Migrantes, o papa escreve para a Mediterranea: obrigado pelo que vocês fazem

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15 Abril 2020

Luca, caro irmão, estou perto de você e de seus companheiros. Obrigado por tudo que vocês fazem”. Estas são as palavras que o Papa Francisco escreveu de próprio punho e enviou a Luca Casarini, ex-líder dos Macacões brancos e Desobedientes, hoje chefe de missão da Mediterranea, a plataforma de realidade da sociedade civil que, através do navio "Mar Ionio", resgata o migrantes no mar Mediterrâneo.

A reportagem é de Luca Kocci, publicada por Il Manifesto, 12-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Na última quinta-feira, o próprio Casarini havia escrito uma longa carta ao pontífice. "Era uma carta muito pessoal, queria agradecer a ele, porque sua oração solitária no meio da Praça São Pedro vazia provocou várias reflexões em mim", explica Casarini ao manifesto. “Em especial, aquelas palavras ‘ninguém se salva sozinho’, que também é um dos slogans da Mediterranea quando estamos no meio do mar. Eu não imaginava que ele iria me responder. Eu acho foi um elo, acho que ele quis dar um sinal para a Mediterranea e para todos aqueles que socorrem os migrantes no mar. Alguns companheiros e companheiras torcem o nariz quando a Igreja está envolvida. Mas sou fascinado pela figura revolucionária, extremamente humana e transcendente de Jesus. Parece-me que Bergoglio quer nos lembrar disso, e esse nem sempre foi o caso na Igreja”.

Ontem, chegou a curta resposta de Francisco: “Luca, caro irmão, muito obrigado pela sua carta. Obrigado pela piedade humana que você tem diante de tantas dores. Obrigado pelo seu testemunho, o que é muito bom para mim. Estou perto de você e de seus companheiros. Obrigado por tudo que vocês fazem. Gostaria de dizer que estou à disposição para ajudar sempre. Contem comigo."

Não é a primeira vez que o pontífice mantém contatos com Mediterranea, que, apesar de ser uma organização laica, também é apoiada por paróquias e comunidades de base. Em julho do ano passado, na missa no Vaticano para comemorar o sexto aniversário de sua viagem a Lampedusa - a primeira viagem de Francisco recém eleito papa -, havia também uma delegação da organização humanitária, com Don Mattia Ferrari, vice-pároco de Nonantola (Mo) que participou de algumas missões do "Mar Ionio". E em dezembro, reunindo-se no Vaticano com 33 refugiados que chegaram de Lesbos por um corredor humanitário e recebidos pela Santa Sé em colaboração com a Comunidade de Santo Egídio, Bergoglio fez instalar em frente ao Palácio Apostólico um cruz que "veste" um colete salva-vidas de um naufragado, recuperado no mar e entregue ao papa precisamente pela Mediterranea.

“Sou grato a Francisco porque ele nos apoia - continua Casarini -. E é incômodo se colocar ao lado dos migrantes. Através dos migrantes, que não são pessoas que estão às margens, mas na fronteira, e estão sempre no processo de serem rejeitadas e mandadas de volta, vemos o lado humano. Através de sua história, seu sofrimento, seus desejos e seus sonhos, vemos o verdadeiro poder do ser humano, que não é o dos banqueiros, mas daqueles que viajam e enfrentam o deserto e o mar. Hoje, com a pandemia, nos encontramos em um território incerto, que abre todas as possibilidades, positivas e negativas: o que acontecerá não é certo, como não é certa a resposta que damos ou a ideia que temos do mundo que virá”.

Se o "Mar Ionio" está ancorado em Licata à espera de poder partir quando o bloqueio terminar, existe outro navio, o "Alan Kurdi", da ONG alemã Sea-Eye, que vaga no Mediterrâneo com 149 náufragos a bordo e dirige-se para a Sicília, onde foi proibido de atracar porque, devido à epidemia de Covid-19, por decreto do governo, os portos italianos não são mais "portos seguros". “Fico assombrado por essa decisão”, afirma o missionário comboniano Alex Zanotelli.

“É criminoso recusar-se a aceitar refugiados que fogem da Líbia, onde são presos em campos de concentração e torturados. Eles têm o direito de serem acolhidos como refugiados. Esse decreto é contra as leis e as convenções internacionais. Estamos de volta à política de Salvini? Essa é a nossa humanidade? Será que o coronavírus não nos ensinou que estamos no mesmo barco?”.

Enquanto isso, do Vaticano, chega outra notícia. O esmoleiro pontifício cardeal Konrad Krajewski, que "religou abusivamente" a energia elétrica no prédio da Spin Time ocupado em Roma, enviou uma bonificação de vinte mil euros para Dom Massimo Biancalani, pároco de Vicofaro (Pt), que recebe na igreja mais de duzentos jovens migrantes africanos, no passado fortemente atacado por Salvini e os fascistas de Forza Nuova. Algumas semanas atrás, o prefeito de Pistoia Alessandro Tomasi (Fratelli d’Itália) havia ameaçado "esvaziar Vicofaro" para impedir a disseminação do coronavírus em Pistoia. Quantos positivos existem entre os migrantes de Vicofaro? Zero.

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