Primária chilena revela polarização na oposição ao Governo Bachelet

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Por: João Vitor Santos | 04 Julho 2017

As eleições para o governo do Chile ocorrem somente em novembro, mas as primárias ocorridas no último fim de semana revelam que o governo de Michelle Bachelet enfrentará duas frentes de oposição: uma mais à direita e outra à esquerda. Na coalizão Chile Vamos, a vitória foi do ex-presidente Sebastián Piñera, que obteve 56,86% dos votos, deixando o segundo colocado, o senador Manuel José Ossandón com 28,66% e o terceiro colocado, o deputado José Antonio Kast, com 14,48%. No bloco mais à esquerda, a Frente Amplio, a jornalista Beatriz Sánchez obteve 67,94% dos votos, enquanto o sociólogo Alberto Mayol chegou a 32,06%.

No Chile, não é permitida a reeleição e antes das eleições propriamente ditas são realizadas eleições prévias nas frentes que congregam partidos. A coalizão da atual presidente, Michelle Bachelet, Nueva Mayoría, não participou das prévias. Esse grupo, que substituiu Concertación, se desfez e, assim, os partidos que compõem o antigo grupo sairão com candidatos próprios. O jornalista Alejandro Guillier é o candidato de Bachelet. Porém, o Partido Democrata-Cristão, que deixou o bloco do governo, terá como candidata Carolina Goic.

Entretanto, o maior problema do Governo Bachelet parece não ser a divisão de votos de sua frente que, agora rachada, traz dois candidatos. Segundo a imprensa local, as últimas pesquisas, ainda antes das primárias, davam a Guillier, candidato governista, o segundo lugar nas intenções de voto, chegando a 21%. Goic, do dissidente Democrata-Cristão, estava em último lugar com apenas 4% das intenções de voto. Entretanto, o mais bem colocado era mesmo Piñera que, mesmo antes de ser o candidato oficial do bloco, estava em segundo e abocanhava 25% do eleitorado. A candidata de extrema-esquerda, Beatriz Sánchez, estava na terceira colocação, com 15% das intenções de voto.

A volta à direita?

O resultado das prévias da frente Chile Vamos e os dados das últimas pesquisas parecem revelar um movimento forte em países da América Latina, como na Argentina de Maurício Macri: a volta de governo com orientações mais à direita e neoliberais. Sebastián Piñera esteve à frente do La Moneda, sede do governo chileno, entre 2010 e 2014. Depois, foi sucedido por Bachelet – de quem também recebeu a cadeira do Executivo chileno em 2010.

Piñera, assim que soube do resultado das prévias, tomou para si o discurso de alternativa ao atual governo. As agências de notícias internacionais destacam o discurso emotivo do candidato que se reportava ao aumento de 5% do PIB no país durante sua gestão, mas que, dizia ele, só se seria nostálgico “na busca pela retomada do crescimento” – hoje, o PIB chileno não chega aos 2%. Enquanto isso, a vitoriosa de extrema-esquerda Beatriz Sánchez se anunciava como uma terceira via. “Hoje começa uma nova história da história política do Chile (...), um terceiro bloco começa a disputar o poder. Eles sabem e têm medo de nós”, disse Sánchez, ao comentar o resultado das prévias.

As agências internacionais de notícias dão Piñera como favorito e assumem os resultados das prévias como uma primeira vitória. Entretanto, muitos analistas não comungam da mesma perspectiva. “E penso que estes resultados não falam de um processo de Constituição acabado, mas sim de um que apenas começa a sua jornada”, escreve em sua página no Facebook Rodrigo Karmy Bolton, doutor em Filosofia pela Universidade do Chile, onde leciona e é pesquisador do Centro de Estudos Árabes da Faculdade de Filosofia e Humanidades.

Ainda em junho deste ano, Karmy concedeu uma entrevista à IHU On-Line, onde analisa a situação política chilena. Para ele, a volta da direita ao Chile não é algo já dado. “O cenário atual mostra que Piñera pode vir a ser novamente o futuro presidente do Chile”, reconhece. Entretanto, pontua que “isso não significa dizer que a corrida está resolvida”. Para ele, “haverá muita concorrência”. “Tudo dependerá de se haverá capacidade ou não para unir as forças de esquerda que o governo de Bachelet (sobretudo no seu ‘segundo tempo’) deixou bastante prejudicadas. Porque não se trata simplesmente de se unir para ‘derrotar o Piñera’, mas transformar as condições do pacto oligárquico do Chile”, analisa.

As eleições no Chile

A corrida ao Palácio de La Moneda no Chile ocorre em 19 de novembro. O presidente é eleito por quatro anos por sufrágio universal em todo o país pela maioria absoluta dos votos válidos (exclui nulos e brancos). Se nenhum candidato obtiver essa maioria, um segundo turno entre os dois candidatos mais votados é realizado.

Palácio de La Moneda, sede do Executivo chileno (Foto: Eduardo Herrmann)

No país, o voto não é obrigatório. Os eleitores podem se inscrever se desejarem participar do pleito, mas uma vez feito isso o cidadão terá a obrigação de comparecer às urnas. Os chilenos não são autorizados a votar no exterior.

O Chile mantém em todo o país eleições presidenciais, parlamentares e municipais. A Constituição estabelece que as eleições parlamentares serão realizadas em conjunto com as eleições presidenciais. Como no Brasil, o Congresso do Chile é bicameral. Ou seja, formado de uma Câmara dos Deputados (câmara baixa) e um Senado (Câmara Alta). O país é dividido em 60 distritos eleitorais para a Câmara Baixa e 19 círculos eleitorais do Senado para o Senado. Cada distrito eleitoral ou círculo eleitoral elege dois representantes do Senado. Isto é, 120 deputados e 38 senadores, no total.

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