''Eu abracei Francisco recordando os mortos no mar.'' Entrevista com o Pe. Mattia Ferrari

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10 Julho 2019

“Eu cumprimentei o papa ao término da missa. Eu o abracei e agradeci por parte da equipe do Mediterranea e do Sea-Watch. Ele sorriu para mim.”

O Pe. Mattia Ferrari, 25 anos, vigário paroquial de Nonantola, na Diocese de Modena, partiu como voluntário no navio Ong Mare Jonio. Nessa segunda-feira, ele participou da liturgia com o papa.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 09-07-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O que impressionou você na missa?

Além das palavras do papa, eloquentes e iluminadoras, os gestos. Ele quis cumprimentar os presentes um por um, reconhecendo a dignidade de cada pessoa. Em um momento em que os migrantes e os refugiados são tratados como números, o seu gesto sublinha a dignidade de cada pessoa.

Do que vocês fizeram memória?

Daqueles que perderam a vida no mar. E daqueles que constroem aquela que Paulo VI definiria como civilização do amor.

Salvini e as políticas de fechamento ganham consenso. Você está preocupado?

Preocupo-me com o questionamento de valores fundamentais que deveriam unir a todos: fraternidade e comunhão. Muitos olham para os migrantes com medo. Corrado Lorefice, bispo de Palermo, disse: “Hoje existe a peste que se insinua no coração de tantas pessoas”. Seria preciso combater essa peste com o remédio do amor.

Muitos católicos estão com Salvini.

Os católicos me preocupam ainda, mas também os cidadãos em geral, que perdem de vista a humanitas. Também vemos isso com idosos, pessoas com deficiência, quem pede esmola. Muitas vezes, não se tem a capacidade de reconhecer o irmão nos outros.

Por que você embarcou em um navio?

Fui convidado por amigos dos centros sociais de Bolonha. Eu sei muito bem como eles estão ao lado dos migrantes como irmãos, como lutam por eles. Juntos, os muitos migrantes que eu conheci em Modena e Bolonha me convenceram. Eles me contaram sobre as suas dificuldades. Eu não pude dizer não.

Nem todos na Igreja denunciam a hipocrisia daqueles que usam símbolos religiosos para justificar políticas antievangélicas.

A Igreja deve falar e deve dizer a verdade. Todas as pessoas que vêm ao nosso encontro escapam da fome e de guerras causadas por nós, pelo nosso sistema econômico. Somos nós os predadores da África. Acolhê-los é um dever de humanidade e de justiça. Nós os forçamos a partir para não morrer.

Alguns dizem que são as ONGs que incentivam os migrantes a partir.

Não há acusação mais equivocada. Há anos elas ajudam e socorrem os migrantes no mar.

O que você lembra da sua viagem no Mare Jonio?

Eu me lembro da noite em que salvamos os migrantes. “Where are you from?”, de onde vocês vêm, nós perguntamos a eles. “From hell”, do inferno, responderam. Eles estavam desesperados. Quando perceberam que haviam sido salvos, começaram a cantar, e a tripulação se juntou a eles. Havia migrantes provenientes de países diferentes. E a tripulação, formada por pessoas de fé e ateus. Foi uma celebração da vida e da fraternidade universal. O Mare Jonio me mostrou uma antecipação do Paraíso e também o que é o Evangelho. Diante da humanidade ferida, não é o sacerdote ou o levita que param, mas sim o samaritano. Ontem, o samaritano; hoje, as pessoas dos centros sociais. E fazem isso porque sentem no coração essa compaixão visceral.

O que os seus paroquianos dizem?

Quando eu voltei a Modena, eles me perguntaram: “Quantos você converteu?”. Eu respondi: “Nenhum. Ao contrário, eu é que fui evangelizado”.

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