Reflexões sobre o cardeal Sarah: um adeus ao chapéu vermelho

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13 Março 2018

Cardeal Sarah claramente não conhece nem entende história litúrgica e teologia.

O artigo é de padre William Grimm, publicado por La Croix International, 12-03-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Padre William Grimm, MM, é editor do ucanews.com e mora em Tóquio.

Eis o artigo.

Especialmente durante a temporada turística, a Igreja na qual exerço meu ministério litúrgico recebe um grande número de visitantes. Grande parte deles, geralmente mulheres, fazem questão de me dizer, com um ar de reprovação quanto à nossa oferta, que em seu país de origem só frequentam missas em Latim. Não faço a mínima ideia do que esperam que eu diga ou faça a respeito.

Na única vez em que perguntei a uma mulher se ela entendia Latim, ela respondeu que não, mas usava um missal em inglês para acompanhar as orações da missa. Eu não quis apontar que, nesse caso, ela estava rezando a missa em inglês, e não em latim.

A julgar por seu vestido e joias e por terem dinheiro e tempo de lazer disponíveis para fazer turismo aqui no Japão, me pergunto se as congregações em que frequentam (não dizem "celebrar") a missa em seu país incluem os pobres de Cristo. Talvez os mais pobres ou até mesmo de classe-média que preferem a forma extraordinária do rito latino não tenham condições de ir a Tóquio, então eu não os encontro. Mas acho que não estou sendo injusto ao imaginar que os pobres não se sentiriam acolhidos nessas missas no caso improvável de quererem fazer parte desse culto.

As cerejeiras em Tóquio vão florescer em algumas semanas, e a alta temporada do turismo chegará novamente. Por mais que espere ansiosamente pelas cerejas, quando por cerca de duas semanas Tóquio deve ser a metrópole mais bonita no mundo, assim como a maior, sinto certa apreensão em relação aos turistas.

Minha apreensão deve-se ao fato de eles poderem me confrontar com um aliado poderoso. O cardeal Robert Sarah é o prefeito da Congregação para o Culto Divino. Em outras palavras, é o prelado do Vaticano responsável pela liturgia da Igreja.

Nessa função, ele tem sido inimigo do que foi alcançado no culto da Igreja do Concílio Vaticano II (1962-65) para cá. Quando o Papa Francisco pediu que fossem elaboradas disposições prevendo que as mulheres participassem da cerimônia do lava-pés na Quinta-feira Santa, o cardeal adiou a ação por mais de um ano. Ele foi corrigido pelo Papa por sua insistência em celebrar a missa com o padre de costas para a congregação. O Papa chamou sua atenção publicamente por minimizar o apoio papal em restaurar a autoridade das traduções litúrgicas aos bispos, como foi acordado por um concílio ecumênico. A mais recente incursão do cardeal Sarah foi atacar a recepção da comunhão em mãos como algo mal, trabalho do diabo.

Como eu ou os outros podemos responder quando, como pode muito bem acontecer, somos confrontados por pessoas que dizem que seu cardeal está ao seu lado ao não quererem fazer parte da maioria dos católicos do mundo no culto?

Eu poderia apontar o fato de a nomeação de prefeitos do Vaticano não ter nada que ver com o seu conhecimento ou até mesmo interesses. O único requisito de que precisam é um chapéu vermelho, e o cardeal Sarah, que claramente não sabe nem entende de história litúrgica ou teologia, cumpre esse requisito.

O outro e principal requisito é, certamente, a nomeação pelo Papa e sua permanência na função, já que a mantêm conforme a vontade do pontífice. Se o cardeal Sarah, com sua piedade desinformada, permanece no cargo, significa que tem o apoio do Papa.

Como posso responder a isso?

O Papa Francisco aparentemente tem suas razões para mantê-lo em sua atual posição no Vaticano, mas essas razões não vão bem nem fazem sentido no lugar onde a Igreja realmente vive. A lógica do Papa para manter o cardeal como uma referência para a liturgia não ajuda nem é útil para quem está de fora do Vaticano.

É hora de o cardeal Sarah ser demitido do cargo.

Quantas vezes o cardeal Sarah vai desafiar e ser publicamente corrigido pelo Papa até que seja demitido?

Isso não vai mudar os visitantes que estão descontentes com o fato de que nossa paróquia não tem missas em latim, mas pelo menos vai impedir que se use o cardeal e sua autoridade como aliado ou como arma.

Portanto, Papa Francisco, seja qual for o motivo para mantê-lo no cargo, pense em nós, que não estamos a par de seus motivos e provavelmente não compartilhamos deles, e facilite a nossa vida e a vida do ministério.

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