Alemanha. Jovens católicos pedem ao cardeal Woelki que renuncie por arquivar denúncia de encobrimento de abusos sexuais pelo clero

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16 Novembro 2020

A Federação dos Jovens Católicos Alemães de Colônia (BDKJ) manifestou-se sobre as falhas na produção do relatório: “não queremos mais permanecer em silêncio”.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Novena News, 13-11-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Em uma declaração postada em seu site no último dia 12 de novembro, a Federação dos Jovens Católicos Alemães de Colônia pautou um pedido de renúncia para o cardeal Woelki. Os membros dizem que depois de conversarem pessoalmente com sobreviventes de abusos na Arquidiocese de Colônia “não queremos mais permanecer em silêncio”.

Woelki tem sido atacado desde 30 de outubro quando ele decidiu por não publicar o relatório de uma investigação independente sobre a negligência por parte dos oficiais da Igreja de Colônia em enfrentar casos de pedofilia clerical, alegando que o relatório não tinha base legal segura.

O cardeal pediu o relatório em 2018, e já havia adiado a data original de publicação em março deste ano.

“Vergonhoso” que Woelki e o vigário-geral tenham destruído mais uma vez a verdade dos sobreviventes.

Na declaração da BDKJ, o coordenador Volker Andres disse que era “vergonhoso” que Woelki e seu vigário-geral Markus Hofman “tenham destruído mais uma vez a verdade de muitas pessoas que sofreram a violência dos abusos sexuais na Igreja Católica”.

A BDKJ denuncia que um conselheiro arquidiocesano do comitê de sobreviventes de abusos não foi incluído no relatório e que a decisão de publicá-lo foi adiada de março de 2020 para o dia 29 de outubro de 2020 – um dia antes de Woelki tornar pública sua decisão de enterrar o relatório.

Os jovens católicos acrescentaram que em 29 de outubro, a Arquidiocese de Colônia já havia procurado e obtido um parecer jurídico alternativo sobre o relatório, que revelava as supostas deficiências técnicas que Woelki alegou para adiar novamente sua publicação.

Na mesma data, os membros do conselho consultivo dos sobreviventes também foram informados da decisão unilateral de Woelki de contratar outro advogado para produzir outra versão do relatório até março de 2021, disse a BDKJ.

O grupo acrescentou que ambas as imposições do cardeal – a opinião legal alternativa e a contratação de um novo advogado – deixaram os sobreviventes sob “mássica pressão pessoal” para concordar com suas decisões.

“Independentemente da decisão final de não publicar [o relatório]…, esse tratamento das pessoas afetadas é imprudente e implacável, porque desta forma as pessoas afetadas são repetidamente feridas gravemente por representantes da Igreja”, denunciou a coordenadora da BDKJ Annika Jülich.

Não aos líderes que se voltam contra os sobreviventes “para proteger a instituição da Igreja”

A BDKJ de Colônia aponta que “embora um relatório legal seja desejável, é muito mais decisivo que os fatos sejam finalmente tornados públicos – quais erros foram cometidos no trato com as vítimas de violência sexual e os perpetradores, e quem foi o responsável por eles”.

“Como representantes de crianças e jovens, não queremos ver ninguém em posição de responsabilidade na Igreja Católica que tenha abalado a confiança de tantos e deixado sozinhas as vítimas de violência sexual para proteger a instituição da Igreja”, acrescentou o grupo de jovens católicos.

Os jovens solicitam para que publique o relatório original e implemente suas recomendações. Na Igreja, “as estruturas hierárquicas de poder devem ser desmanteladas e o controle efetivo do poder deve ser implementado em todos os níveis”, insistiu Andres, coordenador da BDKJ.

Porta-voz do conselho consultivo dos sobreviventes renuncia

As críticas da BDKJ não são de forma alguma o único problema com o qual Woelki está precisando lidar depois de sua controversa decisão de não publicar o relatório independente sobre encobrimento de abusos na arquidiocese de Colônia.

Também na quinta-feira, um segundo porta-voz do conselho consultivo dos sobreviventes arquidiocesanos, Karl Haucke, renunciou ao cargo e também anunciou sua intenção de deixar o grupo por completo.

Haucke disse que estava tomando essas decisões porque se sentia instrumentalizado por Woelki e outras autoridades da arquidiocese de Colônia, que justificaram sua decisão de não publicar o relatório com base no suposto acordo que haviam alcançado com o conselho para seguir esse curso de ação.

Outro porta-voz do conselho de sobreviventes, Patrick Bauer, renunciou na semana passada pelos mesmos motivos de Haucke, que também lamentou que com a polêmica sobre o relatório “Eu quase não durmo mais, tenho pesadelos de novo, tive que mudar minha medicação”.

 

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