Cumpre-se o pior temor do Papa: o coronavírus chega a Lesbos e ameaça milhares de refugiados

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13 Março 2020

O alarme disparou no último domingo, 08-03, quando se confirmou o primeiro caso de contágio de coronavírus na ilha grega de Lesbos, onde se aglomeram dezenas de milhares de refugiados, tanto no acampamento de Moria quanto nos arredores.

A reportagem é publicada por Vida Nueva, 12-03-2020.

Trata-se de um cidadão grego que voltava de uma viagem a Israel, porém se desatou o pânico em todas as entidades sociais comprometidas com os refugiados, em sua maioria sírios que fogem da guerra, entre os quais há inúmeras crianças sem nenhum tipo de acompanhamento familiar.


Mapa do Mediterrâneo, em destaque: Grécia, Lesbos, Turquia e Síria. Fonte: Google Maps


Mapa do mar Egeu, bacia interna do Mediterrâneo. Em destaque: Grécia, a ilha grega de Lesbos e Turquia. Fonte: GreenMe

Estrutura mínima

Muitas ONGs tiveram que suspender suas atividades, e outras, como a Médicos sem Fronteiras, veem-se obrigadas a manter a estrutura básica. “Temos menos atividade e menos assistentes. Desde a semana passada, estivemos aplicando os protocolos de segurança que utilizam em países em guerra”, confirmou um dos porta-vozes do MSF, Maurizio Debanne, em declarações à Agencia Sir.

Como se fosse pouco, essa crise se solapa com a qual se desatou depois da decisão da Turquia de abrir suas portas para pressionar a União Europeia com uma chegada maior de refugiados a seus estados-membros, o que teve sua primeira grande resposta em sua fronteira com a Grécia que, ao mesmo tempo, suspende durante um mês o direito dessas pessoas a solicitar asilo. Algo que foi tachado de ataque aos direitos humanos por parte das entidades sociais presentes na zona.

Consequências desastrosas

É o caso do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR) da Europa, que mandou uma carta aos principais dirigentes europeus na qual lamentam que “este jogo, jogado pelos poderosos, está pondo em risco vidas humanas inocentes. Deve deter-se agora. A essa mistura já volátil se acrescenta um pânico crescente sobre o coronavírus. Com a falta de atenção médica nos acampamentos críticos, as ONGs temem que um surto tenha consequências desastrosas”.

O papa Francisco, em suas últimas intervenções públicas, levantou a voz diante a esse drama, pedindo para se centralizar as atenções aos refugiados, que fogem da guerra, da perseguição e “das doenças”.

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