''Cuidar do ambiente também é se preocupar com a pobreza.'' Entrevista com o Patriarca Bartolomeu I

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24 Junho 2015

Para o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, citado várias vezes na encíclica Laudato si' pelo Papa Francisco pelo seu magistério sobre a proteção do ambiente, "ecologia e economia têm a mesma raiz comum: casa".

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 18-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"A gentil referência que o nosso irmão Papa Francisco fez não me surpreendeu..." O Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, citado em dois parágrafos da encíclica Laudato si', é um pioneiro da pregação em defesa do ambiente. O Vatican Insider o entrevistou depois da leitura do texto de Francisco.

Eis a entrevista.

O papa entra em campo com uma encíclica dedicada à ecologia, que dedica dois parágrafos ao seu magistério sobre esse assunto. Ficou surpreso?

A gentil referência que o nosso irmão Papa Francisco fez ao Patriarca Ecumênico e ao nosso humilde ministério não me surpreendeu. Por vários motivos. Acima de tudo, qualquer pessoa que tenta discernir a beleza de Deus na sacralidade da criação, inevitavelmente, reconhecerá "tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honrado, o que é virtuoso e merece louvor" (Filipenses 4, 8).

Em segundo lugar, porque não podemos falar de uma dupla ordem ou de uma dupla realidade na criação. Todas as Igrejas, todas as religiões e todas as disciplinas confessam a mesma verdade, isto é, que o mundo é um dom divino que todos nós somos chamados a proteger e a preservar. Em terceiro lugar, a crise ecológica tem uma dimensão ecumênica: não se pode identificar uma instituição em particular e culpá-la pelo dano que provocamos à criação; e nenhuma instituição sozinha pode resolver a crise ecológica.

Por que as Igrejas Ortodoxa e Católica decidiram intervir sobre esse tema de maneira tão decidida e tão específica?

Há muito mais. O que une as nossas duas Igrejas é muito mais do que aquilo que nos divide. Ambas devem ter esse aspecto em mente e empenhar-se pela unidade. Mas muito além das nossas diferenças confessionais e doutrinais, estamos unidos na terra que compartilhamos, na criação que nos foi oferecida como dom precioso e frágil pelo nosso Criador. Em vez de sugerir que a Igreja Ortodoxa e a Católica decidiram denunciar o impacto que a humanidade teve sobre as mudanças climáticas, talvez seria mais correto e apropriado dizer que as nossas Igrejas se deram conta de que não podemos fazer outra coisa, que "servir e preservar" a criação de Deus é parte integrante da nossa vocação como chefes de comunidades cristãs, assim como transformar a natureza em cultura e empenharmo-nos pela justiça social no mundo.

Na encíclica Laudato si', o Papa Francisco liga de modo permanente a questão da proteção da criação com a necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento, para ir rumo a uma economia que tenha o homem no seu centro, e não o dinheiro. Compartilha essa abordagem?

O problema da poluição e da degradação ambiental não pode ser isolado a fim de entender ou de encontrar uma solução. O ambiente é a casa que circunda a espécie humana e inclui o habitat humano. Não se pode, portanto, apreciar nem avaliar o ambiente sozinho, sem vinculá-lo diretamente à criatura única que o habita. Preocupar-se com o ambiente significa preocupar-se também com os problemas humanos, como a pobreza, a sede e a fome. Esse vínculo está descrito detalhadamente e de forma completa na parábola em que o Senhor diz: "Eu tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber" (Mateus 25, 35).

Além disso, os termos "ecologia" e "economia" têm a mesma raiz etimológica. O prefixo que têm em comum, "eco", deriva da palavra grega oikos, que significa "casa" ou "habitação". No entanto, é deplorável e egoísta o fato de que tenhamos limitado o uso dessa palavra a nós mesmos, como se fôssemos os únicos habitantes do mundo. O fato é que nenhum sistema econômico – por mais tecnológica ou socialmente evoluído que seja – pode sobreviver ao colapso dos sistemas ambientais que o sustentam. Este planeta, de fato, é a nossa casa; mas também é a casa de todos, já que é a casa de cada criatura animal e de cada forma de vida criada por Deus. É um sinal de arrogância da nossa parte presumir que só nós, seres humanos, habitamos nesta terra. Do mesmo modo, também é um sinal de arrogância imaginar que a Terra pertença apenas a esta geração.

O cristianismo às vezes foi acusado de ter permitido a aplicação de um modelo de exploração da terra a partir das palavras do Gênesis: o que significa "cultivar e guardar"?

O nosso objetivo está unido à oração do sacerdote na Divina Liturgia: "Os mesmos dons de Vós recebidos, a Vós oferecemos em tudo e por tudo. A Vós louvamos, a Vós bendizemos, a Vós damos graças, ó Senhor, e Vos suplicamos, ó nosso Deus". Então, somos capazes de abraçar todas as pessoas e todas as coisas – não com medo ou por necessidade, mas com amor e alegria. É então que aprendemos a cuidar das plantas, dos animais, dos rios, das montanhas, dos mares, de todos os seres humanos e de toda a natureza. É então que descobrimos a alegria – em vez de infligir dor – na nossa vida e no nosso mundo.

Consequentemente, criamos e promovemos instrumentos de paz e de vida, e não de violência e morte. É então que a criação, de um lado, e a humanidade, de outro – aquela que abraça e aquela que é abraçada –, correspondem plenamente e cooperam uma com a outra, porque não se contradizem mais e não estão em competição. É então que, assim como a humanidade oferece a criação em um gesto de serviço e sacrifício sacerdotal, restituindo-os a Deus, assim também a criação se oferece em troca como dom à humanidade para todas as próximas gerações. É então que tudo se torna uma espécie de intercâmbio recíproco, fruto da abundância e cumprimento de amor. É então que tudo assume a sua destinação original e o escopo original, assim como Deus pretendera desde o momento da criação.

Na encíclica, o Papa Francisco valoriza o movimento ecológico, mas se distancia daquela corrente de pensamento que considera o homem como o "mal" do planeta e gostaria de reduzir a população. O que você pensa?

Na literatura clássica da Igreja das origens, a humanidade é considerada em termos dialéticos. São Gregório, o Teólogo, que foi arcebispo de Constantinopla no fim do século IV, disse que o homem é, ao mesmo tempo, divino e humano, um criador chamado a se tornar divino, um microcosmo e um micro-Deus, um cocriador junto com o divino Criador. Essa ambivalência da humanidade significa que o homem é capaz de fazer as mais nobres e dignas ações, mas, ao mesmo tempo, também é propenso aos abusos mais repugnantes e prejudiciais. Portanto, é verdade que a humanidade – criada à imagem e semelhança de Deus – está no seu estado mais natural quando age com compaixão e cuida dos outros e da natureza. No entanto, por causa da queda, o homem age "contrariamente à natureza", de maneira alterada, esquecendo-se da visão e da intenção que Deus tinha para o mundo.

Francisco propôs novamente um acordo para uma data fixa para a celebração da Páscoa. Você concorda com essa hipótese?

A Igreja Ortodoxa discute a possibilidade de uma data fixa e única para a celebração da Páscoa, a festa das festas, há mais de meio século. Na verdade, as primeiras consultas pan-ortodoxas em preparação para o grande santo Concílio agendado para o próximo ano em Istambul, levaram em consideração várias opções científicas e litúrgicas para essa eventualidade. No entanto, nos últimos anos, e especialmente depois da dissolução da Cortina de Ferro, elementos importantes dentro de algumas Igrejas nacionais, infelizmente, resistiram a essa hipótese de mudança. Não há dúvida de que um acordo sobre uma data fixa comum para a celebração da Páscoa seria uma vantagem, particularmente para aqueles cristãos que vivem nas Américas, na Europa Ocidental e na Oceania. Mas, independentemente do fato de que, pessoalmente, se esteja de acordo ou não, tal proposta deveria ser decidida por todas as Igrejas ortodoxas, para não pôr em perigo a unidade do mundo ortodoxo.

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