Chile quer Bachelet, mas não tão rápido

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Por: Jonas | 19 Novembro 2013

As propostas de Bachelet de levar adiante uma reforma educacional, tributária e constitucional seduziram muitos chilenos que não se sentem beneficiados pelos milionários rendimentos da exploração dos recursos naturais.

 
Fonte: http://goo.gl/Ojoe7Y  

A reportagem é de Mercedes López San Miguel, publicada por Página/12, 18-11-2013. A tradução é do Cepat.

Os adeptos de Michelle Bachelet vibravam com o ritmo de uma comemoração sóbria e contida no centro da cidade, sabendo que sua candidata foi a mais votada, mas que não conseguiu ganhar no primeiro turno. A ex-mandatária e líder da Nova MaioriaConcertação, Partido Comunista e seus aliados – obteve 46,77% dos votos, quase vinte pontos acima de Evelyn Matthei, da aliança de direita que obteve 25,17% dos votos. Em terceiro lugar ficou o candidato independente do Partido Progressista, Marco Enriquez Ominami, com 10,88%, seguido pelo independente de direita Franco Parisi, com 10,13%. Para eles se dirigiu Bachelet, quando já passava das 9h00s da noite. “Aqui não há duas leituras. Vencemos as eleições e fizemos isto com uma ampla maioria. Para que o Chile seja o país moderno, solidário e justo que queremos. Sabíamos que o desafio de vencer no primeiro turno era complexo. Ganhamos esta noite e vamos vencer no dia 15 de dezembro”.

As propostas de Bachelet em levar adiante uma reforma educacional, tributária e constitucional seduziram muitos chilenos que não se sentem beneficiados pelos milionários rendimentos da exploração dos recursos naturais. A isto se referiu a ex-mandatária, parada em frente aos seus simpatizantes que a aplaudiam em um espaço organizado no hotel San Francisco. “Votaram por uma educação gratuita e de qualidade, pelo fim do lucro, por uma reforma tributária, para fazer uma mudança no sistema educacional e de saúde. Querem uma nova Constituição que consagre nossos direitos. Daqui a um mês, o Chile votará pelos modelos de país: o de mudança ou do continuísmo”.

Até o encerramento desta edição, continuavam sendo contabilizados os votos para o Parlamento, cruciais para saber se a coalizão de centro-esquerda conta com uma maioria necessária para implementar tais reformas.

Sua rival Evelyn Matthei dirigiu-se aos seus adeptos na sede de sua coordenação. Dos nove candidatos que se apresentaram, tanto Marco Enriquez Ominani como Franco Parisi deixaram claro suas posições para o segundo turno. O primeiro disse que Bachelet venceu e que foi uma boa candidata. “Não há nenhuma possibilidade de que a direita vença”, manifestou o candidato do PRO. Regozijou-se que ex-dirigentes estudantis, como Camila Vallejo, ganharam cadeiras, dirigentes que se somaram ao projeto de Bachelet. No entanto, disse que “sua” candidata é a Assembleia Constituinte e que ele não pedia voto para a Nova Maioria. Parisi, por seu lado, disse que Matthei era uma “senhora má” e que “Bachelet será a presidente”. Afirmou que não votará em dezembro.

Para o analista Carlos Huneeus, diretor do Centro de Estudos da Realidade Contemporânea, a vitória de Bachelet, em parte, explica-se pela distância que tomou em relação aos partidos tradicionais de sua coalizão (então, Concertação) quando terminou o seu governo (2006-2010). “Bachelet saiu com uma alta popularidade e quando surgiu a crise entre o Partido Socialista e o PPD (Partido Pela Democracia), ela se manteve afastada. Outro aspecto é o carisma. Em vão o governo de Sebastián Piñera tentou prejudicar sua popularidade, porque ela tem grande ligação com as massas”.

As demandas do movimento estudantil serão um ponto crítico, antecipou Huneeus. “Bachelet terá que dar resposta à pressão da rua e haverá muito barulho no Congresso”. Ontem, um grupo de vinte estudantes secundários ocupou, durante duas horas, uma sede da Nova Maioria. Apresentaram uma faixa que dizia: “As mudanças não estão em La Moneda, estão nas grandes avenidas” e despertaram a atenção dos meios de comunicação. Eloísa González, dirigente da Assembleia da Coordenação de Estudantes Secundários (ACES) e porta-voz do protesto, afirmou que se tratava de “um último marco midiático” para reafirmar suas demandas por educação pública, gratuita e de qualidade, que há dois anos brotaram no Chile.

Horas antes, no Estádio Nacional da comuna de Ñuñoa, o maior centro de votação do Chile, palpitava-se o que se conheceria à noite. Passaram-se 40 anos do golpe contra Salvador Allende e o espaço que foi um dos centros de detenção e tortura da ditadura está gravado na memória do país, havendo ainda políticos como Evelyn Matthei e seus correligionários da ultradireita UDI que reabilitam a figura de Pinochet.

Um senhor de chapéu e bengala olhava o estádio como se estivesse perdido no tempo. Esteve preso e talvez por causa do trauma não quis dizer o seu nome. Militante socialista de 80 anos e professor aposentado, disse que votou em Bachelet. “Votei nela porque é de meu partido, e o importante é que possa realizar as reformas que prometeu. O que penso sobre este lugar? Que tomara que não se repita o passado. Que o país continue sendo absolutamente democrático”.

Em meio ao ir e vir das pessoas, Carlo Vivanco, de 38 anos, disse que não teve dúvidas e votou por Matthei. “A direita tem boa lida com a política e a economia. O governo de Bachelet não foi bom, o país cresceu pouco. E em Evelyn vejo uma mulher capaz e inteligente”, contou o empregado do metrô de Santiago.

“Tenho muito boa memória - disse María Inés Guzmán, de 86 anos, que vive em um lar de idosos -, contudo, prefiro não me lembrar de Pinochet”. A senhora votou pela candidata da Nova Maioria porque acredita que pode fazer mais do que em seu governo anterior. “Resta muita coisa para ser feita, como, por exemplo, construir moradias para as pessoas pobres e melhorar a saúde”.

Se há algo que se repetia entre os consultados no Estádio Nacional era a expectativa de muitos de que diminua a distância entre ricos e pobres e que se melhorem os sistemas educacional e de saúde. Terão um mês a mais para decidir sua escolha.

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