Colômbia. Greve Nacional contra um governo impopular

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 21 Novembro 2019

O primeiro ano do governo de Iván Duque foi de baixa popularidade e, no ritmo dos países vizinhos, enfrentará a primeira grande manifestação popular nesta quinta-feira, 21-11-2019. Uma greve nacional foi convocada em rechaço às reformas trabalhistas e previdenciárias planejadas por Duque, ao alto número de assassinato de indígenas, aos boicotes ao Acordo de Paz e à perseguição aos movimentos sindicais e estudantis. A resposta do governo e de seus aliados preocupa pelas ameaças contra os grevistas.

Iván Duque tomou posse como presidente da Colômbia em agosto de 2018, depois de vencer uma eleição contra o candidato de centro-esquerda Gustavo Petro. O grande impulsionador da sua vitória foi seu padrinho Álvaro Uribe, ex-presidente e principal liderança política do país. O uribismo, de direita conservadora, semeou e germinou com o discurso de guerra contra as guerrilhas. O Acordo de Paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC construído pelo então presidente Juan Manuel Santos foi recusado em referendo, em outubro de 2016, com a força da propaganda uribista.

A volta do uribismo ao governo expressou a força da direita conservadora que estava contida no país. A construção do medo e do inimigo tem sido determinante nos retrocessos do Acordo de Paz. A tentativa de controle, por parte de Duque, sobre o órgão para a justiça de transição, o JEP, tem levado um grande número de membros das FARC a voltarem para a guerrilha armada.

Além do boicote à tentativa de pacificação do conflito, Duque tem sido criticado pelas propostas de reformas na Previdência e na Legislação Trabalhista. Os movimentos sociais e os sindicatos apontam que dentre as medidas previstas estão a privatização e capitalização do sistema de pensões e a possibilidade de contratação de jovens abaixo do salário mínimo. O governo nega que cogita incluir essas propostas nas reformas, assim como não aumentará o imposto de contribuição previdenciária e nem a idade para aposentadoria.

A Igreja Católica da Colômbia também emitiu um comunicado de apoio à paralisação nacional, afirmando ser um direito democrático. Segundo os bispos é preciso que se faça da Colômbia "casa e pátria para todos". No comunicado apontam que "o cansaço e o descontentamento manifestado por certas mobilizações cidadãs, revalm problemas graves que não conseguimos superar e que tem suas origens na corrupção, na desigualdade social, no desemprego e na impossibilidade de amplos setores de acessarem aos serviços básicos de alimentação, sáude e educação". Os bispos recordam também a mensagem do papa Francisco na visita ao país, dois anos atrás: "nao desistam do esforço de costruir a unidade da nação e, apesar dos obstáculos, diferenças e distintos enfoques sobre a maneira de construir a convivência pacífica, persistam na luta para favorecer a cultura do encontro"

Dentro da confusão de pauta há uma única coerência: a impopularidade de Duque, que segundo pesquisa do instituto Gallup Poll, divulgada na semana passada, a reprovação ao governo é de 69%. As manifestações são o sintoma de um governo decadente, que se acentuam com o exemplo das ruas dos países vizinhos.

As respostas do governo ainda preocupam sobre a possibilidade de violência. Na segunda-feira, o comandante-chefe das Forças Militares acionou o aquartelamento em primeiro grau, isso é, o alerta máximo. Desde a última semana, a polícia colombiana tem cumprido mandados de busca e apreensão em casas de lideranças sociais e estudantis e sedes dos movimentos.

Nas redes sociais, um ativista de direita, Jaime Restrepo, que se autointitula El Patriota, está convocando grupos de choque para conter os grevistas. No seu perfil do Twitter, Restrepo convoca “radicais de direita” para participação do grupo chamado Resistencia Civil Antidisturbios, que, por enquanto, estarão organizados pelas ruas de Medellín, Cali e Bogotá para "auxiiar a Polícia Nacional no controle, defesa da vida, liberdade e propriedade privada".

O presidente Iván Duque tem manifestado que não haverá repressão e que o direito de manifestação é garantido na Colômbia. No entanto, os exemplos próximos, como no Chile e na Bolívia, somados ao histórico do uribismo e o contexto de violência e guerra permanente na Colômbia, deixam um ar de incerteza na política do país.

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