Um quinto dos países correm risco de colapso ecossistêmico. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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15 Novembro 2020

"O avanço do processo de crescimento contínuo da produção e consumo de bens e serviços ao bel-prazer da humanidade tem provocado uma degradação generalizada dos ecossistemas globais e gerado um ecocídio da vida selvagem [...] Sem dúvida, o ecocídio é também um suicídio", escreve José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – ENCE/IBGE, em artigo publicado por EcoDebate, 13-11-2020.

Eis o artigo.

Um quinto dos países correm o risco de colapso de seus ecossistemas devido à destruição da vida selvagem e de seus habitats naturais, de acordo com análise da seguradora Swiss Re.

Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BES) incluem necessidades como fornecimento de alimentos, segurança da água e regulação da qualidade do ar, que são vitais para manter a saúde e estabilidade das comunidades e das economias.

Mais da metade (55%) do PIB global, equivalente a US$ 41,7 trilhões, depende da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos de alto funcionamento. No entanto, um quinto dos países do Globo (20%) correm o risco de seus ecossistemas entrarem em colapso devido a um declínio na biodiversidade e serviços benéficos relacionados, segundo o Instituto Swiss Re.

O estudo, que é baseado no Índice de Serviços do Ecossistema, mostra que tanto o desenvolvimento quanto o avanço das economias estão em risco. O relatório encontra países em desenvolvimento que têm uma forte dependência de setores agrícolas, como Quênia ou Nigéria, são suscetíveis a choques do BES e de uma série de questões de biodiversidade e dos ecossistemas.

Entre as economias do G20, África do Sul e Austrália lideram o ranking de países frágeis no BES. O conhecido impacto da escassez de água é um motivador para esses países, ao lado de fatores como proteção costeira e polinização. Brasil e Indonésia possuem a maior porcentagem de ecossistemas intactos dentro do G20. No entanto, a forte dependência econômica dos países de recursos naturais, destaca a importância do desenvolvimento sustentável e da conservação para a sustentabilidade de longo prazo de suas economias, segundo a Swiss Re.

Cabe notar que toda esta análise não foi feita por ambientalistas contrários ao sistema econômico hegemônico, mas sim é um alerta lançado por uma instituição do centro do poder financeiro internacional. Isto mostra a gravidade da perda da biodiversidade no mundo.

Um levantamento publicado no dia 05 de novembro pelo IBGE mostrou que 20% das espécies brasileiras de animais e plantas estavam ameaçadas em 2014 – quase 3,3 mil. Desse total, 1.989 estavam na Mata Atlântica, o bioma mais afetado. A pesquisa “Contas de Ecossistemas” analisou a situação da biodiversidade no país, a partir das espécies de fauna e flora listadas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ) e pelo ICMBio.

O Relatório Planeta Vivo 2020, divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), no dia 10 de setembro, mostra que o avanço do processo de crescimento contínuo da produção e consumo de bens e serviços ao bel-prazer da humanidade tem provocado uma degradação generalizada dos ecossistemas globais e gerado um ecocídio da vida selvagem que sempre existiu no planeta muito antes dos seres humanos.

Enquanto a população humana passou de 3,5 bilhões para cerca de 7,5 bilhões de habitantes, as populações de vertebrados silvestres, como mamíferos, pássaros, peixes, répteis e anfíbios, sofreram uma redução de 68% entre 1970 e 2016. Sem dúvida, o ecocídio é também um suicídio.

Referências:

Swiss Re Institute. A fifth of countries worldwide at risk from ecosystem collapse as biodiversity declines, reveals pioneering Swiss Re index, October 2020. Disponível aqui.

WWF. Living Planet Report, 2020. Disponível aqui

Série Taliba de Meio Ambiente | EP 02 | Luiz Marques, José Eustáquio Alves e Cristina Serra

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