Papa planeja grandes festividades para celebrar seu homônimo São Francisco de Assis

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03 Setembro 2020

Para o primeiro papa da história com o nome de Francisco de Assis, a festa do santo, no dia 4 de outubro, deve ser algo significativo, e este ano não é exceção, pois vários eventos vaticanos importantes já estão agendados.

A reportagem é de Elise Ann Allen, publicada em Crux, 02-09-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No domingo, o Papa Francisco anunciou um "Tempo da Criação" especial, começando no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, no dia 1º de setembro, e encerrando na festa de São Francisco, no dia 4 de outubro.

Com o tema sugerido de “Jubileu da Terra”, o evento de um mês de duração faz parte de uma celebração mais amplo, de um ano de duração, que marca o quinto aniversário da ecoencíclica do Papa Francisco, Laudato si’, publicada em junho de 2015, e foi pensado para encorajar as comunidades a repensarem suas relações umas com as outras e com a criação por meio de uma série de eventos presenciais e online, organizados em nível local em todo o mundo.

Fontes do Vaticano disseram ao Crux que o Tempo da Criação deve culminar com a publicação da nova encíclica do papa sobre a fraternidade humana, no dia 4 de outubro, coincidindo com a festa de São Francisco de Assis.

Desde o início do seu papado, o Papa Francisco adotou e celebrou o seu homônimo como um modelo de justiça e fraternidade.

Ao falar a cerca de 5.000 jornalistas poucos dias depois da sua eleição ao papado em 2013, Francisco disse que a primeira vez que pensou em assumir o nome do grande santo do século XIII foi depois que ficou óbvio que ele tinha recebido a necessária maioria de dois terços dos votos, quando o cardeal brasileiro Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, abraçou-o e lhe disse: “Não se esqueça dos pobres”.

“E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois, imediatamente, em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis. Então, pensei nas guerras, enquanto a contagem dos votos continuava”, disse ele na época, acrescentando que, para ele, São Francisco é também “o homem da paz”.

“Foi assim que o nome veio ao meu coração: Francisco de Assis. Para mim, ele é o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege a criação”, disse o papa, chamando São Francisco de “o homem pobre que queria uma Igreja pobre. Ah, como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres.”

Desde então, a luta contra a pobreza e a desigualdade, a busca pela paz renovando os laços de fraternidade e o cuidado do ambiente se tornaram pontos centrais do papado de Francisco.

Todos esses são temas que emergiram como centrais na Laudato si’ – cujo título vem de um hino à criação escrito por São Francisco – e que ressurgiram novamente em suas catequeses semanais nas Audiências gerais sobre o coronavírus.

Em sua audiência no dia 12 de agosto, Francisco disse aos telespectadores do evento transmitido ao vivo que a pandemia “evidenciou como estamos todos vulneráveis e interconectados. Se não cuidarmos uns dos outros, começando pelos últimos, por aqueles que são mais afetados, incluindo a criação, não podemos curar o mundo”.

Em sua mensagem do dia 1º de setembro para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que também é celebrado pela Igreja Ortodoxa de Constantinopla, Francisco insistiu que “tudo está inter-relacionado, e o cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros”.

“Quebramos os laços que nos uniam ao Criador, aos outros seres humanos e ao resto da criação”, disse ele, exortando os fiéis a “pensar novamente nos outros, especialmente nos pobres e nos mais vulneráveis”.

Ele condenou a “história de exploração do Sul do planeta”, insistindo que isso “provocou um enorme déficit ecológico, devido principalmente à depredação dos recursos e ao uso excessivo do espaço ambiental comum para a eliminação dos resíduos. É o tempo de uma justiça reparadora”.

Francisco novamente pediu o perdão da dívida para os países pobres que enfrentam o impacto do coronavírus e exortou todas as nações a adotarem “metas nacionais mais ambiciosas” para reduzir as emissões de carbono antes da cúpula da COP-26 em Glasgow. Também pediu à comunidade global para unir forças para garantir que a Cúpula da COP-15 sobre Biodiversidade, que irá ocorrer em Kunming, na China, “constitua um ponto de viragem” para o cuidado ambiental.

Para Francisco, paz e justiça sempre envolveram um renovado senso de interconexão e irmandade, e a sua solução para enfrentar as desigualdades globais sempre envolveu apelos por um maior senso de fraternidade e solidariedade – todos temas que provavelmente ressurgirão em sua nova encíclica sobre a fraternidade humana.

Durante a visita do Papa Francisco a Abu Dhabi em fevereiro de 2019, ele participou de uma conferência sobre o diálogo inter-religioso, que culminou com a assinatura de um documento sobre a fraternidade humana, destacando a importância da coexistência e da resistência à violência, e que foi assinado por ele e o grão-imã de al-Azhar, Ahmed el-Tayeb.

Na época, o então porta-voz vaticano Alessandro Gisotti chamou o documento de “um vibrante apelo para responder com bem ao mal, para reforçar o diálogo inter-religioso e para promover o respeito mútuo a fim de bloquear o caminho para aqueles que jogam lenha na fogueira do choque de civilizações”.

“Diante da humanidade, ferida por tantas divisões e fanatismos ideológicos, o pontífice e o grão-imã de al-Azhar demonstram que promover uma cultura do encontro não é uma utopia, mas é a condição necessária para viver em paz e para deixar para as futuras gerações um mundo melhor do que aquele em que vivemos”, disse ele.

Também há outra conexão entre o papa e o seu homônimo do século XIII, já que São Francisco também cruzou divisões históricas para ir ao encontro do mundo muçulmano. Em 1219, ele cruzou as linhas de batalha da Quinta Cruzada e acabou conversando com o sultão Malek al-Kamil, uma troca respeitosa vista como paradigmática para o diálogo cristão-muçulmano desde então. Apropriadamente, o encontro deles ocorreu durante o mês de setembro, antes daquela que viria a ser a festa de São Francisco.

O documento de Abu Dhabi é, de muitas maneiras, um precursor da encíclica, que provavelmente enfatizará as conexões ecumênicas e inter-religiosas na luta para proteger o ambiente e buscar uma sociedade caritativa mais justa em um mundo pós-pandêmico, onde os pobres ficaram mais pobres.

Desde o ano passado, o documento tem sido promovido por meio de um novo Comitê Superior para a Tolerância Inter-Religiosa nos Emirados Árabes Unidos, que foi criado após a visita do papa, com a tarefa de implementar os princípios básicos da declaração.

Ao lançar a sua nova encíclica no dia 4 de outubro, ao término do Tempo da Criação, o papa estaria novamente confiando a São Francisco os temas que vieram à sua mente junto com o nome de seu padroeiro em um momento que selou suas prioridades papais.

Portanto, aqueles que previram que o coronavírus e as limitações atuais em relação às viagens papais iriam atrasar as coisas no Vaticano podem rever os seus conceitos, porque, se a festa de São Francisco for alguma indicação, serão meses agitados.

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