa registradora soa e os bancos ficam vazios, um dia haverá uma implosão. Uma Igreja vazia não pode ser levada a sério. De que serve uma diocese muito rica se a fé vai se esgotando pouco a pouco? Estamos secularizando tanto a fé que quase não exerce um papel ou é considerada inclusive um lastro? Expulsa-se o lastro quando não é mais necessário. Não somos mais capazes de pregar a fé para que as pessoas sintam que é algo grande, algo belo que enriquece e se aprofunda em nossas vidas?

Em relação à ocupação de sedes episcopais vacantes na Alemanha, seu nome surge uma e outra vez. Imagina-se executando esta tarefa?

Divulga-se um top de favoritos para queimá-los. Esta é a verdadeira razão para nomeá-los: um jogo transparente. Tenho aqui e agora duas tarefas importantes a cumprir, como prefeito da Casa Pontifícia e secretário do Papa emérito, a quem prometi lealdade no dia da sua eleição até seu último dia. E isto, evidentemente, não mudou com sua renúncia.

As sedes vacantes de bispos funcionam da seguinte maneira: na Alemanha, exceto na Baviera, onde se aplica um regime ligeiramente diferente, o capítulo da Catedral elege o bispo de uma lista de três pessoas. Você acredita que se algum capítulo incluísse meu nome, me escolheriam? Dificilmente. Isto não me machuca. É injusto, mas este jogo será analisado pelas partes interessadas. Como ex-funcionário da Congregação para a Doutrina da Fé, como secretário do cardeal Ratzinger e do Papa Bento, obviamente levo uma “marca de Caim”.

Eu sou claramente “identificável” de forma externa. Na verdade, é assim: nunca tentei esconder minhas convicções. E se isto acontece porque meu discurso não é complexo, mas claro, então devo dizer: sim, é verdade. Mantenho isso agora e também no futuro. Os capítulos também não são uma acumulação da mais alta lealdade com Roma. Não tenho ambição alguma para ocupar uma sede episcopal alemã.

Entre os leigos alemães você tem uma imagem muito mais positiva. É muito popular. Nos meios de comunicação não consegue se desfazer do rótulo de “George Clooney do Vaticano”, um top do cinema internacional que move muitas simpatias.

Provavelmente, isto não me beneficiou, pelo contrário. A situação eclesiástica tem uma imagem negativa de mim. Não estou entre os seus favoritos.

Você tem tempo para seus hobbies?

Na medida do possível, eu procuro tomar tempo para ir às montanhas. Uma vez ao mês tenho que ir. Vou com alguns irmãos ao Abruzzo. Há três anos me propus a retomar as raquetes de tênis. Até agora sem sucesso. Resta pouco tempo para as leituras e a música. Quando é possível, vou trabalhar a pé. As montanhas são uma necessidade, uma limpeza interna e externa.

É verdade que você torce para o Bayern de Munique?

Isto é verdade. Desde que tinha quatro anos. Mas, com o tempo, também o Friburgo SC aninhou-se no meu coração. Tenho grande simpatia por este time.

Por favor, olhe por um instante para a Igreja católica na Alemanha como se fosse um time de futebol. Qual é a primeira opinião crítica que lhe vem à mente?

Este time falha no ataque. O jogo acontece na maior parte do tempo no meio do campo, e há chutões de um lado para o outro do campo. Falta o fluxo do jogo, o essencial, o risco. Dessa maneira, hoje, não se ganha um jogo.

Você viu junto com o Papa Francisco a final da Copa do Mundo entre a Alemanha e a Argentina?

(Sussurro): Ele não a viu. Não quis.

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"Apoio totalmente as reformas. E o maior papa que a igreja já teve depois de são francisco." Em resposta a: Você apoia o Papa Francisco e suas reformas?

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