Google realizou doações significativas para grupos negacionistas climáticos

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14 Outubro 2019

O gigante tecnológico Google teria feito doações “substanciais” para alguns dos grupos e think tanks negacionistas climáticos mais relevantes dos Estados Unidos. Mais especificamente, entre as centenas de organizações que obtiveram fundos da Alphabet, uma multinacional da qual o Google faz parte, encontramos alguns dos que foram mais agressivos contra as políticas ambientais de Obama e contra toda a legislação ambiental estadunidense, como é o caso do Competitive Enterprise Institute (CIS), conforme revelado nesta sexta-feira pelo jornal britânico The Guardian.

A reportagem é publicada por El Salto, 11-10-2019. A tradução é do Cepat.

O CEI, de ideologia ultraconservadora, foi fundamental para a administração republicana de Donald Trump deixar o Acordo de Paris, um fato que deixou orfã a principal ferramenta global para frear a emergência climáticas. Além disso, esse grupo continuou lutando contra a legislação ambiental, após conseguir seu objetivo em relação ao acordo global sobre o clima.

Além disso, a multinacional também financia a State Policy Network (SPN), organização sob a qual se encontram outras, como o ultraliberal Heartland Institute, centrado no ataque à ciência e ao aquecimento global. Na era da crise climática e da sexta extinção em massa de espécies, os grupos membros da SPN afirmam que o meio ambiente está “melhorando” e que a crise climática não existe.

Outros grupos que figuram na lista com a qual o Google “colabora” são o Cato Institute, um conhecido think tank que questiona a crise climática, o Mercatus Center e a Heritage Foundation.

Dinheiro sujo, “marketing” verde

A injeção econômica do Google para coletivos ultraconservadores e nacionalistas contrasta com sua política comunicativa e de marketing. Após o anúncio de Trump do abandono do Acordo de Paris pelos Estados Unidos, o Google, juntamente com outras multinacionais tecnológicas como Apple e Amazon, manifestaram sua decepção com a decisão do presidente estadunidense e anunciou que cumpriria com os objetivos de redução de emissões delineadas pelo então governo Obama.

O Google se defendeu, conforme aponta o The Guardian, observando que sua injeção de fundos não significa que apoiem a agenda desses grupos ultraconservadores. As doações seriam para influenciar políticos conservadores e, assim, ajudar a aumentar a pressão sobre os conservadores e ampliar a agenda de desregulamentação nos Estados Unidos.

"Somos uma das poucas empresas que contribuem com essas organizações, apesar do forte desacordo com elas em relação às políticas climáticas", disse um porta-voz da empresa ao jornal britânico.

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