ONU apela para que a "era digital não fique nas mãos do mercado"; Macron tenta uma terceira via entre China e EUA

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Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 14 Novembro 2018

Iniciou em Paris, na segunda-feira, 12-11-2018, o 13º Fórum de Governança da Internet – IGF promovido pela Organização das Nações Unidas – ONU. O IGF conta com a participação de mais de 3 mil delegados, entre os quais estão representantes de governos, empresas privadas e do mundo acadêmico. O fórum tem como objetivo discutir ações para a “construção de uma internet de confiança”.

No discurso de abertura, António Guterres, secretário-geral da ONU, ressaltou a necessidade “de pensar em maneiras de colocar as tecnologias e o seu enorme poder de emancipação ao serviço dos valores fundamentais da humanidade”. Na sequência, Emmanuel Macron, presidente francês, fez um longo pronunciamento que propôs um novo modelo de internet global, alternativo ao estadunidense/californiano e ao chinês.

A discussão por uma governança global da internet ganha destaque diante dos avanços tecnológicos e as complicações que se apresentaram na atual conjuntura, como os escândalos de espionagem e o fenômeno das fake news. Para o secretário-geral da ONU, a nova era deve ser discutida de maneira ampla e diversificada, debatendo os benefícios, mas trazendo à tona soluções para os impactos negativos. “Junto aos enormes benefícios que podem trazer, surgiram novos problemas à cibersegurança, aos dados e à inteligência artificial”, levantou Guterres.

Segundo o português, a discussão sobre a tecnologia não é uma questão somente de técnica de como fazer, mas precisa da participação de outras áreas do conhecimento. “Quando discutimos sobre dados e inteligência artificial, poderíamos convidar filósofos e considerar a ética. Poderíamos incluir antropólogos e outros tipos de especialistas que normalmente não são convidados às reuniões sobre tecnologia”, acrescentou.

Diante de diferentes representantes do setor privado, Guterres teceu crítica à falta de valores humanos e do controle de agências intergovernamentais na regulação do ambiente digital. “A governança da internet não pode ser um debate, precisa de políticas. Não podemos deixar nosso destino na era digital nas mãos invisíveis das forças do mercado”, apelou o representante máximo da ONU. Entretanto, destacou as falhas das ciências sociais e política em discutir alternativas adequadas à atualidade: “As formas clássicas de regulação não são adequadas para muitos dos desafios que supõe essa nova realidade, necessitamos de uma cooperação multilateral”.

O Apelo de Macron contra EUA e China

Fazendo coro à fala da ONU, Emmanuel Macron discursou na sequência, anunciando o “O Apelo de Paris à confiança e à segurança no ciberespaço”, uma declaração assinada junto com outros chefes de Estado para firmar um compromisso mundial sobre uma governança global da internet.

Macron aparece como o líder do movimento que procura mediar os dois grandes modelos de internet em disputa: o estadunidense/californiano e o chinês. Referindo-se principalmente às empresas que relutam a se adequar às políticas, por “desconfiança dos governos” destacou a necessidade de confiança “de buscar um interesse comum”. Segundo o líder francês, “inevitavelmente haverá mais regulamentação no futuro, e vocês serão os primeiros a pagar por regras pouco desenvolvidas. Entre a ‘autogestão completa’ e o ‘fechamento da Internet’ totalmente monitorada por Estados autoritários”. A proposta de Macron foi chamada de “terceira via francesa ou europeia”.

O apelo de Macron não apontou a ninguém diretamente, mas deixou indiretas. “Em nome da liberdade deixamos avançar muitos inimigos da liberdade”, destacou, indicando que “governos eleitos democraticamente podem ferir as bases democráticas se não estabelecer regras para a rede”.

A respeito da democracia, Macron fez um discurso forte contra as fake news. Acusou as campanhas eleitorais que se baseiam de informações falsas de querer acabar com a democracia. “Convido a todos para que apoiem de forma concreta as iniciativas [contra fake news], e não nos equivoquemos nessa batalha, aos que não lutam pela integridade nas campanhas eleitorais e pela democracia, ajudam a todos aqueles que querem falsear a verdade as campanhas, os que não lutam para que haja um estatuto sobre a informação e os jornalistas tenham uma deontologia, caem em um relativismo contemporâneo”, suplicou aos chefes de Estado e empresas privadas da área da informação que não assinaram o Apelo de Paris.

O manifesto, foi construído por especialistas de mais de 90 países, até agora tem 370 signatários, entre países e empresas. Dentre os ausentes, estão Estados Unidos, China e Rússia.

Nessa disputa de novas organizações políticas mundiais, os últimos dias foram de enfrentamento entre os presidentes francês e estadunidense.

Justamente via internet, Trump enviou recados direto a Macron. Na terça-feira, 13-11, comparou as iniciativas francesas de proteção dos países europeus à Alemanha das Primeira e Segunda Guerras, e debochou da baixa popularidade e do alto desemprego na França.

No domingo, em celebração ao 100º ano do armistício da Primeira Guerra Mundial, Macron discursou na Champs-Elyseé direcionando-se diretamente aos líderes nacionalistas ao afirmar que "o nacionalismo é uma traição ao patriotismo”.

A resposta de Trump, via twitter, novamente com deboche: “A propósito, não há país mais nacionalista que a França, pessoas muito orgulhosas – e com razão... Faça a França grande novamente”, com a referência ao seu lema “Make America Great Again!”.

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