Muda o mapa do futuro conclave. E Francisco adverte: não à deslealdade

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07 Outubro 2019

Parece evidente até mesmo a Francisco que alguns estão trabalhando contra o pontificado e para influenciar o próximo conclave. Nesse sábado, 5, ele criou 13 novos cardeais: 67 de 128, portanto a maioria é de sua nomeação.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 06-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ele lembrou a todos que “muitos comportamentos desleais de homens da Igreja dependem da falta do senso de compaixão recebida e do hábito de olhar para o outro lado, do hábito da indiferença”. Palavras pesadas, que se somam a outras proferidas recentemente por dois dos seus fidelíssimos. O cardeal alemão Walter Kasper disse que “existem pessoas que simplesmente não gostam deste pontificado” e que “querem que ele se conclua o mais rápido possível para ter, digamos assim, um novo conclave”.

E o superior geral dos jesuítas, o venezuelano Arturo Sosa, que explicou que existem “setores fora e dentro do Vaticano que estão pressionando para que Francisco renuncie”.

O papa Bergoglio se mantém firme fisicamente, como Kasper confirmou nos últimos dias: “Ele está indo muito bem para um homem de 82 anos”. No entanto, algumas alas trabalham no “depois”, ignorando o fato de que, como lembra o historiador Enrico Galavotti, “a eleição de um papa é sempre condicionada por muitos fatores: é ilusório imaginar que se possa assegurá-la apenas com as criações cardinalícias” (Wojtyla criou 230 cardeais, mas o seu sucessor havia sido criado por Paulo VI)”.

Por isso, diz ele, “serão cruciais o momento em que o conclave ocorrer e as dinâmicas internacionais que estiverem em curso”.

Não faltam as figuras de destaque das várias alas, começando por dois purpurados italianos com profundidade teológica: o secretário de Estado, Pietro Parolin, e o arcebispo de Bolonha, Matteo Zuppi. O primeiro dificilmente deixará Roma. Francisco o quer ao seu lado. As relações entre os dois não parecem ter sofrido fissuras. Embora a ideia de que Parolin seja transferido para Veneza em vista de uma possível sucessão não pertença ao estilo de Bergoglio, que, não fazendo cálculos para si mesmo, também não os faz para os outros.

A segunda figura cresceu mês após mês, capaz de se fazer apreciar em Bolonha pelo seu estilo pacato, tanto pelos bergoglianos quanto pelos seus opositores. A galáxia tradicionalista, pequena mas barulhenta, há muito tempo pressiona pela figura do cardeal Robert Sarah, da Guiné, que, no entanto, não parece conseguir se afastar da imagem de purpurado de linha teológica oposta a Bergoglio.

É no meio disso, no entanto, que parece jogar o curial franco-canadense Marc Oullet, que, na primeira votação no conclave de 2013, ficou em terceiro lugar, atrás de Scola e do próprio Bergoglio. No recente livro publicado pela editora Cantagalli “Amici dello sposo” [Amigos do noivo], Oullet tenta mediar as diversas posições sobre a abolição do celibato eclesiástico, mostrando-se, porém, bastante fechado: “Eu não sou contra, mas sim cético”, diz ele sobre a hipótese de ordenar como sacerdotes em áreas remotas do globo os chamados “viri probati”, homens idosos casados e de fé comprovada.

Cada conclave é uma história em si mesma. Tudo é jogado nos dias iminentes ao extra omnes. Por isso, mesmo que pese sobre a sua figura a origem estadunidense, o cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, é uma personalidade de destaque neste momento, depois de dar credibilidade a uma Igreja destruída pelos abusos sexuais cometidos pelos padres na época do cardeal Law. O sítio de notícias católico Crux se perguntou: “O’Malley pode ser o candidato da ala de centro-direita como novo papa?”.

A Igreja é muito vital na Ásia. O arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle, está entre as púrpuras mais respeitadas. Ele usa palavras novas e considera a Igreja do futuro como “mestiça”.

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