A doença de Orbán tende a se espalhar rapidamente

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08 Setembro 2021

 

"No momento, o premiê húngaro está de férias na Itália e recebe visitas, atenção e trocas de pontos de vista de uma líder política italiana, Giorgia Meloni, que pratica o jogo de acolher no seu partido tudo o que resta do fascismo, conseguindo, entretanto, aparecer 'limpa' no jogo, como certos colaboradores da máfia, aqueles que, apesar dos seus contatos, acabam por evitar o processo e sobretudo o agravante de máfia. No entanto, o eixo Roma-Budapeste é apenas uma parte do contágio: Orbán dividiu a Europa ao conseguir impedir da UE qualquer empenho de acolhimento ou ajuda ao mundo abandonado do Afeganistão. Desviando para fora do caminho a falsa bondade de Salvini - que chegou a dizer: 'Vamos ajudar aqueles que vêm da guerra no Afeganistão, mas que não nos digam que há guerras na África' -, Orbán, enquanto passa suas férias com Meloni, chega a dizer: 'Claro que vamos ajudá-los. Vamos ajudá-los em sua casa'", escreve o jornalista e ex-deputado italiano Furio Colombo, pelo Partido Democrático, em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 05-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

Como acontece com as epidemias mais perigosas, é fácil no início subestimar o perigo: Viktor Orbán - líder de um partido menor e autoritário de um país que tem a história, a reputação, a cultura da Hungria - tornou-se importante quando, naquele país, começou a vencer.

A mídia e a política europeias subestimaram aquelas subsequentes vitórias eleitorais, mesmo que cada uma fosse seguida por um ato destrutivo contra a democracia húngara: contra a cultura, contra as universidades, contra os juízes, contra "os estrangeiros" ou seja, a imigração, imediatamente definida como "clandestina" e contra os judeus, ou pelo menos contra um importante e conhecido cidadão judeu-húngaro que havia fundado a maior universidade do país e estava empenhado em apoiar o resgate de migrantes no mar e nos acolhimentos. George Soros tornou-se o inimigo público número de um grupo cada vez mais amplo à disposição de Orbán, com o impulso e o apoio dos homens de Trump e dos apaixonados pela morte no mar dos refugiados, em um mundo fundado sobre a invenção contínua do falso.

Aqui, neste ponto, é necessária uma reflexão. Muitos dos que sentem repugnância por Orbán se perguntam quem é este homem que bloqueia os caminhos por terra com barricadas cruéis e cria afogamentos nas vias do mar para aqueles que anseiam pela salvação na Europa. Quem o autoriza, como se fosse o guardião de um sangue sagrado, a bloquear uma terra que ninguém mais tem o direito de pisar? Não sei muito sobre a sua vida e não desejo conhecê-la. Vejo a desumanidade do seu projeto político, mas não sei o que o mobiliza e o torna o líder máximo de tantas pessoas que acabam de se libertar de outra opressão, a do pós-stalinismo, que vai em busca da mesma. opressão.

E aqui outro fenômeno é evidente: um líder desprovido de ideias políticas, incapaz de comunicar uma visão do mundo, exceto por várias formas de perseguição, torna-se o eleito e o favorito de alguns países da União Europeia da qual Orbán infelizmente faz parte.

No momento, o premiê húngaro está de férias na Itália e recebe visitas, atenção e trocas de pontos de vista de uma líder política italiana, Giorgia Meloni, que pratica o jogo de acolher no seu partido tudo o que resta do fascismo, conseguindo, entretanto, aparecer "limpa" no jogo, como certos colaboradores da máfia, aqueles que, apesar dos seus contatos, acabam por evitar o processo e sobretudo o agravante de máfia. No entanto, o eixo Roma-Budapeste é apenas uma parte do contágio: Orbán dividiu a Europa ao conseguir impedir da UE qualquer empenho de acolhimento ou ajuda ao mundo abandonado do Afeganistão. Desviando para fora do caminho a falsa bondade de Salvini - que chegou a dizer: "Vamos ajudar aqueles que vêm da guerra no Afeganistão, mas que não nos digam que há guerras na África" -, Orbán, enquanto passa suas férias com Meloni, chega a dizer: “Claro que vamos ajudá-los. Vamos ajudá-los em sua casa”.

Apenas alguns membros da Comissão e do Parlamento Europeu (David Sassoli entre os mais vigorosos) expressaram sua indignação ao descobrir que um a um os Estados europeus estavam se passando para o lado do primeiro-ministro húngaro Orbán, um perseguidor de profissão. Precisamente no país onde - escreveu Giorgio Perlasca no seu diário, de 1944 - o Danúbio, entre as duas margens de Buda e Peste, estava vermelho com o sangue das vítimas (judeus e antifascistas), foi estabelecido que a nova norma da União europeia são as fronteiras sagradas, barradas por terra e por mar, para impedir a passagem de quem busca por socorro.

Neste ponto, está claro que a aventura Orbán-Meloni não é um fato local ou pessoal. É triste e humilhante para a Itália que haja um vínculo tão forte entre duas personagens e dois partidos voltados para a caça racista, antifascistas, que amputaram deliberadamente o grande instrumento de solidariedade. Mas é ainda mais grave constatar que o impacto da extrema direita (com a participação ativa e animada da Itália) está dividindo a União Europeia de uma forma que poderia ser irreversível. Como os Estados Unidos acabaram de cair feio depois de Cabul, uma queda semelhante (para trás, para o nada) da União Europeia esvaziaria o mundo de suas expectativas e de suas esperanças. Uma esperança é que o Papa perceba e fale sobre o se definir cristão dessas pessoas que constroem muros e afundam barcos, e perceba como é blasfema sua invocação ao crucifixo nas delegacias e nas escolas.

 

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