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17 Setembro 2020

A produção mundial cresceu 240 vezes, nos últimos 500 anos. A população no mesmo período aumentou 14 vezes. São dados que mostram duas coisas: o enorme potencial das sociedades em transformar a natureza e o retumbante fracasso na distribuição dos resultados.

A reportagem é de Federico Kucher, publicada por Página/12, 13-09-2020. A tradução é do Cepat.

Pode-se dizer que a fome acabou: a fome extrema. Mas nenhum economista ou historiador se atreveria a afirmar que as pessoas - usando os instrumentos que queiram para o cálculo - vivem 20 vezes melhor hoje do que há 5 séculos. O ponto é evidente: produziu-se mais, mas não se repartiu de forma equitativa.

A concentração é ou não um problema? O debate é muito intenso, mas há possivelmente um aspecto importante: a desigualdade é impossível de se justificar se implica que todos os seres humanos não alcançam as condições iniciais mínimas para se desenvolver.

Isso se replica de diferentes maneiras. As características da bolsa estadunidense podem ser uma forma de começar a abordar a questão. Metade das ações operadas nesse mercado pertence a 1% dos norte-americanos. A metade da população dos Estados Unidos com menor renda possui menos de 1% das ações da bolsa.

Em tempos de estabilidade econômica, o debate sobre concentração, equidade e oportunidades, tanto individuais quanto coletivas, perde protagonismo. Em tempos de turbulência, recupera vigor para ser um dos focos de atenção dos intelectuais do establishment ocidental. Este último começa a ocorrer com a crise sanitária.

O Prêmio Nobel de Economia Edmund Phelps, em uma de suas últimas colunas de opinião, colocou em palavras claras: “Amplas camadas da sociedade estão profundamente frustradas. Nas economias avançadas, um sentimento geral de mal-estar levou novamente a uma discussão sobre o que o Estado pode e deve fazer para garantir a justiça econômica”.

Afirmou que “em grande parte do mundo ainda há sinais de pobreza, como a desnutrição entre os trabalhadores. Esses resultados são sinais sombrios de que algo está errado: o problema não é apenas a desigualdade, mas um alto grau de injustiça”.

Paul Krugman é outro Prêmio Nobel de Economia que, na semana passada, se concentrou em questões de bem-estar nos Estados Unidos. Criticou a ideia de que a recuperação de um milhão de empregos relatada nas últimas estatísticas é um dado a comemorar. Garantiu que ainda resta somar 11 milhões de empregos para voltar à situação de fevereiro e que a recuperação da economia está descuidando de quem tem menos.

“O que alguns economistas e muitos políticos frequentemente esquecem é que a economia não é fundamentalmente sobre dados, é sobre pessoas. Eu gosto de dados provavelmente mais do que qualquer outra pessoa. Mas o sucesso da economia não deve ser julgado por estatísticas impessoais, mas se a vida das pessoas está melhorando".

Essas discussões sobre as injustiças econômicas e os instrumentos necessários para melhorar a qualidade de vida da população têm ampla margem para definir a agenda. A dimensão da crise global parece sem precedentes. Os últimos dados do Instituto Internacional de Finanças projetam que apenas uma das economias poderosas do mundo acabará crescendo em 2020: trata-se da China, que alcançará um aumento de atividade próximo a 4%. Enquanto isso, a queda no PIB mundial será de cerca de 4%.

Para entender o nível da crise, pode-se detalhar que em 2009, com o estouro da bolha hipotecária e a consequente crise financeira, a economia internacional perdeu menos de um ponto do PIB. E, diferente desta ocasião, países como a Índia e outros mercados asiáticos conseguiram crescer.

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