Colombianos protestam. Atos levam milhares às ruas

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23 Novembro 2019

Atos levam centenas de milhares às ruas em várias cidades e acabam em confronto em Cali e Bogotá. Manifestações, inicialmente contra reformas do trabalho e da previdência, também miram temas de segurança e educação.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 22-11-2019.

Centenas de milhares de colombianos saíram às ruas nesta quinta-feira (21/11) em protestos contra a política econômica e social do governo conservador do presidente Iván Duque, paralisando praticamente todo o comércio e o trânsito nas ruas de várias cidades.

As manifestações mais intensas dos últimos anos no país foram maioritariamente pacíficas, apesar de tumultos registrados em Bogotá e Cali, onde foi decretado um toque de recolher obrigatório. Nas duas cidades, assim como em Medellín, houve também panelaços ( o que não é comum na Colômbia) que se prolongaram durante mais de duas horas.

"A Colômbia saiu vencedora nessa jornada histórica de mobilização cidadã", disse em nota o Comitê Nacional de Paralisação, que engloba centrais trabalhistas, sindicatos, organizações camponesas, universitários e partidos de oposição.

Os organizadores pediram uma reunião em caráter de urgência com o presidente para debater as questões políticas, econômicas e de segurança que motivaram os protestos e ameaçaram voltar ás ruas se o governo não der atenção ás demandas do movimento.

O estopim dos protestos foram as propostas do governo de flexibilizar o mercado de trabalho e o sistema previdenciário, mas outras causas também foram adicionadas por diferentes setores da população.

Os indígenas pedem maior proteção, após o assassinato de 134 membros de suas comunidades desde o início do governo de Duque; os estudantes, por sua vez, exigem mais recursos para a educação.

Uma queixa em comum a todos os grupos é à política de segurança do governo, centrada no combate ao narcotráfico, além do assassinato de vários líderes sociais e da intenção de modificar o acordo de paz assinado entre o governo anterior e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Alguns ex-membros da guerrilha também participaram dos protestos.

Membros do comitê organizador asseguram que mais de um milhão de pessoas participaram das mobilizações em todo o país. Entretanto, estimativas oficiais apontam que esses números seriam de no máximo 207 mil pessoas, no horário de maior adesão aos protestos.

Iván Duque, que acompanhou as manifestações junto das autoridades de segurança do governo e membros de seu gabinete, disse reconhecer a legitimidade de algumas das exigências das ruas.

"Hoje, os colombianos falaram e nós os ouvimos. O diálogo social tem sido a principal bandeira deste governo. Devemos aprofundá-lo com todos os setores da sociedade e acelerar a agenda social e a luta contra a corrupção", afirmou o presidente em pronunciamento à nação.

Ele destacou o caráter pacífico dos protestos, mas condenou o que chamou os atos de "vandalismo puro" que ocorreram em algumas cidades. Os choques entre manifestantes e policiais deixaram ao menos 57 civis e 70 policiais feridos e 43 pessoas foram presas em todo o país.

Duque enfrenta uma rejeição de 60% dos colombianos além de sérias dificuldades por não possuir maioria no Congresso. O país de 48 milhões de habitantes tem um crescimento econômico acima da média regional, ainda que com altos índices de desigualdade e desemprego.

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