Melhor do que um filme de Sorrentino: quem é o diretor das cerimônias papais sem povo

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13 Abril 2020

“A Igreja não precisa de mim”, disse Paolo Sorrentino recentemente, ao comentar a oração do papa pelo fim da pandemia em uma Praça São Pedro completamente deserta.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada em La Repubblica, 11-04-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Com efeito, a praça, também aquela preparada na noite dessa Sexta-Feira Santa para a Via Sacra, com dezenas de tochas nos paralelepípedos para indicar o caminho da cruz, fala por si só.

Mas, juntos, não é fruto do acaso. Magnificência e sobriedade surpreenderam o mundo também graças à direção de uma figura que não gosta de aparecer, mas de cuja contribuição Francisco nunca quis abrir mão: o cerimoniário papal Guido Marini.

Quem é Guido Marini

Ao lado do papa em todas as suas celebrações, magro como uma lanterna da sua Gênova na qual nasceu ou como estilita do antigo Oriente, Marini, 55 anos, passou ileso pela mudança de pontificado, conseguindo adaptar a liturgia às sensibilidades diferentes dos dois bispos de Roma: do retorno do rito antigo promovido por Bento XVI à essencialidade jesuítica de Jorge Mario Bergoglio.

Era Marini quem estava por trás do reaparecimento de costumes e paramentos antigos de alguns pontífices anteriores a Bento XVI – os tronos e as cátedras dos papas Leão XIII e Pio IX, por exemplo – e também é ele quem está por trás da praça dessa sexta-feira, sóbria como o vestuário do ex-arcebispo de Buenos Aires que, com sapatos pretos e cruz peitoral de ferro no pescoço, gostava de andar sozinho na metrópole argentina por ocasião das procissões populares.

Dois mundos opostos, dois estilos nos antípodas, sintetizados por Marini com capacidade de adaptação camaleônica.

O encontro

As crônicas contam que foi com o sorriso que Marini conquistou Francisco. Recém-eleito, na noite do dia 13 de março de 2013, o monsenhor que havia se tornado cerimoniário por vontade de Ratzinger, entrou na “sala das lágrimas” com Bergoglio.

Prontos para o recém-eleito, como recorda Francesco Grana no livro Extra Omnes, estavam os sapatos vermelhos, a camisa com as abotoaduras, o crochê bordado, a mozzetta vermelha de arminho, a cruz dourada pendurada em uma corrente dourada e a estola papal vermelha. Bergoglio agradeceu, mas fez por conta própria. E saiu vestido para ir se assomar à sacada central da basílica simplesmente com a batina branca e a sua cruz peitoral no pescoço: tirou a corrente cardinalícia, vermelha e dourada, e pendurou a sua cruz à antiga corrente de metal.

Marini não protestou, simplesmente aceitou o estado das coisas. E sorriu. Uma submissão que agradou e agrada a Francisco que, de fato, apesar dos diversos rumores de iminentes mudanças nos últimos anos, mantém Marini em seu lugar, talvez compreendendo que um ex-aluno do cardeal Siri como o monsenhor da Ligúria, teoricamente nos antípodas do estilo bergogliano, pode fazer as coisas bem feitas se for “convertido” à nova causa.

O crucifixo de San Marcello al Corso transportado para a praça é filho do respeito pela devoção popular, característica inamovível de Francisco. Uma devoção, nestas horas, criticada pela esquerda, mas da qual Bergoglio não pretende se distanciar.

O posicionamento do crucifixo na entrada da basílica vaticana no dia da oração pelo fim da pandemia e nessa sexta-feira aos pés do adro também é obra de Marini que, a partir do seu escritório no primeiro andar do Palácio Apostólico com uma vista deslumbrante da Praça São Pedro, observa e dirige: o antigo não usado por revanchismo, mas sim para sustentar a fé dos simples é considerado algo bom e justo pelo papa argentino. E também por um ex-aluno de Siri, apesar de uma escola litúrgica de gênese oposta.

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