Chile. Ex-presidente Piñera anuncia que será candidato nas eleições deste ano

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Por: João Flores da Cunha | 23 Março 2017

O ex-presidente do Chile Sebastián Piñera anunciou no dia 21-3 que se apresentará como candidato às eleições presidenciais deste ano no país. Ele é o favorito a suceder a presidenta Michelle Bachelet no cargo.

O anúncio de Piñera já era esperado. O ex-presidente ainda deve passar por primárias para conquistar a indicação, mas ele não terá desafiantes como candidato da direita no pleito. As eleições presidenciais irão ocorrer no dia 19-11, em primeiro turno, e um eventual segundo turno aconteceria no dia 17-12.

Piñera foi o único candidato de direita a ser eleito presidente desde a redemocratização do Chile. Ele governou o país entre 2010 e 2014. Todos os demais presidentes foram eleitos pela aliança de partidos de esquerda, a Nova Maioria (até 2013, Concertación).

Em seu discurso, ele fez críticas ao governo da presidenta Bachelet. Disse que “nosso futuro governo irá manter as coisas boas que os governos anteriores fizeram e corrigir todas as coisas ruins que o governo atual fez”. Piñera prometeu “tempos melhores” aos chilenos.

O candidato enfatizou valores conservadores na apresentação de sua candidatura. “Sou um homem de família, meus pais me inculcaram os valores e o amor ao meu país”, escreveu no Twitter. Em seu discurso, ele apresentou o ensinamento de seus pais como uma de suas razões para se candidatar. “Meus pais me ensinaram que o serviço público era nobre, e que vale a pena dedicar o melhor de nossas vidas a esse serviço público”, disse.

A confirmação da candidatura de Piñera não ocorreu sem polêmica. Gerou mal-estar no país um grito que foi ouvido na cerimônia de anúncio da candidatura. Após os gritos de “viva o Chile” entoados pelos presentes, ouviu-se o complemento “viva o Chile e Pinochet”, uma referência ao general Augusto Pinochet, que liderou um regime ditatorial no país entre 1973 e 1990.

A volta de Piñera ao primeiro plano político reacende um debate no Chile sobre uma série de conflito de interesses. Piñera é um empresário que detém uma fortuna superior a 2 bilhões de dólares. Após ser eleito presidente, em 2010, ele vendeu parte de suas ações, e constituiu um fundo fiduciário cego.

Há uma investigação em curso sobre um suposto uso de informação privilegiada por parte de Piñera para beneficiar uma empresa de sua família. Também há suspeitas de evasão fiscal de algumas de suas empresas.

O candidato afirmou que irá separar as funções de presidente de empresário. “Se for eleito presidente, cumprirei estritamente a letra e o espírito da lei que o Congresso acaba de aprovar”, declarou Piñera. Em 2016, foi aprovada a Lei sobre probidade na função pública e prevenção dos conflitos de interesses.

Piñera é hoje o favorito a vencer as eleições chilenas: ele lidera todas as pesquisas de intenção de voto. O segundo colocado é o senador Alejandro Guillier, da Nova Maioria.

Guillier se tornou conhecido no Chile como jornalista, especialmente de televisão. Ele exerceu a profissão por mais de 30 anos, mas deixou os meios de comunicação em 2013, para se candidatar ao Senado.

Ao contrário de Piñera, Guillier ainda deve enfrentar uma batalha pela indicação nas primárias. O ex-presidente Ricardo Lagos, que governou o país entre 2000 e 2006, também é candidato a disputar as eleições (não há reeleição no Chile, e portanto Bachelet não pode se apresentar como candidata).

Lagos aparece muito atrás de Piñera e de Guillier nas pesquisas. Ele é criticado por parte da esquerda por supostamente ter seguido o modelo neoliberal em seu governo. Assim como os outros presidentes da coalizão de esquerda, ele não conseguiu efetivar as reformas estruturais necessárias para corrigir as desigualdades geradas pelas políticas de Pinochet.

No dia 22-3, o dia seguinte ao anúncio de sua própria candidatura, Piñera criticou os dois pré-candidatos da esquerda. “Nem o ex-presidente Lagos, nem Alejandro Guillier representam o caminho que o Chile deve percorrer”, afirmou. Sobre Lagos, declarou que “me surpreende o baixo apoio popular, de acordo com as pesquisas, que vem tendo o ex-presidente Lagos. Acho que ele não conseguiu sintonizar com os novos tempos”. Lagos tem 79 anos.

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