“A Igreja, e principalmente a Igreja na Amazônia, não será mais a mesma após este Sínodo”. Entrevista com o Pastor Inácio Lemke

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23 Outubro 2019

O Sínodo para a Amazônia já passou da metade do percurso da assembleia sinodal, em Roma. Na última quinta-feira (17/10), teve início a redação do documento final, após as considerações dos círculos menores. Os trabalhos vão até o dia 27 de outubro.

Em resumo, diversos temas ganharam espaço durante as discussões: Amazônia como casa comum; evangelização; interculturalidade e o chamado missionário da Igreja; respeito às diversidades e diálogo com os povos originários; o papel das mulheres e dos leigos; pastoral vocacional, entre outros.

Aproveitando que o Sínodo se encaminha para o fim, entrevistamos o pastor Inácio Lemke (foto abaixo), presidente do CONIC. Ainda antes do encontro dos bispos começar, Inácio participou, em Belém, capital paraense, de um encontro preparatório ao Sínodo. Na opinião dele, “a vida na Amazônia está ferida”. “Eu acredito que a Igreja, e principalmente a Igreja na Amazônia não será mais a mesma após este Sínodo. Vamos, de uma forma ou outra, ser influenciados pela luz e esperança dos povos da Amazônia”, acrescenta. 

Pastor Inácio Limke (Foto: Ricardo Stuckert | Fotos Públicas)

A entrevista é publicada por Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC, 21-10-2019.

Eis a entrevista.

Como luterano, de que modo você avalia o Sínodo da Amazônia?

Considero o Sínodo da Amazônia um dos passos mais ousados que a Igreja Católica poderia ter tomado para responder ao clamor da vida em sua diversidade. Não apenas na Região Amazônica, mas universal. Quando o Papa Francisco convoca o Sínodo, ele o convoca também no sentido ecumênico, de promover o diálogo com todos os seus habitantes. Ele chama ao diálogo. O primeiro passo foi ouvir os diferentes povos que habitam este grande território Pan-Amazônico, que abrange países diferentes, e onde habitam milhares de povos, com línguas, costumes, culturas e religiosidades diferentes.

Não é por acaso que o Papa convoca o Sínodo da Amazônia. A vida na Amazônia está ferida, ou melhor, está agonizando, está caída como o assaltado no Evangelho de Lucas 10:25-35, em que todos passam de largo; apenas um samaritano lhe estende a mão e o resgata.

Vejo que até agora tudo vem acontecendo com muito respeito à diversidade e pluralidade.

A abertura ao diálogo ecumênico e o desejo de maior comunhão com os povos originários são duas características importantes deste Sínodo. Como isso é positivo para a Igreja na Amazônia?

Creio que, há muito tempo, o diálogo vem sendo uma das características da Igreja comprometida com o evangelho na Amazônia. Posso dizer isso pelo menos em relação à presença da Igreja na Amazônia brasileira, onde a Igreja se faz presente na convivência e no diálogo entre os povos originários, assim como entre ribeirinhos, seringueiros e demais povos da floresta. Após o Vaticano II, as Ordens Religiosas começaram a ir com maior intensidade para as regiões mais afastadas da Amazônia pelo compromisso com Cristo e por amor à causa do evangelho. Isso também podemos afirmar em relação à missão desenvolvida pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) junto aos povos originários. Isso é marcar presença junto aos povos por amor, na convivência... assim como Jesus mostrou seu amor aos mais diferentes. Isso é ser sinal de uma Igreja presente, e não apenas de visita ou passagem de vez em quando.

Você esteve em um evento preparatório ao Sínodo, realizado em Belém, no Pará, quais foram as suas impressões naquele primeiro momento?

O sinal que mais me impressionou foi a presença de partilha de amor entre os participantes, sem distinção entre Igreja hierárquica, lideranças leigas, representantes de povos da Amazônia e assessores. Todas as vozes e gestos se uniam para a defesa da vida de forma ampla na Pan-Amazônia. Foi um encontro com celebrações abençoadas pela rica espiritualidade amazônica.

Inácio, você já morou na região, precisamente em Rondônia. Estando lá, quais desafios comungou no tocante à evangelização?

Confesso que meu coração bate pela Amazônia desde que a conheci pela primeira vez em meados de 1975. Vi Rondônia ainda coberta por florestas. De lá para cá, muita coisa mudou. Os vilarejos de então viraram cidades, cidades de referência. Vi e convivi com muito sofrimento e miséria. Aprendi que para a Igreja ser instrumento de apoio de vida na Amazônia ela precisa ser ecumênica e se empenhar em causas comuns. Aprendi que a evangelização é fazer crescer o amor em comunhão com outras pessoas, outras comunidades de fé. Não é necessário se combater, mas unir os diferentes. Sei que para compreender a dinâmica da vida, e vida da Igreja na Amazônia, é preciso viver ou pelo menos ter passado um bom tempo por lá.

Como você já citou acima, a Amazônia é um território muito amplo, muito plural. No meio disso tudo, há muita esperança, muita luta, muita fé. Você acredita que um Sínodo pode ser sinal de esperança a tanta gente que sofre?

A esperança sempre foi uma das minhas características de vida. E respondendo diretamente à sua pergunta, digo que sim, eu creio, pois a Igreja, e principalmente a Igreja na Amazônia, não será mais a mesma. Vamos, de uma forma ou outra, ser influenciados pela luz e esperança dos povos da Amazônia. A Igreja vai ouvir a voz daqueles e daquelas que nunca tiveram voz. São vozes dignas de manifestação do Evangelho de Cristo que liberta os pequenos e oprimidos. São vozes da Pan-Amazônia clamando em nosso tempo. Quem tiver ouvidos abertos para os clamores e anúncios ouvirá a boa mensagem de Jesus, o Cristo, em graça e fé ecumênica.

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