Bartolomeu, Patriarca Ecumênico: se a Basílica de Santa Sofia se tornar uma mesquita, milhões de cristãos irão se virar contra o Islã

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01 Julho 2020

Na terça-feira, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I enviou uma mensagem à Turquia, em que diz que qualquer transformação da Basílica de Santa Sofia em mesquita “fará milhões de cristãos de todo o mundo se virar contra o Islã”.

A reportagem é publicada por Ecumenical Patriarchate, 30-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em seu sermão após a Divina Liturgia no celebrado Templo Sagrado dos Santos Apóstolos, em Feriköy, o Patriarca Ecumênico referiu-se à questão da transformação da [Basílica de] Santa Sofia em uma mesquita.

A Santa Sofia “não pertence somente ao seu possuidor, mas a toda a humanidade. (…) E o povo turco tem a grande responsabilidade e a mais alta honra de dar proeminência à universalidade deste monumento extraordinário”, sublinhou o religioso, entre outras coisas, durante a Divina Liturgia de hoje no Templo Sagrado dos Santos Apóstolos, em Feriköy.

“Como museu, a Santa Sofia pode funcionar como lugar e símbolo de encontro, diálogo e coexistência pacífica dos povos e das culturas, de entendimento mútuo e solidariedade entre o cristianismo e o Islã”, salientou o Patriarca Ecumênico.

O religioso estimou que transformar a Santa Sofia mesquita “fará milhões de cristãos em todo o mundo se virar contra o Islã”.

“A [Basílica de] Santa Sofia é um centro importantíssimo onde o Ocidente abraça-se com o Oriente”, disse ele, enfatizando a necessidade de unidade e orientação comum.

Leia a nota do Patriarca Ecumênico Bartolomeu:

Patriarca Ecumênico Bartomoleu sobre a Santa Sofia.

[Igreja dos 12 Apóstolos, em Feriköy, 30-06-2020]

A transformação da [Basílica de] Santa Sofia em uma mesquita é um tópico amplamente discutido. No contexto das várias discussões que ocorreram sobre esse assunto, a nossa Modéstia expressou repetidas vezes a posição do Patriarcado Ecumênico e de seus filhos espirituais do mundo inteiro. Em 2016, nós enviamos uma Carta ao então Diretor de Assuntos Religiosos, Prof. Mehmet Görmez, a quem expressamos a nossa preocupação pela proposta de alteração do status da Santa Sofia e sublinhamos que este monumento singular tem um valor sagrado para ambas as religiões monoteístas, porque serviu de lugar de adoração a Deus por 900 anos para os cristãos e por 500 anos para os muçulmanos. Concluímos aquela carta dizendo que consideramos prejudicial que a [Basílica de] Santa Sofia, a qual, devido à sua dedicação à Sagrada Sabedoria, é um ponto de encontro e fonte de fascínio para os fiéis de ambas as religiões, venha a se tornar, no século XXI, motivo de confronto e conflito.

Sem dúvida, este templo da Sagrada Sabedoria é um dos monumentos clássicos mais significativos da civilização universal. “Clássico” é aquilo que sempre transcende as fronteiras das pessoas e do tempo de sua criação e que não pertence somente ao seu possuidor, mas a toda a humanidade. Nesse sentido, o povo turco tem a grande responsabilidade e a mais alta honra de dar proeminência à universalidade deste monumento extraordinário. Como museu, a Santa Sofia pode funcionar como lugar e símbolo de encontro, diálogo e coexistência pacífica dos povos e das culturas, de entendimento mútuo e solidariedade entre o cristianismo e o Islã, o que é extremamente importante e benéfico para o mundo contemporâneo.

Durante estes tempos de discussões acaloradas sobre esse tópico, um notável jornalista turco escreveu que, enquanto se solicita a volta da Santa Sofia à adoração religiosa, parece que a juventude tem se voltado mais intensivamente para as artes e a cultura. Não deveria essa virada dos jovens ser um tema de preocupação para todos nós? Não deveríamos nós também nos voltar em direção aos princípios comuns, em direção a ideias que unem os jovens de ambas as religiões, iniciativa que salvaguardaria um futuro melhor para a humanidade, em vez de destacar e trazer de volta questões de fachada que provocam divisões e tensões? A transformação da Santa Sofia em mesquita irá decepcionar milhões de cristãos ao redor do mundo, e a Santa Sofia, que, devido à sua sacralidade, é um centro importante onde o Ocidente abraça-se com o Oriente, irá fraturar estes dois mundos, mais ainda num momento em que a humanidade afligida e sofrida, devido à pandemia mortal do novo coronavírus, está necessitada de unidade e orientação comum.

 

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