Em Verona, continua a ''guerra cultural'' contra o pontificado de Bergoglio

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02 Abril 2019

Como de costume, para compreender plenamente o pensamento de Bergoglio, é preciso olhar para a revista La Civiltà Cattolica – que voltou a ser novamente central no Vaticano com o pontificado de Francisco – e para o seu diretor, Pe. Antonio Spadaro.

A reportagem é de Francesco D’Esposito, publicada em Il Fatto Quotidiano, 01-04-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No fatídico XIII Congresso Mundial das Famílias de Verona, o Pe. Spadaro explicou a rejeição do papa ao evento – “a substância é justa, o método é equivocado” –, introduzindo de maneira negativa o conceito de guerra cultural. E que remete, por assonância, e não só, àquela guerra de civilizações que os teocons ratzingerianos queriam desencadear contra o Islã na última década, marcada pelo ataque às Torres Gêmeas.

O diretor da Civiltà Cattolica, revista quinzenal dos jesuítas, repete a mesma ordem de Bergoglio: “A cultura da família não pode ser a parte instrumental de uma guerra cultural. É um erro de método e, portanto, acaba sendo também de substância”. Consequentemente, eis os “guerreiros culturais, para os quais o cristianismo se torna campo de batalha”. É a mesma linha, intitulada “Esta pobre, pobre família”, delineada nesse domingo, 31 de março, por Marco Tarquinio, diretor do jornal dos bispos italianos, Avvenire.

Em suma, a maioria dos católicos italianos não quer os que valores inegociáveis se tornem um terreno de confronto violento entre a minoria clerical de direita e a frente laica e feminista. Até porque, como apontado justamente por Gian Enrico Rusconi no jornal La Stampa, o verdadeiro objetivo propagandístico de Verona era o de recrutar cruzados de calibre para a batalha contra o papa “herege” argentino.

Verona como arena para os fariseus tradicionalistas que vieram à tona com as dubia sobre a Amoris laetitia e com a campanha de efeito retardado de Dom Carlo Maria Viganò sobre a pedofilia no Vaticano. Mas aqui existe a meia decepção registrada pela falange veronense com a postura indecisa de Matteo Salvini, o primeiro-ministro separado que sacode o terço e que não aderiu totalmente à trincheira homofóbica e antiabortista do “seu” ministro Lorenzo Fontana. Não por acaso, no congresso, o discurso da fascista-soberanista Giorgia Meloni recebeu mais aplausos.

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