Há 75 anos, Bonhoeffer queria parar Hitler

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10 Abril 2020

Ele queria assumir sobre si os sofrimentos dos outros e até as culpas, seguindo o Cristo da cruz. Por isso, em 1939, enquanto estava protegido nos EUA, Dietrich Bonhoeffer, morto no dia 9 de abril de 75 anos atrás, voltou à Alemanha para continuar resistindo a Hitler.

A reportagem é de Vincenzo Passerini, publicada por Trentino, 09-04-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nascido em Wroclaw em 1906, em uma família da alta burguesia protestante alemã, Dietrich Bonhoeffer estudou teologia em Tübingen e em Berlim, e tornou-se pastor. Logo se destacou pela força analítica e crítica do pensamento.

Pacifista e ecumênico em uma época em que o nacionalismo dominava o mundo alemão, descobriu durante uma viagem a Nova York, em 1930, o mundo dos negros e imergiu fascinado na vida do Harlem. Descobriu o racismo das Igrejas dos brancos. Aprendeu a conhecer os seres humanos na sua realidade. E nos seus dramas. Descobriu a política, que antes considerava irrelevante para um cristão. A partir de então, a academia não lhe bastaria mais.

A sua teologia, uma das mais altas do século XX, caminharia junto com o compromisso pessoal na vida cotidiana, de acordo com os ditames do Sermão da Montanha. Justiça social, fraternidade sem fronteiras, compaixão pelo sofrimento. Não podemos, diz ele, usar Deus como tapa-buracos. Ele nos deixa a plena responsabilidade do mundo, afirma ele em uma época terrível, em que muitos se escondem com as melhores e mais devotas intenções.

Com Hitler no poder, os protestantes se dividiram. Bonhoeffer ficou do lado da minoritária “Igreja confessante”, que se opunha ao nazismo e à legislação contra os judeus, enquanto a maioria elogiava Hitler.

Até o fim, ele seria um indomável resistente. Ensinou, viajou pela Europa, escreveu. Em 1937, o regime fechou o seminário da Igreja confessante onde ele lecionava, e, no ano seguinte, foi-lhe proibido até o ensino universitário.

Ele entrou na rede clandestina da Resistência alemã que pretendia derrubar o regime. Em 1939, foi aos EUA para uma série de conferências. A guerra se aproximava. Voltar? É uma luta interior. Volta para a Alemanha sabendo o que iria encontrar.

“Devemos participar da amplitude do coração de Cristo na ação responsável, ele que, com toda a liberdade, aceita a hora e se submete ao perigo.”

Ele foi um dos protagonistas de um dos atentados fracassados contra Hitler. Foi preso em abril de 1943. Na prisão, escreveu para Eberhard Bethge, depois seu biógrafo, uma série de cartas teológicas que formarão o seu livro mais famoso, “Resistência e submissão” [em português, Ed. Sinodal]. Foi enforcado no dia 9 de abril de 1945.

“É o fim. Para mim, o início da vida”, disse ele, sereno, antes da execução.

 

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