Tempo da Criação. Não há progresso com base na destruição da natureza, afirma Bartolomeu I

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31 Agosto 2020

Em sua Mensagem para o Dia de Oração pela Proteção da Criação em 1º de setembro, o Patriarca Ecumênico Ortodoxo é claro: biodiversidade destruída e equilíbrio climático em colapso requerem uma ação conjunta de indivíduos e governos, “o desenvolvimento econômico – escreve ele – não pode permanecer um pesadelo para a ecologia”.

A reportagem é de Alessandro De Carolis, publicada por Vatican News, 29-08-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

A pergunta que surge no meio da mensagem leva a parar um pouco e refletir: por quanto tempo mais a natureza suportará discussões e consultas infrutíferas e todo novo adiamento em tomar medidas decisivas para sua proteção? ”É uma questão que não pode ser contornada e sobre a qual o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, articula sua mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação no próximo dia 1º. de setembro.

Um imperativo categórico

A questão é precedida por uma discussão baseada no realismo: "É uma convicção compartilhada – escreve Bartolomeu I – que, em nosso tempo, o ambiente natural está ameaçado como nunca antes na história da humanidade" e a extensão da ameaça é evidenciada, diz ele, pelo fato de que “O que está em jogo não é mais a qualidade, mas a preservação da vida em nosso planeta”. Assistimos, enumera, “a destruição do meio natural, da biodiversidade, da flora e da fauna, da poluição dos recursos aquáticos e da atmosfera, do progressivo colapso do equilíbrio climático” e outros excessos. Um complexo de situações, observa Bartolomeu I, que demonstra como "a integridade da natureza" seja um "imperativo categórico" para a humanidade contemporânea. E, no entanto, não é compreendida em sua importância em todos os níveis.

A ilusão de uma natureza "autorregenerativa"

Se no plano pessoal, dos grupos e das organizações se destaca uma "grande sensibilidade e responsabilidade ecológica", o mesmo não acontece – ressalta o Patriarca de Constantinopla – se o olhar se desloca para os administradores da coisa pública. “As nações e os agentes econômicos são incapazes – em nome das ambições geopolíticas e da “autonomia da economia”- de adotar as decisões corretas para a proteção da criação”, observa o Patriarca Ortodoxo, e aliás cultivam ”a ilusão” de que “o ambiente natural tem o poder de se renovar”.

Chega de pesadelos

A crise de Covid, diz ele, em vez disso, mostrou o impacto da atividade humana na criação, com a diminuição da poluição registrada durante o lockdown. Portanto, é a convicção de Bartolomeu I, se a indústria de hoje, os transportes, o sistema econômico baseado na "maximização do lucro" têm um "impacto negativo no equilíbrio ambiental", uma "mudança de rumo para uma economia ecológica constitui uma necessidade inadiável. Não existe nenhum verdadeiro progresso baseado na destruição do meio ambiente natural”. “É inconcebível – afirma ainda – que as decisões econômicas sejam tomadas sem levar em conta também suas consequências ecológicas. O desenvolvimento econômico não pode ser um pesadelo para a ecologia”.

Igreja, "ecologia aplicada"

Na parte final da mensagem, Bartolomeu I recorda o grande compromisso do Patriarcado Ortodoxo com as questões ecológicas e a necessidade de colaborar de forma ampla nesse sentido. No fundo, ele conclui, “a própria vida da Igreja é uma ecologia aplicada. Os sacramentos da Igreja, toda a sua vida de culto, a sua ascese e a vida comunitária, a vida quotidiana dos seus fiéis, exprimem e geram o mais profundo respeito pela criação”.

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