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21 Janeiro 2020

"As boas práticas recomendadas para realizar a conversão ecológica de que o Papa fala e de que todos precisamos são claras, aparentemente simples, mas muito difíceis de implementar: o diálogo", escreve Carlo Petrini, fundador e presidente do movimento Slow Food e da Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo, em artigo publicado por La Repubblica, 17-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Que ele seria um papa fora do comum, já poderíamos tê-lo entendido pelo nome escolhido no momento de sua nomeação. Quem poderia tomar como modelo de referência o pobrezinho de Assis, se não alguém que se preocupasse com temas como o cuidado da criação e os humildes?

De fato, o compromisso do Papa Francisco com o meio ambiente e com os últimos, reiterado em sua conversa com Eugenio Scalfari, sempre foi relevante e - uma característica peculiar de seu apostolado – fez com que a defesa da casa comum se tornasse um dever cristão, tanto na política como na vida cotidiana.

É sobre isso que Bergoglio argumenta na Encíclica, considerada por quem, mesmo na Igreja, não entendeu seu significado profundo, um documento ambiental. A Laudato Si' é muito mais que uma encíclica verde: sua abordagem sistêmica a torna uma verdadeira encíclica social.

Sua natureza extraordinária está precisamente em sua capacidade, em um período em que - nem cinco anos atrás! - a centralidade do tema ambiental não era dada como óbvia, para despertar a consciência daqueles que acreditavam que falar sobre ecologia era para poucos. Ao mesmo tempo, ofereceu novas sugestões também para aqueles que sempre lutaram pela defesa de nossa Mãe Terra, como a ideia de que não pode haver justiça social em um ambiente degradado ou o poderoso conceito de "tudo está conectado", graças ao qual ele explica que o grito da Terra está intimamente ligado ao dos pobres. Essa é a maneira de dividir o mundo com as lentes da ecologia integral: um conjunto de interconexões onde até a menor ação tem uma influência sobre o resto do sistema e onde, portanto, todos somos corresponsáveis pelo sofrimento do planeta.
Mas de onde nasce essa crise ambiental? Bergoglio nos lembra que o réu mais evidente é o nosso sistema econômico, o consumismo desenfreado e a atitude predatória que temos em relação à nossa casa comum: "Esta economia mata". Uma declaração forte que atesta a necessidade de mudar.

As boas práticas recomendadas para realizar a conversão ecológica de que o Papa fala e de que todos precisamos são claras, aparentemente simples, mas muito difíceis de implementar: o diálogo. Entre outras coisas, de fato, essa Encíclica é um hino à capacidade de encontrar o outro, criar pontes e entrar em contato com o diferente, preservando a própria identidade e, ao mesmo tempo, contaminando-a e enriquecendo-a com aquela dos outros.

Hoje, mais do que nunca, de fato, a única solução para nos garantir o futuro é criar alianças, lembrando-nos que a família humana é uma só e que todos pertencemos à mesma comunidade de destino. Não é por acaso que, na onda positiva criada por esse documento revolucionário, da sinergia entre Slow Food e a Diocese de Rieti, do diálogo entre um agnóstico - eu - e um Bispo - Domenico Pompili - nasceu a ideia de constituir comunidades locais que operem no espírito da Encíclica e que de fato tomam dela o nome: Comunidades Laudato Si'. Comunidades em que não vigoram obrigações, mas conceitos como a inteligência afetiva, em que os cidadãos são animados pelo querer estar juntos por estar cientes de que ninguém se salva sozinho e que mudar hábitos é mais fácil se for feito em companhia.

Isso seria suficiente para entender, por um lado, a envergadura cultural, política e espiritual deste Papa e, por outro, o poder de contágio que a Encíclica teve nos últimos anos, de modo a criar no mundo juvenil e católico uma verdadeira "geração Laudato Si’”. Mas não termina aqui: esse pensamento revolucionário encontrou continuidade e aplicação prática no encontro de outubro passado, evento realizado por vontade explicita de Bergoglio, que viu reunidos os Bispos dos países amazônicos e em que tive a honra de participar como ouvinte. O Sínodo Pan-Amazônico foi um encontro incrível que traçou os primeiros passos do caminho a ser empreendido juntos rumo à ecologia integral. O próximo encontro, sempre de matriz bergogliana, será realizado em março em Assis e reunirá mais de dois mil jovens de todas as partes do mundo: outra oportunidade única de diálogo para refletir sobre como criar uma nova economia que coloque no centro o homem e o meio ambiente. Confiar esse desafio aos jovens é o que de mais moderno possa existir.

Como observador agnóstico, fico impressionado com as transformações que às vezes parecem milagrosas: no século passado, dois Papas conservadores - ou, de qualquer forma, considerados tais - no trono papal tornaram-se promotores e artífices de mudanças vivas, de certa forma "progressistas" e necessárias. Aqui, porém, estou saindo do meu cercado, melhor me calar.

 

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